quarta-feira, 3 de maio de 2017

Francisco orante


Imagem: Lodovico Carracci - São Francisco em meditação

Frei Vitório Mazzuco

O modo orante de Francisco de Assis pode inspirar a oração que brota da nossa intimidade. Nada melhor que buscar um testemunho das Fontes Franciscanas para este jeito de orar: “Francisco, homem de Deus, corporalmente distante do Senhor, lutava para manter o espírito presente no céu; e, já feito concidadão dos anjos, somente a parede da carne o separava. Toda a sua alma tinha sede do seu Cristo, ele lhe dedicava não só todo o coração, mas também todo o corpo.

Relatamos umas poucas maravilhas das suas orações a serem imitadas pelos pósteros, o quanto vimos com nossos olhos. Conforme é possível transmitir a ouvidos humanos. Fazia de todo tempo um ócio santo, para gravar a sabedoria no coração, para não parecer que fracassava, caso não progredisse. Se por acaso as visitas dos seculares ou quaisquer negócios o surpreendiam, interrompendo-o antes de terminar, ele voltava novamente às realidades interiores (...).

Sempre procurava um lugar escondido em que pudesse unir a seu Deus não só o espírito, mas também cada membro. Quando era subitamente agraciado em público pela visita do Senhor, para não estar sem cela, fazia do manto uma pequena cela. Muitas vezes, faltando-lhe o manto, para não revelar o maná escondido, cobria o rosto com a manga. Sempre interpunha algo aos presentes para que não conhecessem o toque do esposo, de modo que, inserido entre muitos no estreito espaço de um navio, rezava sem ser visto. Finalmente, não podendo nada destas coisas, fazia do peito um templo (...).

Estas coisas em casa. Mas, rezando nas florestas e nos lugares solitários, enchia os bosques de gemidos, banhava os lugares de lágrimas, batia com a mão no peito e aí, encontrando como que um esconderijo mais oculto, conversava muitas vezes com palavras com seu Senhor. Aí respondia ao Juiz, suplicava ao Pai, conversava com o Amigo, divertia-se com o Esposo (...)Muitas vezes, com os lábios imóveis, ruminava interiormente e, arrastando para o interior as realidades exteriores, elevava o espírito às superiores. Assim, totalmente transformado não só em orante, mas em oração, dirigia toda atenção e todo afeto a uma única coisa que pedia ao Senhor” (2 Cel 94).

Podemos concluir de olho nas Fontes que a oração de Francisco é uma oração que envolve corpo, mente, alma e coração. É ocupar o tempo com a sabedoria do coração. Uma total concentração para não perder o instante da visita do Senhor e o estado de enlevo. É a busca do lugar escondido e solitário para estar melhor no comum. É o toque do Esposo, a conversa com o Amigo e a resposta ao Juiz. É fazer do peito um templo! Homem feito oração.

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