segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CLARA DE ASSIS - 2

No dia 18 de Março de 1212, Clara de Assis sai de sua casa e vai para a igreja de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula, encontrar-se com Francisco de Assis.

De modo que estamos numa caminhada jubilar, para celebrar em 2012 este encontro que marca para sempre a história da Ordem. É um momento privilegiado para, mais uma vez, redescobrir Santa Clara, a mãe, esposa e irmã de toda família franciscana. É muito comovente o reencontro com a mãe! A partir de então, a Ordem tem uma faceta feminina. Clara traz o brilho da personalidade e a força de seu carisma pessoal. Tem a mesma escolha de Francisco: o Evangelho. O que a move é o Amor a Jesus, Pobre e Crucificado. O Deus humilde, simples, despojado. A grandeza de um Deus que se fez servo. Ela também quer ser assim, de grande dama da sociedade assisiense, ser serva e irmã de inumeráveis irmãs. Quando o Amor é grande demais não dá para ser sozinha: arrasta consigo uma família de Irmãs que, assim como Clara, ganha juventude através dos séculos.
Com certeza, podemos dizer que, sem Clara, a experiência de Francisco não seria completa. Ela é uma testemunha excepcional da busca radical da vivência do Evangelho que abalou Assis a partir destes seus dois jovens cidadãos. Entre Francisco e Clara está um protótipo de um ideal, um modelo pleno de humano, uma conversão que mistura radicalidade e ternura, espírito e afeto. Escreve Caetano Esser, um dos grandes estudiosos do Franciscanismo: “Clara seguiu de perto São Francisco na sua nova vida e nas vivências do início da Ordem. Dele assimilou profundamente o Espírito, conservando em si o estado mais puro deste Espírito. O seu testemunho é digno da mais alta consideração” (Origem e Valores Autênticos da Ordem, Milão,1972).

Imagem do Painel no Colégio Nossa Senhora Aparecida - Consa - das Irmãs de Ingolstadt, em São Paulo.

Um comentário:

Marcel Coimbra disse...

Frei Vitório,
Paz e Bem!

Não sei, mas a mim me parece, às vezes, que apontar Santa Clara e sua ordem como o equivalente feminino da primeira ordem é cair na mesma espécie de redução/preconceito contra a mulher que havia em sua época. Será que Clara se fez monja de clausura, abadessa em um mosteiro só porque o ambiente religioso da época não teria permitido uma vida "mista" como a dos frades? Acho que a vocação de Clara é mais profunda, talvez uma vida contemplativa própria do franciscanismo, escondida e pobre como a Eucaristia, o Jesus real que ela tanto amava e queria seguir e viver. Por que não há religiosos clarissOs? Assim como há tantas congregações e institutos femininos que seguem a primeira regra, deveria haver, também, homens optando pelo ideal de Santa Clara, a vida contemplativa franciscana/clariana, escondida na pobreza da Eucaristia. Eu, frei Vitório, não posso iniciar esse mosteiro CLARISSO, porque sou8 casado e tenho minha família, o pão para os filhos, esposa etc., mas sempre achei curiso isso, da vida mista de francisco (ação/contemplação) há tantas mulheres e homens... mas homens vivendo a vida clarissa, nada, será que o masculino não comporta a altíssima contemplação de Clara?