terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

FRANCISCO DE ASSIS, O SEU “EU”, E ELE EM MIM

Na contracapa da obra estão estas palavras do autor: "Fui tentado a intitular este volume 'o meu Francisco' e teria sido por certo mais exato. Mas prevaleceu em mim o desejo de ouvir dele”. Um grande encontro de grandes “Eus” este belo livro: Eu, Francisco, de Carlo Carretto, Paulus, São Paulo, 1910. 

Esta obra faz de Francisco de Assis o biógrafo de si mesmo, revela seu estado de espírito e seus sentimentos. Nesta obra aparece o Santo como o Arauto da Paz, um profeta da não-violência, um defensor da força do amor. Mostra a Pobreza como força libertadora. Francisco e seus primeiros companheiros sabiam que o distanciamento absoluto em relação às coisas lhes permitiria viverem mais próximo de Deus. Pontua um amor pela Igreja, enfraquecida em tantos que pretendiam a sua renovação.
Este é um livro onde todos podem encontrar, na continua queda dos mitos, uma convocação ou um convite aos sentimentos perenes, humanos e cristãos, que tornam jovem e mais aceitável a vida.

Estas páginas, convincentes como um romance, provocatórias como uma ofensa à nossa mediocridade, estimulantes como uma meditação, mostram São Francisco de Assis como o tipo ideal do cristão para a nossa época.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

NA ESTRADA COM SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Quer saber detalhes interessantes dos lugares onde São Francisco de Assis viveu, pregou e construiu suas Fraternidades? Leia esta boa obra de Linda Bird Francke, Na estrada com São Francisco de Assis- Uma viagem pela Úmbria e pela Toscana, Record, Rio de Janeiro, 2008.

É um cativante diário de duas viagens paralelas: a de Francisco de Assis e seu caminho rumo à santidade no século XIII e da autora do livro, Linda Bird Francke, que refez os passos do Santo pela Itália até o Egito. É a história contada de olho nos lugares e nos textos medievais. Ela não faz uma viagem de natureza espiritual, mas sim para elucidar ainda mais a admiração que causa Francisco de Assis ao inspirar e fascinar milhões de pessoas. Partindo de Assis, uma pequena cidade da Úmbria, que  atrai dois milhões de visitantes por ano, a segunda cidade italiana mais visitada depois de Roma, a autora percorreu cidades como Siena, Bologna, Veneza, Gúbio e Roma. Foi aos eremitérios escondidos nas montanhas, no Alverne, nas Celle de Cortona, na Toscana e no Vale de Rieti.

No livro, a autora discorre sobre a relação de Francisco com Clara, seus milagres, os cenários que inspiraram um grande amor pela natureza e por todas as coisas vivas. Com uma proposta original, Na estrada com São Francisco de Assis traz à luz o espírito e a personalidade de um ser legendário e constitui um guia inusitado para as belas e atemporais paisagens, lugares sagrados e cozinha italiana. Leia! Deguste!

FREI VITÓRIO MAZZUCO



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

FRANCISCO DE ASSIS, O POBRE DE DEUS

Este é um dos mais famosos romances sobre a vida de São Francisco de Assis escrito por um grande mestre, Nikos Kazantzakis, um militante político que teve a literatura como a sua vocação maior. É autor de “Zorba, o Grego”, uma obra levada ao cinema com sucesso mundial. Seus romances figuram entre os preferidos do público leitor do mundo todo. Nesta obra, uma versão da vida de Francisco de Assis, encontramos uma arte sensível e comovente, um hino os valores básicos da fé e da fraternidade humanas. Leia O Pobre de Deus, de Nikos Kazantzakis, Círculo do Livro- Nova Fronteira, São Paulo, 1974.

Este romance é narrado por Frei Leão, e logo no prólogo ele diz: "Tu te lembras, Pai Francisco? Este indigno que hoje pega a pena a fim de narrar a tua crônica era humilde e feio mendigo no dia de nosso primeiro encontro. Humilde e feio, cabeludo da nuca às sobrancelhas, tinha a fisionomia coberta de pelos e olhar amedrontado. Em vez de falar, balia feito carneiro, e tu, para ridicularizar minha feiúra e humildade, me apelidaste de Irmão Leão. Porém, quando te contei a minha vida, começaste a chorar e, acolhendo-me em teus braços, disseste: 'Perdoa-me a zombaria. Agora vejo que és realmente um leão, pois só um leão ousaria pretender o que pretendes. (...). De tanto perguntar, minha garganta secou. De tanto caminhar, meus pés incharam. Cansei de bater às portas, mendigando a princípio pão, depois uma palavra amiga e finalmente a salvação. Todo mundo fazia troça e me tratava como débil mental. Era empurrado, escorraçado, estava farto. Aprendi a blasfemar. Afinal de contas, sou humano, sentia-me exausto de andar, passar fome e frio, suplicar ao céu sem nunca obter resposta. Uma noite, no auge do desespero, Deus tomou minha mão. E também a tua, Pai Francisco. Assim nos encontramos”.

FREI VITÓRIO MAZZUCO