sexta-feira, 29 de abril de 2016

O ANO SANTO DA MISERICÓRDIA - Perspectivas Franciscanas - 13




O encantamento que Francisco de Assis tem pela Encarnação faz com que ele se identifique mais ainda com Jesus Cristo, a misericórdia encarnada do Pai, Aquele que vem para reconciliar, que é manso e humilde de coração. Em Jesus estão presentes de um modo cristalino todas as qualidades do ser misericordioso. Jesus oferece alimento e descanso (Mt 11,28); é piedoso e compassivo (Tg 5,11). A carta aos hebreus chama Jesus de “Pontífice misericordioso” (Hb 2,17). Na carta encíclica “Dives in Misericórdia”, o papa João Paulo II destaca bem a atuação de Jesus junto à humanidade, sobretudo quando ela é ameaçada em seu núcleo, em sua  existência e em sua dignidade.

O modo de Jesus ser misericordioso ultrapassa as medidas humanas. Francisco entende que a partir de Jesus a misericórdia é a disposição do coração compadecido. Assim como Deus Pai, o Deus Filho está sempre antenado ao sofrimento das pessoas e caminha nas estradas da Palestina com seus passos e olhar de misericórdia. Jesus e Francisco concretizam o texto mais paradigmático do Antigo Testamento que é Êxodo 3, 6-9, um texto necessário: “Eu vi a opressão do meu povo, eu ouvi o seu clamor e desci para libertá-lo”. Ver a realidade, ouvir e aproximar-se sempre desperta a sensibilidade. Sob o olhar divino é preciso ver a miséria do povo, ouvir e atender, conhecer de perto o sofrimento e descer para libertá-lo. Solidariedade vem de sodalium, sodalício, o solícito, o companheiro, aquele que vai junto, que conduz para solução, que percebe e fica indignado com a opressão.

Podemos olhar os textos do AT e NT, os textos das nossas Fontes e vamos notar que misericórdia e compaixão formam o eixo central da ação de Deus para com o ser humano. Não basta saber do sofrimento é preciso envolver-se para tirar a pessoa do sofrimento e trazer de volta a felicidade. É uma ação consciente, intencional, um dever interior, uma fidelidade ao Amor.

Para Francisco de Assis, a misericórdia comporta fazer valer o Amor que passa pela presença fraterna, pela aproximação, pelo estar junto, pela ternura e piedade, clemência e serviço devotado, bondade e graça que sempre aparecem quando mais grita a miséria humana. Ter misericórdia é amar como Deus ama, é se manifestar como Deus se manifesta. O ser humano é um receptor do modo como Deus ama, e ele precisa de Francisco, precisa de cada um de nós para mostrar-se assim, revestido de compaixão, porque ao ver, ouvir e estar próximo da miséria humana, sente, pensa e age, mesmo tendo que passar pelo crivo do sofrimento e da dor.

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terça-feira, 26 de abril de 2016

O ANO SANTO DA MISERICÓRDIA - Perspectivas Franciscanas - 12



“E nisto quero reconhecer se tu amas o Senhor e a mim, servo dele e teu, se fizeres isto: não haja no mundo irmão que pecar, o quanto puder pecar, que, após ter visto teus olhos, nunca se afaste sem a tua misericórdia, caso buscar misericórdia. Se não buscar misericórdia, pergunta-lhe se quer obter misericórdia. E se depois ele pecar mil vezes diante de teus olhos, ama-o mais do que a mim para trazê-lo ao Senhor; e tenha sempre misericórdia desses irmãos” (Carta ao Ministro 9-11).

“E todos os irmãos que souberem que ele pecou não lhe causem vergonha nem detração, mas tenham para com ele grande misericórdia e mantenham muito oculto o pecado de seu irmão; pois não são os que têm saúde que necessitam de médico, mas os doentes. (....) E o custódio trate-o misericordiosamente, como ele próprio gostaria de ser tratado, se estivesse em situação semelhante” (Carta ao Ministro 15. 17 ).

“Os ministros, no entanto, se são presbíteros, com misericórdia lhes imponham a penitência” ( Rb 7,2).

“Aqueles que receberam o poder de julgar os outros exerçam o julgamento com misericórdia, como eles próprios gostariam de obter do Senhor a misericórdia. Pois, julgamento sem misericórdia terão os que não fizerem misericórdia. Tenhamos igualmente caridade e humildade; pratiquemos a esmola, porque ela lava as almas das imundícies dos pecados. Pois os homens perdem tudo o que deixam neste mundo; levam, porém, consigo o fruto da caridade e as esmolas que praticaram, pelas quais terão do Senhor o prêmio e a digna remuneração” (2 Carta aos Fiéis 28 – 31).

“Aquele a quem foi confiada a obediência e que é tido como maior seja o menor e servo dos outros irmãos. E faça e tenha misericórdia para com cada um dos irmãos, como gostaria que se lhe fizesse, se estivesse em caso semelhante. Não se ire contra o irmão por causa do pecado dele, mas, com toda a paciência e humildade, admoeste-o e benignamente o apoie” (2 Carta aos Fiéis 42).


O seguimento e a imitação de Jesus, a misericórdia encarnada do Pai, molda em Francisco o mesmo jeito do Senhor que vem sempre reconciliar, perdoar, ser manso e humilde de coração (qualidade do ser misericordioso). Ser aquele que oferece compreensão, alimento e descanso (Mt 11,28); que é piedoso e compassivo (Tg 5,11). O modo de Jesus ser misericordioso excede as medidas humanas. A partir de Jesus e de Francisco podemos dizer que a misericórdia é a disposição do coração que se compadece e sempre acolhe.

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quarta-feira, 13 de abril de 2016

O ANO SANTO DA MISERICÓRDIA - Perspectivas Franciscanas - 11



Continuação das citações das Fontes Franciscanas sobre a misericórdia:

“E nisto quero reconhecer se tu amas o Senhor e a mim, servo dele e teu, se fizeres isto: não haja no mundo irmão que pecar, o quanto puder pecar, que, após ter visto teus olhos, nunca se afaste sem a tua misericórdia, caso buscar misericórdia. Se não buscar misericórdia, pergunta-lhe se quer obter misericórdia. E se depois ele pecar mil vezes diante de teus olhos, ama-o mais do que a mim para trazê-lo ao Senhor; e tenha sempre misericórdia desses irmãos” ( Carta ao Ministro 9-11 ).

“E todos os irmãos que souberem que ele pecou não lhe causem vergonha nem detração, mas tenham para com ele grande misericórdia e mantenham muito oculto o pecado de seu irmão; pois não são os que tem as´de que necessitam de médico, mas os doentes. (....) E o custódio trate-o misericordiosamente, como ele próprio gostaria de ser tratado, se estivesse em situação semelhante” ( Carta ao Ministro 15. 17 ).

“Os ministros, no entanto, se são presbíteros, com misericórdia lhes imponham a penitência” ( Rb 7,2).

“Aqueles que receberam o poder de julgar os outros exerçam o julgamento com misericórdia, como eles próprios gostariam de obter do Senhor a misericórdia. Pois, julgamento sem misericórdia terão os que não fizerem misericórdia. Tenhamos igualmente caridade e humildade; pratiquemos a esmola, porque ela lava as almas das imundícies dos pecados. Pois os homens perdem tudo o que deixam neste mundo; levam, porém, consigo o fruto da caridade e as esmolas que praticaram, pelas quais terão do Senhor o prêmio e a digna remuneração”( 2 Carta aos Fiéis 28 – 31 ).

“Aquele a quem foi confiada a obediência e que é tido como maior seja o menor e servo dos outros irmãos. E faça e tenha misericórdia para com cada um dos irmãos, como gostaria que se lhe fizesse, se estivesse em caso semelhante. Não se ire contra o irmão por causa do pecado dele, mas, com toda a paciência e humildade, admoeste-o e benignamente o apoie”  (2 Carta aos Fiéis 42 ).

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sexta-feira, 8 de abril de 2016

O ANO SANTO DA MISERICÓRDIA - Perspectivas Franciscanas - 10


Qualquer indigência (Francisco ia sempre ao indigente como um indigente), como extrema necessidade, gera um ato de misericórdia. É uma questão de não só aliviar, mas resolver o problema dos sofrimentos, incômodos, injustiças, necessidades, ignorância, violência e agressividade, preocupações e tensões, procurar diminuir ou erradicar a miséria espiritual, a miséria física, a miséria afetiva e a miséria material e social. A misericórdia atinge o corpo e o espírito. Podemos buscar argumentos bíblicos na clássica Parábola do Pai Misericordioso e o Pródigo Filho que experimenta a sua misericórdia, Lc 15, 11-32. Podemos citar e comentar Dt 32,11; Rm 8,15; Jo 1.18; Hb 1,1, que revelam o que os textos bíblicos e nossas Fontes Franciscanas confirmam:

A misericórdia do Senhor é inesgotável. Que Ele manifesta infinita alegria para cada filho ou filha que volta; que lança mão de todos os meios para recuperar seus filhos. Ele é o Pastor que busca a ovelha perdida. Como uma mãe voa sobre o filhote quando este cai do ninho. Encarna-se como a maior prova de amor e misericórdia. Ele é o “Pai da misericórdia” como diz São Paulo ( 2Cor 1,1-7 ). Ele é o Deus de infinita compaixão que ama muito intimamente. Sua misericórdia é sem limite no tempo (Sl 100). É imensa! Sem lugar nem espaço; é universal, não se limita a um povo ou a uma raça.

Olhemos o que dizem nossas Fontes:  “(...) a Ele que nos criou, nos remiu e somente por sua misericórdia nos salvará” (Rnb 23,8).

“Aquele a quem foi confiada a obediência e que é tido como maior seja o menor e servo dos outros irmãos. E faça e tenha misericórdia para com cada um dos irmãos, como gostaria que se lhe fizesse se estivesse em caso semelhante” ( 2 Carta aos Fiéis 42 e 43).

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