sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

PROFECIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - Final


CONCLUSÃO

Viver a vida tendo por base uma espiritualidade original e própria que ilumina as práticas. Mesmo na diversidade de  Carismas, ofícios e profissões, de carreira e competência, viver a vida com uma forte motivação da espiritualidade franciscana e clariana. Em tudo dar exemplo de vida e valor.

Sejamos loucos e castos como Francisco e Clara! Ser casto é dizer: é possível ser profundamente humano, responsável e livre sem este circo todo que está aí! Tenhamos consciência dos valores que carregamos. Mais cuidado com a Formação! Que ela seja o confiar em quem constrói subjetividades fortes e não indivíduos feitos bichinhos acuados.

O capitalismo vive de pessoas que estão devendo, prende as pessoas que estão comprometidas com conta a pagar. O jeito franciscano e clariano vive de pessoas livres e que não são superadas, porque continuam a ser promessa de Realização Humana. Esta é a força profética que nos ajuda a resistir!

Estar na  vida de maneira heroica: se tem que ser, ser pra valer, ser o melhor modo de ser e estar. Não diminuir a qualidade; ir pelo mundo mostrando a pérola conquistada. Levar o desejo que habita o coração. Estar no mundo de um modo pessoal e comunitário sem perder a alma e o espírito da vida e da ação. Viver intensamente o tempo que nos é dado. O tempo nos dá a beleza, mas o cronômetro tira o nosso olhar contemplativo. Tempo tornou-se ritmo de produção e não o gosto de existir. Do bilhete único à tarefa única. O tempo não é decidido pela pessoa; ele tirou autonomia de nossa vida. Somos escravos da pressa e da ansiedade. O tempo é a máquina do nosso tormento e não o nosso alimento. Com Francisco o tempo é Cântico das Criaturas, com Clara o tempo é silencio, contemplação e convivência.

Queremos uma lógica solidária: ninguém pode ficar esquecido ou ficar para trás. Precisamos viver em comunhão e não em solidão. Comunhão é um nível mais profundo de Fraternidade! É Família Franciscana do Brasil!

                                                   PAZ E BEM!

                                                                          Frei Vitório Mazzuco OFM

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

PROFECIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - XII


A Encíclica chama a atenção do uso técnico, científico e catastrófico dos recursos naturais. Destruir o natural é cultura de morte e gera uma insensibilidade cosmovital. Existe ética na técnica que explora? Destruir rios e florestas é sentir-se parte do cosmo? A Encíclica nos dá uma responsabilidade moral de defender a vida, de evitar a dessacralização da natureza. O Papa propõe mudança de vida, rever o modo de produção, a produção exagerada de lixo, a atenção urgente para com a radical mudança climática, as injustiças socioambientais, efeito estufa, e o controle destes modelos globais de desenvolvimento. Por que os países ricos defendem a natureza só de modo utilitário, isto é, defender para usar e produzir, o que gera uma relação viciada entre humanidade e ambiente?

A Encíclica fala de estilo novo de vida, de educação para respeitar o ambiente, fala de conversão ecológica, de colocar um freio no consumismo. O que seria tudo isto? É a proteção que deixa ser o natural, para que o natural possa se decompor e não virar pedreiras e montanhas sucateadas e inertes. É preciso dar tempo e cuidado ao natural. Ecologia não é mera militância de barulhentos ambientalistas, mas sim luta profética para melhorar a qualidade de vida. Tecnologia e progresso não devem ser processos de destruição. Estilo de vida não é gastar excessivamente os recursos de energia e suas fontes.

Que a nova Encíclica nos leve para uma comunhão de bens e não acúmulo. Que crie a consciência de que tecnologia criativa não causa danos, mas sim respeita a dignidade humana e o ciclo natural da nossa Mãe e Irmã Terra. Que cuidemos da evolução das espécies e da evolução do humano. Somos guardiães do habitat. Se cresce a densidade demográfica, que cresçam também os recursos e a melhor distribuição dos bens. Violência física contra a espécie humana e a violência contra a natureza povoam os noticiários, mas nós estamos mais preocupados com os quatro melhores colocados no campeonato. Precisamos de um desenvolvimento justo e conservação da vida, mas escolhemos políticos e partidos como se torce para times da série A e B. As pessoas e a natureza caíram para a série C. Brigamos por igrejas e liturgias e esquecemos de pregar uma democracia ecológica que respeite todas as formas no templo sagrado da vida. Todos os seres estão em relação uns com os outros, por que ficar então de fora? A vida é um valor por si só; ela é o presente de Deus e merece todos os louvores, toda proteção e todo respeito! Laudato Sí, mio Signore!

No próximo post, a conclusão

sábado, 2 de janeiro de 2016

PROFECIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - XI


CONTINUAMOS A REFLEXÃO NO ITEM 3:  A FAMÍLIA FRANCISCANA E SEU MODO PROFÉTICO DE SER RESPONSÁVEL

Surpreendeu o mundo a Encíclica do Papa! Profecia e Ecologia! Eco-teologia, eco-espiritualidade. Com esta Encíclica sentimos uma grande alegria por causa de dois olhares: o olhar franciscano sobre a realidade e o olhar do Papa Francisco na amplidão do olhar de Francisco de Assis, que antecipou há oito séculos um modo peculiar e comprometido de ver a Irmã e Mãe Terra, de querer ser colocado nu sobre a terra nua no momento de seu Transitus, para sentir bem a intimidade da casa. Diz a Encíclica:  “Nós somos terra. Todo o nosso corpo é constituído de elementos do planeta, se ar é aquele que respiramos, sua água vivifica e restaura” (n.2)

Devemos ler esta Encíclica sob o olhar da poética e da mística, para argumentar comprometimentos. Olhar poético enquanto emoção, admiração, gratidão, encantamento, consanguinidade criatural e o ver e fazer perfeitos. Olhar místico enquanto desvelamento da verdade de todas as coisas;  a vida movida por uma Força Maior que tudo sustenta e tudo governa. É maravilhoso que um Papa conclame o dom de existir e estar casa comum. Conviver e não usar. Estar no mundo, fazer do mundo um itinerário, ir para a criação como quem escreveu o Gênesis. Em nosso planeta Terra, tudo é um caminho que sai e retorna para seu único lugar: o lugar sagrado! É a metafísica de São Boaventura que nos diz que tudo sai do Todo, revela a sua face e retorna ao Sagrado. A origem de Deus como causa eficiente, manifestando suas imagens e vestígios, Deus como causa exemplar e causa final. Oprimir e devastar a terra, é fazê-la gemer em dores de parto (Rm 8), é matar o Sagrado que nela habita e a irmanação universal de todas as criaturas, de todos os homens e mulheres que preenchem esta casa.

Que esta Encíclica nos ajude a pensar um modo singular de estar na existência; que ela faça uma ponte entre o mundo vivencial, a realidade conjuntural e a fala. A Encíclica provoca uma mística das relações, uma espiritualidade ecológica ( 6, 202). Viver na terra é presença, unidade, vida, morte, amor e tempo. É a união de todos os seres, não na passividade, mas na profecia do cuidado, e ir contra todos os mecanismos de morte que geram uma cultura de morte que já regou com sangue de Josimo, Chico Mendes, Ezequiel e Doroty, a sonhada justiça deste chão.

Continua