quinta-feira, 26 de novembro de 2015

PROFECIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - VII



Ser livre é a libertação de todo tipo de tutela; a tutela é a canga que colocam sobre nós. São algumas tradições que não servem mais e precisam ser revistas. É ter a coragem de em meio a escombros:  RECONSTRUIR A CASA! (3Comp 5). Ser livre é saber que a nossa história não é um amontoar-se de ruínas. Ser livre é libertar-se das tutelas do medo. Viver com medo é ser escravo. Esta não é uma frase terapêutica, mas a decisão de tomar a vida nas mãos e voltar a moldar um humano forte. Uma vida com medo é uma vida desumanizada. O amedrontamento cria peso estruturais e agressividade. Ao reagir ao medo, reage-se de forma violenta. A nossa civilização é especialista em produzir medo, por isso a nossa liberdade perdeu a sua pureza. As indústrias de segurança nunca ganharam tanto dinheiro! Em meio a tudo isto é profético perguntar: Quem vive? Quem é o humano? Não podemos nos apequenar, não podemos ser marionetes de uma história assim.

Ser livre é saber que Deus não nos quer punir. Ter fé é a coragem de abrir caminhos de liberdade. A fé abre caminhos onde não existem caminhos. Só a fé pode nos libertar do medo. Não podemos manipular a vontade de Deus sob o domínio da vontade própria ou no que dizem sacerdotes e pastores. Ser livre é recuperar a confiança perdida e acreditar na atuação de Deus na história através do grupo forte que nós somos. Temos que nos libertar das tutelas de certas manipulações religiosas que ainda decidem quem vai para o céu ou para o inferno, quem são os eleitos ou quem são os condenados. Vamos abraçar mais a fé! “Vai, tua fé te salvou!”. Todos temos uma fé e uma força que nos salva. Os olhos tem que ver coisas que jamais viram. O vigor, a energia e a ternura é o modo de ser de nossa fé. Naquilo que acreditamos é que somos fortes!

Ser livre é libertar-se da tutela do poder político que perdeu a moral, a ética e a credibilidade, porque é o primeiro a se corromper pelo capital. A política é serva do capital. Ser livres diante do excesso de leis e direitos que querem ser a base para recompensar ou punir. Ser livre é não delegar a nossa vida à condução das tutelas. Temos que ter mais coragem de usar a própria razão, desde que ela seja bem formada. Os sonhos ainda valem muito! Como eu faço para formar olhos bons para ver a vida do jeito bom de Francisco e Clara? Como eu faço para viver melhor? Como transformar o acúmulo de informações em sabedoria? Como sair da covardia de ser, que as vezes confundimos como obediência?

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terça-feira, 17 de novembro de 2015

PROFECIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - VI



2. A FAMÍLIA FRANCISCANA E SEU MODO PROFÉTICO NA LIBERDADE DE VIVER, ATUAR E ESTAR NO MUNDO

É profético relacionar o tipo de existência em relação aos modos de vida ou estados de vida. Viver biologicamente com força adaptativa que insere no meio físico, social, técnico, e nas diversas formas de organização. Viver de um modo psicossocial, relacionando-se com o meio social, através da comunicação da linguagem própria, dos ícones próprios, através de processos associativos. Compreender-se como realidade, filosofia de vida, sensibilidade e conhecimento.

Situar-se na mesa da humanidade, que dá à sua existência uma razão e compreensão da vida a partir do sagrado. Olhar os fatos, acontecimentos, fenômenos, procurando neles um sentido divino. Sem desfazer-se da compreensão científica perguntar pelo sentido das manifestações humanas à luz da fé. É um modo transcendente, um entendimento da vida dando sentido ao provisório e ao definitivo, ao útil e ao inútil, ao temporal e ao eterno. Viver a vida buscando as potencialidades da alma e do espírito, a solidariedade criatural, a sacramentalidade da vida e suas hierofanias.

Viver de modo livre! Não é fácil pensar a liberdade em tempos que o mercado nos escraviza, em que o dinheiro tem uma força real e simbólica e que nós pensamos o que pensam as mídias; e o capitalismo como sistema, organiza ainda, tendenciosamente, a totalidade de nossas relações. Produção em massa para um consumo de massa. Dizemos que somos livres, mas aceitamos a "macdonaldização" da existência. Entramos numa baia para comer uma comida que já foi escolhida por um cardápio que não é nosso. Não podemos viver a uniformização da vontade que nos reduz a iguais em tudo. É a disciplinização dos corpos: parar para comer rápido e abastecer-se para trabalhar mais rápido. Ser livre não é ser massa. Ser livre é não se deixar envolver pelas muitas contradições que movem o nosso mundo. Ser livre é começar a pensar e escolher com a própria cabeça e coração. Ser livre é escolher uma Força Espiritual e viver uma pertença que mostre o diferencial na cultura atual. Estamos em épocas de grandes mudanças, um feixe de processos. É muita coisa para uma cabeça só! Ser livre é não se perder neste emaranhado, e mobilizar em nós e em nossas escolhas as melhores energias que temos.

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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

PROFECIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - V


conclusão do subtítulo:
1.A FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL E A IDENTIDADE COMO PROFECIA. CRIAR SUJEITOS FORTES E NÃO INDIVIDUALIDADES FRACAS. A LIBERDADE DE SER.

O indivíduo se identifica com o patrão, com o que vem dos domínios do poder e dos cargos, que tem muito tempo para decidir o tempo e a vida dos outros. O sujeito não acelera a vida, está na comunidade fraterna sem dissolver as diferenças. O indivíduo se esconde na casa e vive com seus hábitos mentais confundindo manias pessoas com carisma pessoal. O sujeito sai da casa para o mundo, reconstrói a casa e reconstrói o mundo, faz e relata eventos em que guarda a memória boa dos fatos. O indivíduo tem a identidade da máquina. O sujeito sabe que só é possível a identidade quando se guarda a memória das coisas grandiosas dentro do próprio coração. O indivíduo é programado para esquecer.  Quem não cultiva a memória não tem mais raízes. Nós vivemos hoje numa produção de esquecimento. O sujeito recorda. O indivíduo é tempo produtivo. O sujeito é tempo celebrativo. O indivíduo abraça o mercado que não dá nada de graça e paga caro para vestir-se de grife. O sujeito abraça o dom de existir na gratuidade. O indivíduo é medroso e inseguro e por isso precisa de sistemas autoritários. O sujeito é livre em meio às pesadas estruturas.

Aprendamos com Clara de Assis a profecia do Feminino! Clara não é importante somente como companheira de Francisco, mas é um forte exemplo do Movimento Religioso Feminino dos séculos XII e XIII. Exerceu uma influência muito grande entre as mulheres de seu tempo a tal ponto que Hortolana, sua mãe, Inês e Beatriz, suas irmãs de sangue, Inês da Boêmia, e tantas mulheres a seguiram.  Donato de Besançon foi o primeiro a escrever uma Regra de Vida para mulheres que viviam nos mosteiros; e a partir daí todas as Regras, por assim dizer, femininas, ou compilações de Regras, são feitas por homens. Clara foi a primeira mulher a escrever uma Regra do próprio punho e bem própria para mulheres. Não temos o original com a chancelaria pontifícia, mas nos restou o texto de Clara com sua limpidez original.

A firmeza de Clara causa certa perplexidade. Ela conduz vidas! Escreve um texto tendo como pano de fundo São Bento e a Regra não Bulada de Francisco; mas não deixa de ser original. Seu tempo é tempo litúrgico. Seu tema mais importante é a Pobreza. Clara causa impacto! Pode uma mulher e seu grupo de mulheres viverem sem nada? Podem sim! Se há um intenso amor, existe um desatrelamento do jurídico e a entrega a algo mais substancial: não preciso ter nada pois tenho uma riqueza essencial, a capacidade de amar o Amado!

Clara sempre falou e viveu  mais que Francisco a Pobreza. A sua fraternidade feminina de São Damião viveu radicalmente pobre e esta é sua original irradiação. Clara pede o direito de não ter nenhum direito; quer ser livre para amar. É como se voltasse às fontes do feudalismo: autogerir-se!
Clara viveu tão coerentemente a sua vida que o Mosteiro passa a ser lugar de irradiação: não é reclusão entre paredes, mas sim um ideal que voa para o mundo. Um ideal que sai pelas frestas de São Damião e ganha corações. Em Clara de Assis todos podemos ser de Deus; todos podemos ser nobres de alma através de seu Amor.

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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

PROFECIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - IV


continuação do subtítulo:
1.A FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL E A IDENTIDADE COMO PROFECIA. CRIAR SUJEITOS FORTES E NÃO INDIVIDUALIDADES FRACAS. A LIBERDADE DE SER.

Francisco e Clara são uma paragem onde a humanidade se encontra nos cruzamentos de seus caminhos. Eles nos ensinaram que a nossa vida deve ser um único gesto de Amor multiplicado no tempo. Como eles temos que ser facilitadores de encontro com a humanidade. Vamos facilitar para a humanidade também um encontro com Clara e Francisco de Assis. Podem sair muitas respostas daí. Temos que colocar em nós, nas mãos e nos corações das pessoas um encontro com subjetividades fortes. Este é o grande grito profético: o máximo e o melhor do humano é o que mais revela a face de Deus. O ser profético franciscano e clariano é uma proposta de ser que seduz e cativa a humanidade. Ser assim é reforçar identidades!

Que experiência significativa estamos oferecendo ao mundo? Que força reparto, com que força estamos indo? Se tiver comigo duas ou três pessoas que querem a mesma coisa: transformo e transformamos o mundo. Com que ousadia enfrentamos o domínio do poder. O poder corrompe até os bons. Como administramos o  sombrio que acompanha a vida? Quantas pessoas são para nós ainda um pedaço de sombra? Onde fazemos valer a nossa luz? Não tenhamos medo de perseguições, porque luzes mais brilhantes são apagadas mais cedo. No oceano da vida, como estamos fazendo a  travessia? Vivemos embarcados em projetos; há momentos que estes projetos podem naufragar, mas a vida continua. Temos que dar continuidade à vida!

Que identidade humana forte estamos oferecendo ao mundo? Deixar de ser indivíduo para voltar a ser sujeito. Indivíduo não é a mesma coisa que sujeito. O mundo de hoje cria um indivíduo com a obrigação de produzir, mas anula o sujeito que poderia decidir com mais criatividade. O mundo mercantilizado promete o sujeito, mas materializa o indivíduo. O indivíduo é isolado, é apenas mais um na multidão, não tem nenhum diferencial. O sujeito é mais forte. Não é sozinho e não quer estar só. É apaixonado por projetos comuns. Tem a consciência de que é um agente de transformação e faz a diferença. Tem a consciência de que é um sujeito histórico; a sua vida é uma missão de ser, um tornar-se, uma promessa, uma chance  de Ser a mais.  É grito profético perguntar: como enfrentar um panorama com tanto individualismo e poucos sujeitos? O indivíduo é escravo da tecnologia. O sujeito olha a realidade. O indivíduo ama e usa o objeto. O sujeito convive com as coisas. O indivíduo dessacraliza o real; o sujeito sabe da vida e constrói o seu saber pela observação do real. O indivíduo morre e envelhece a partir do momento que tem muito medo, o sujeito vive superando medos.

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terça-feira, 3 de novembro de 2015

PROFECIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL - III



1. A FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL E A IDENTIDADE COMO PROFECIA. CRIAR SUJEITOS FORTES E NÃO INDIVIDUALIDADES FRACAS. A LIBERDADE DE SER.

Há muitos anos, a Família Franciscana zela pela nossa identidade. Para o nosso modo de ser identidade é espiritualidade. Nós somos o que ressoa em nossa sacralidade mais íntima e que de modo algum pode ser violado. Nós somos o que amamos. É profético refazer a experiência de Francisco que diz: “Muito deve ser amado o Amor daquele que muito nos amou” (2Cel 196,9). Se amar alguém é importante, amar uma mística interna de vida é urgente. Uma identidade espiritual, moral, ética, humana, franciscana e clariana, espalha um humano modelar necessário.

Viver nesta família é sermos devotos da vida. E ser devoto da vida é buscar um sentido para a nossa existência aqui na terra e estar assim de olho em todos os sentidos.  O nosso modo de estar no mundo é uma história de amor e fraternidade universal e universalismo fraterno. É nossa profética consanguinidade de revelar que se está imerso  na vida tem que construir uma história, deixar um legado, empolgar, animar, seduzir, passar um ideal, segurar uma identidade profética e cativante.

Temos oito séculos de herança, atravessamos o tempo, superamos épocas e idade, e estamos sempre presentes, trazendo uma vitalidade para o nosso tempo. O que surgiu em Assis no século XIII, como resposta a uma época, ressurge em nós como busca de soluções para os problemas conflitantes de hoje: quem somos nós, para onde vai a humanidade, para que vivemos? Como estamos nós? Como nos sentimos ser o que temos que ser? O que nos possibilita e o que nos oculta? Buscar uma humanidade possível, buscar um mundo possível, buscar um Deus possível é nossa missão de profeticamente criar um novo patamar civilizatório, reunindo Fontes, Escritos, Carismas e Testemunhos Encarnados.

Que Francisco de Assis e Clara de Assis não sejam apenas um gosto estético, mas sim provocadores de vidas. Eles nos ensinaram que o cristianismo não é apenas uma coleção de verdades que eu tenho que aprender, mas um caminho que tenho que percorrer com responsabilidade. Que precisamos viver com enamoramento. Não existe vida humana possível sem encantamento. Não existe sujeito que não seja cruzamento de muitos caminhos.

Continua