segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A ÚNICA COISA QUE INTERESSA A FRANCISCO


Francisco de Assis é o portador da paz e do bem porque procura restabelecer a paz e o bem onde não reina a harmonia. Ele é contra a violência, a guerra, a coação, as palavras agressivas, a opressão, as brigas. Luta contra o egoísmo porém nunca contra suas vítimas. Quer que a paz e o bem reinem entre senhores e servos, ricos e pobres, nobres e plebeus, sacerdotes e leigos. Procura vencer o mal pela fé e pelo bem, o melhor caminho para a paz.

Na sua minoridade não quer ser chamado de reformador, renovador, revolucionário; nem que assumir algum partido, que funda um movimento de contestação, ideologia, sistema ou grupo institucional. Ele não é filósofo, político ou teólogo. Ele quer a Fraternidade que mais tarde transforma-se em três Ordens. Ele quer ser o que sempre foi: Irmão Menor, servo de tudo e de todos, pobrezinho, que lava os pés de quem queira, como Jesus, experimentar ser tocado por forças divinas. A todos aceita e venera como seus maiores.

A única coisa que lhe interessa é a vida, a obra e o Espírito do Senhor e seu santo modo de operar. Ele é um homem de outro mundo não porque se desfez deste mundo, mas porque entrou no mundo de Deus que transforma este mundo. É o Reino e a Palavra que o encantam. Do Evangelho fez sua forma corporal e espiritual, sua fala, suas mãos e pés, carne e sangue, coração, corpo, mente, alma e caminho.


Continua

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A SAUDAÇÃO DE PAZ E BEM


Francisco de Assis não transformou a saudação "Paz e Bem" num simples cumprimento religioso, mas sim num programa de vida. Desejar a paz e o bem a tudo e a todos é ter as melhores palavras e a melhor presença, é bem-dizer, é desejar o melhor; não é só dizer, mas fazer o bem, levar a saúde da alma, do corpo e das relações. Ter nos lábios o que pulsa no coração. É o contrário do mal-dizer, da negatividade, de falar apenas o mal. Reprova nos irmãos o maldizer. Ser um irmão e irmã é ser portadores de paz, do amor e do bem. No lugar da maldição colocar a bênção.  
                                                               
Francisco de Assis, diz na Regra Não-Bulada, Capítulo XII: “Portanto, acautelemo-nos, irmãos todos, de toda soberba e vanglória, e guardemo-nos da sabedoria deste mundo e da prudência da carne, pois o espírito da carne quer e se esforça muito por ter as palavras, mas pouco por fazer as obras, e procura não a religião e a santidade interior do espírito, mas quer e deseja ter a religião e santidade que aparecem exteriormente aos homens. E estes são aqueles de quem diz o Senhor: “Em verdade vos digo, já recebera a sua recompensa”. O Espírito do Senhor, porém, quer que a carne seja mortificada e desprezada, vil e abjeta. E procura a humildade, a paciência e a pura e simples e verdadeira paz de espírito. E deseja sempre e, acima de tudo, o divino temor, a divina sabedoria e o divino amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E restituamos todos os bens ao Senhor Deus Altíssimo e Sumo Bem, e reconheçamos que todos os bens são  Dele e por tudo demos graças a Ele, de quem procedem todos os bens. E o mesmo Altíssimo e Sumo Bem, único Deus verdadeiro, os tenha, e lhe sejam restituídos; e Ele receba todas as honras e reverências, todos os louvores e bênçãos, todas as graças e glórias, Ele, de quem é todo bem, o único que é bom. E quando nós virmos ou ouvirmos dizer ou fazer mal ou blasfemar contra Deus, nós bendigamos, façamos o bem e louvemos a Deus, que é bendito pelos séculos”.

Continua

terça-feira, 25 de agosto de 2015

FRANCISCO E O ESPÍRITO DO SENHOR


Francisco de Assis não somente fala do Espírito do Senhor e de seu santo modo de operar, mas mergulha nesta experiência vendo, sentindo, percebendo com toda a sua sensibilidade este Espírito que a tudo e a todos dá a vida. Isto traz a Francisco o querer bem, o querer fazer bem, o querer fazer o bem. É a fonte de seu louvor e de sua bênção. Deus é grande, único, o que faz as coisas bem feitas porque é o Bem e o Sumo Bem, o Benfeitor! Une o bem, a paz e a reconciliação. Francisco é muito sensível à paz. Este seu espírito de paz é sentir-se filho do Pai Comum e irmão de todos os que estão na Casa Comum. Não está contra nada, nem sequer contra o fogo que queimou sua face cauterizando a sua insuportável dor. Não está contra o ladrão que entrou em sua casa. Nunca esteve contra os que o consideraram louco.

Francisco de Assis é contra o espírito do mal, o demônio que se apega a materialidade, ao egoísmo, a  ganância e acúmulo de bens. Porém combate isto, em primeiro lugar em si mesmo. O excesso de egoísmo é seu inimigo principal e número um. Não dá para ser pobre sendo egoísta. Ser pobre é ter a coragem de repartir e receber. Com este seu jeito pacífico e reconciliado está bem entre pobres e ricos, entre sacerdotes e leigos, entre letrados e simples, no Evangelho e na Igreja, entre homens e mulheres, entre cristãos e não cristãos, entre os santos e pecadores; une carisma e instituição, o Papa e os Bispos, sacerdotes e monges, amigos e inimigos, plantas e criaturas todas, porque o Espírito do Senhor habita a todos. Para Ele, Deus é Uno e Trino, e quem se associa a Ele se faz Um e Comum com Ele.

Continua

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O AMIGO É SEMPRE UM RECOMEÇO


Em Francisco o ser amigo está em consonância com o Espírito de Deus e de Jesus Cristo. Tratar com fineza cada ser é reconhecer esta presença sagrada em si, nos irmãos e irmãs e em todo ser criado. Para Francisco tudo é animado e possuído por Deus e não pelo espírito do mal ou da carne. Para ele, o espírito da carne é toda forma de egoísmo, orgulho, inveja, blasfêmia, dureza de palavras e insensibilidade. Estas formas de egoísmo espiritual ou corporal estão em contradição com a pureza de coração, espírito e corpo, com o Espírito da verdade e do amor, com a simplicidade, com o serviço pleno a Deus, a humanidade e a criação.

Quem entra no Espírito Amigo do Senhor, estará sempre num amor renovado e na bondade nova. Diz 1Cel 103: “Mas, embora o glorioso pai já estivesse consumado na graça diante de Deus e brilhasse com obras santas entre os homens deste mundo, no entanto, pensava sempre em começar as coisas mais perfeitas e, como cavaleiro instruidíssimo nos acampamentos de Deus, depois de ter provocado o adversário, procurava instigá-lo a novos combates. Tendo o Cristo como guia, propunha fazer grandes coisas e, enfraquecidos os membros e já quase morto o corpo, espera o triunfo sobre o inimigo em nova batalha. Pois a virtude verdadeira desconhece o fim do tempo, quando a expectativa da recompensa é eterna. Abrasava-se, por conseguinte, em desejo muito grande de voltar aos primórdios da humildade e, alegrando-se na esperança diante da imensidade do amor, pensava em levar de novo seu corpo à primeira servidão, embora já tivesse chegado ao extremo. Afastava totalmente de si os obstáculos de todos os cuidados e abstinha-se plenamente do estrépito de todas as preocupações. E quando por necessidade moderava o primitivo rigor por causa de sua enfermidade, dizia: “Comecemos, irmãos, a servir ao Senhor, porque até agora apenas pouco ou nada fizemos!”

Temos aqui a operação do Espírito que dá a vida, que é amor, fogo, vento, água corrente, sempre em movimento vivente. “Vede faço novas todas as coisas!” Assim devemos pensar como Francisco e precisar do amigo Francisco quando cremos que já chegamos, que já estamos prontos, que já podemos descansar, que sorrindo, fazemos algo de bom sem exigir mais... É preciso recomeçar! O amigo é sempre um recomeço.

Continua

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

DISCÍPULOS E APÓSTOLOS



Jesus não tinha servos, mas amigos. Aos amigos ensinou a ser discípulos e apóstolos. Segredou grandes ensinamentos que os levou a grandes práticas. Francisco viu virtudes nos amigos e disse que a soma de virtudes dos amigos identificava o frade perfeito (Cfr. Espelho da Perfeição, 85). Amigo para Francisco é fonte de todo bem, de toda palavra boa. Do Espírito do Senhor é que os amigos bebem no mesmo manancial, na fonte do amor mútuo, terno, paterno e materno. Amigo converte em vida a palavra. Amigo tem aquele jeito de ser pobre em muitas partilhas. É o terreno fértil da minoridade, onde aprendeu a florir irmandade vivificada, livre de egoísmo, que se reparte aos outros e a toda criação. O amigo não conhece o espírito da carne que é o egoísmo, mas sim o dom da pertença que é a fraternidade.

Continua

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

FRANCISCO E AS QUALIDADES DE UM AMIGO

Para Francisco, relacionar-se é experimentar o relacional e o criacional de Deus. A partir do amor de Deus e para com Deus convergem todas as relações. Relacionar-se é participar respeitosamente da vida dada por Deus, não invadir ou manipular. Deus é amigo e parceiro porque dá a vida, participa da vida, une humano e criação, perfeição e redenção, beatitude. Deus é o Bem, Sumo Bem, Todo Bem. Amizade é Bondade. Por isso, escreveu um bilhete para seu maior amigo, Frei Leão, mostrando como é estar junto:

“Vós sois santo, Senhor Deus único, que fazeis maravilhas. Vós sois forte, vós sois grande, vós sois altíssimo, vós sois o rei onipotente, vós, ó Pai santo, o rei do céu e da terra. Vós sois trino e uno, Senhor Deus dos deuses, vós sois o bem, todo o bem, o sumo bem, Senhor Deus vivo e verdadeiro. Vós sois amor, caridade; vós sois sabedoria, vós sois humildade, vós sois paciência, vós sois beleza, vós sois mansidão, vós sois segurança, vós sois quietude, vós sois regozijo, vós sois nossa esperança e alegria, vós sois justiça, vós sois temperança, vós sois toda a nossa riqueza até a saciedade. Vós sois a beleza, vós sois a mansidão, vós sois o protetor, vós sois guarda e defensor nosso; vós sois fortaleza, vós sois refrigério. Vós sois nossa esperança, vós sois nossa fé, vós sois nossa caridade, vós sois toda a nossa doçura, vós sois nossa vida eterna: grande e admirável Senhor, Deus onipotente, misericordioso e Salvador”.

 Francisco passa as qualidades do Amigo num bilhete para seu amigo Leão. Aprendamos com ele!

Continua

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A ARTE DA FRATERNIDADE



Francisco amou tudo e todos sem cobranças, sem interferências, deixando cada um ser em seus dons, valores e virtudes. Jamais oprimiu alguém e consequentemente jamais oprimiu a criação. Hoje quem não sabe ter amizade, mesmo sendo o rei da criação, trata todo o ser criado como um tirano. Ainda que se fale tanto da técnica crescente, do refinamento da cultura, de tanta organização, socialização e globalização; mesmo assim há pessoas desamparadas, alijadas e alienadas de todos.

Os grupo vitais estão fragmentados: família, parentesco e círculos de amigos. Existem amizades pessoais? Sim! Mas elas estão muito fechadas, porque a partilha de uma forte amizade pessoal pode detonar competitividade e comparações, como se houvesse uma invasão de espaço. Francisco abriu e ampliou o círculo de suas relações; fez a arte da fraternidade, amou de um modo pleno, com toda a sua alma.

Para ele, a pessoa humana é percebida e buscada, e isso amplia a sua consciência de mundo. Hoje é a técnica que faz um suporte para um “faz de conta” em ser amigo: facebook, WhatsApp fingem ser relacionamentos, mas são palavras mecanizadas. Francisco rompeu com tudo isto. Porque ama Clara, Rufino, Leão, Ângelo e Jacoba de Settesoli, pode alongar um futuro relacional sem tamanho, e chega verdadeiramente à realidade, sem abandonar nada e ninguém.  O caminho percorrido por Francisco foi de corpo a corpo. Assim chegou à totalidade.

Continua