segunda-feira, 28 de julho de 2014

BELOS PENSAMENTOS DAS FONTES FRANCISCANAS - 11


“Certo dia, em que o homem de Deus andava pregando, encontrou um pobrezinho na rua. Vendo sua nudez, ficou compungido e disse a seu companheiro: “A miséria desse homem nos cobriu de vergonha e repreendeu fortemente nossa pobreza.” O companheiro respondeu: “Por que irmão?” E o santo, lamentando-se: “Escolhi a pobreza como minha senhora e minhas riquezas, e elas está brilhando mais nesse homem. Ou não saber que por todo mundo correu nossa fama de pobres por amor a Cristo? Mas esse pobre está provando que isso não é verdade.” (2Celano 51,84)


“Brilhava como uma estrela que fulge na escuridão da noite e como aurora que se estende sobre as trevas. Dessa maneira, dentro de pouco tempo, tinha sido completamente mudada a aparência da região, que parecia por toda a parte mais alegre, livre da antiga fealdade. Desapareceu a primitiva aridez e brotou a messe no campo áspero. Até a vinha inculta se cobriu de renovos que espalham o perfume do Senhor e, dando flores de suavidade, carregou-se de frutos de honra e honestidade.” (1Celano 15,37)  

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quarta-feira, 23 de julho de 2014

BELOS PENSAMENTOS DAS FONTES FRANCISCANAS - 10



“Outra coisa não desejemos, nem queiramos, nem nos agrade, nem nos alegre senão o nosso Criador e Redentor o Salvador, o único e verdadeiro Deus, que é o bem pleno, o bem todo, o bem inteiro, o sumo e verdadeiro bem, que só ele é Bom, carinhoso e meigo, suave e doce, que só Ele é santo, justo verdadeiro e reto, só Ele é benigno, inocente e puro; dele, por ele e nele é todo perdão, toda graça, toda glória de todos os penitentes e juntos no céu. Nada pois nos impeça, nos separe, se nos interponha". (Regra Não Bulada 23, 27-31)


“Em toda parte, em qualquer lugar, a toda hora e tempo, diária e continuamente, creiamos sincera e humildemente, retenhamos no coração e amemos, sirvamos, louvemos e bendigamos, glorifiquemos e sobre-exaltemos, magnifiquemos e rendamos graças ao altíssimo e Sumo Deus eterno, trino e uno, Pai, Filho e Espírito Santo, Criador de tudo que existe, Salvador dos que nele creem e esperam e o amam, que não teve princípio nem terá fim, imutável, invisível, inenarrável, glorioso, sobre-exaltado, sublime, excelso, suave, amável, cheio de delícias e sempre inteiramente desejável acima de todas as coisas por toda eternidade". (Regra Não Bulada 23, 32-34)

“E eu trabalhava com minhas mães e quero trabalhar. E quero firmemente que todos os outros irmãos se ocupem num trabalho honesto. E o que não souberem trabalhar o aprendam, não por interesse de receber o salário do trabalho mas por causa do bom exemplo e para afastar a ociosidade. E se acaso não nos pagarem pelo trabalho vamos recorrer à mesa do Senhor e pedir esmola de porta em porta". (Testamento 19)


Pintura de Guido Cagnacci, "Francisco em Oração"

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segunda-feira, 14 de julho de 2014

BELOS PENSAMENTOS DAS FONTES FRANCISCANAS - 9

“Dirigiu-se (Francisco) alegremente aos irmão, dizendo: “Confortai-vos, caríssimos, e alegrai-vos no Senhor, nem vos entristeçais por parecerdes poucos, nem vos desanime a minha simplicidade ou a vossa, porque, como o Senhor me mostrou na verdade, Deus nos vai fazer crescer como a maior das multidões e nos espalhar até os confins da terra. Para vosso maior proveito, sou obrigado a contar o que vi. Preferiria calar se a caridade não me obrigasse a contá-lo. Vi uma enorme multidão de homens vindo a nós e querendo viver conosco este gênero de vida e esta Regra de santa religião... Entretanto, como vos disse, o Senhor fará de nós um grande povo.” (1Celano 27-28)


“Na ausência do pai, mesmo ficando sozinho em casa para comer somente com a mãe, enchia a mesa de pães, como se estivesse preparando a refeição para família toda. Quando a mãe lhe perguntava por que punha tantos pães à mesa, respondia que fazia isso para dá-los aos pobres, porque havia prometido dar esmolas a todos que a pedissem por amor de Deus. A mão que o amava mais que a todos os outros filhos, permitia-lhe que assim agisse, observando tudo o que fazia e muito se admirava em seu coração...” (Legenda dos Três Companheiros 3,9)

“Certo dia, estando a orar com mais fervor, ouviu a seguinte resposta: “Francisco, se quiseres conhecer a minha vontade, deverás desprezar e odiar tudo o que carnalmente amaste e desejaste possuir. Depois começardes a fazer assim, as coisas  que antes te pareciam suaves e doces serão para ti insuportáveis e amargas, e, de outra parte, das que te causavam horror, poderás haurir uma grande doçura e uma suavidade imensa.” (Legenda dos Três Companheiros 4,11)

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terça-feira, 8 de julho de 2014

BELOS PENSAMENTOS DAS FONTES FRANCISCANAS - 8


“Compenetrado dessas verdade, jamais desprezava por negligencia qualquer visita do Espírito; mas ao contrario, sempre que elas se apresentavam, seguia-as cuidadosamente e, enquanto duravam, procurava gozar da doçura que lhe comunicavam. Por isso, se estivesse caminhando e sentisse movimentos do Espírito divino, parava um momento, deixando passar os companheiros, para gozar mais intensamente da nova inspiração e não receber em vão a graça celeste.” (Legenda Maior 10,2)


“E o homem de Deus, estando só e em paz, fazia ecoar os bosques com seus gemidos, regava o chão com suas lágrimas, batia no peito e como se sentisse oculto bem abrigado na câmara mais secreta do palácio, falava a seu Senhor, respondia a seu Juiz, suplicava ao Pai, entretinha-se com o Amigo. Aí também muitas vezes seus irmãos que observavam piamente ouviram-no interceder com repetidas súplicas diante da divina clemência em favor dos pecadores e chorar em altas vozes como se estivesse presenciando a dolorosa paixão do Senhor.” (Legenda Maior 10,4)

“Em qualquer lugar onde houvesse uma igreja, mesmo que não estivessem presentes (os frades), contanto que a pudessem ver de longe, prostravam-se por terra na sua direção e, inclinados de corpo e alma, adoravam o Todo-Poderoso, dizendo: “Nós vos adoramos, ó Cristo, em todas as vossas igrejas”, como lhes ensinara o santo pai. E, o que não é menor para se admirar, onde quer que vissem uma cruz ou seu sinal, no chão, numa parede, nas árvores ou nas cercas do caminho persignavam-se (1Celano 17,45)


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quarta-feira, 2 de julho de 2014

BELOS PENSAMENTOS DAS FONTES FRANCISCANAS - 7

“Empregava todo o seu tempo nessa ocupação (oração), para gravar a sabedoria em seu coração, porque, se não estivesse sempre progredindo, achava que estava regredindo. Quando era impedido por visitas seculares ou por outros assuntos, interrompia-os antes do fim e voltava para o retiro. Para ele, que se alimentava da doçura celeste, o mundo era insípido. As delícias celestiais tinham-no tornado incapaz de suportar as coisas grosseiras dos homens. Procurava sempre um lugar onde pudesse entregar a Deus não só o espírito mas todo seu corpo. Quando estava em lugares públicos e era visitado de repente pelo Senhor, para não ficar sem cela, fazia um pequeno abrigo com seu própria capa. Às vezes, quando estava sem capa, para não perder o maná escondido, cobria o rosto com as mangas.” (2Celano 61,94


“Quem poderá exprimir a caridade ardente que abrasava o coração de Francisco? Parecia inteiramente devorado como um carvão ardente, pelas chamas do amor de Deus. Logo que ouvia falar do amor do Senhor, ele se empolgava, ficava comovido, inflamado, como se a voz que ressoava externamente fosse um arco a fazer vibrar internamente as cordas do seu coração.” (Legenda Maior 9,1)

“A oração era também uma defesa, pois persistindo nela, fugia de confiar em suas próprias capacidades, punha toda a sua confiança na bondade divina, lançando no Senhor os seus cuidados. Sobre todas as coisas, dizia, deve o irmão desejar a graça da oração e incitava os seus irmãos por todas as maneiras possíveis a praticá-la zelosamente, convencido de que ninguém progride no serviço de Deus sem ela.” (Legenda Maior 10,1)



Imagem de El Greco

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