quinta-feira, 22 de maio de 2014

PORQUE SOU LIVRE, SOU RESPONSÁVEL - Final


Ser uma presença de ação forte e simbólica: cultivo de identidade que se apresenta e fala. A ação simbólica tem consequências políticas. Apresente-se! O que não tem visibilidade não existe.  Indivíduo se esconde em cópias. Sujeito é presença e diferença muito original.  A humanidade precisa de uma sadia originalidade.

Seja uma identidade plena e não vazia. Hoje há uma extrojeção compulsória de uma identidade vazia. É o Big Brother Brasil e sua gritante audiência. É a morte da naturalidade, da sensualidade, da banalização das convivências. Não somos andróides  feitos para copular sob edredons. Isto embrutece os espíritos que sonham ser sadios.

Seja um serviço voltado para as minorias ameaçadas. Ir onde ninguém quer ir, fazer o que ninguém quer fazer. Isto uma identidade de ser, o modo de ser  franciscano tem coragem de pegar.

Seja louco e casto como Francisco! Ser casto é dizer: é possível ser humano transparente,  responsável e livre sem este circo todo!

Tenha consciência dos valores que carrega. Formação é confiar em quem constrói subjetividades fortes e não em indivíduos feitos bichinhos medrosos e  acuados.

O capitalismo vive de pessoas que estão devendo, prende as pessoas que estão comprometidas com contas a pagar. O jeito franciscano vive de pessoas que são livres e não são superadas, porque continuam a ser promessa de Realização Humana. É uma força que nos ajuda a resistir!

Paz e Bem!
Vitório Mazzuco OFM

terça-feira, 20 de maio de 2014

PORQUE SOU LIVRE, SOU RESPONSÁVEL - VII


Que  experiências significativas estou oferecendo ao mundo? Que força reparto, com que Força eu vou? Se tiver comigo duas ou três pessoas que querem a mesma coisa: transformo  e  transformamos o mundo!

Com que ousadia  enfrento o domínio do poder. O poder corrompe até os bons. Como administro o sombrio que acompanha a vida? Quantas pessoas são para nós um pedacinho de sombras. Onde faço valer a minha luz? Não tenha medo de perseguições, porque luzes mais brilhantes são para serem apagadas mais cedo.

No oceano da vida como estou fazendo a minha travessia? Vivemos embarcados em projetos; há momentos que estes projetos podem naufragar, mas a vida continua. Tenho que dar continuidade à vida!

Na experiência religiosa do mundo e das pessoas, onde está Deus? Deus está muito na religião das pessoas, mas não aceite o poder da religião,  que para mostrar a glória de Deus diz que você não vale nada. Não acredite numa religião que joga Deus contra o humano. Isto é pedagogia religiosa, mas não é espiritualidade. Tem muita gente se arvorando em santidade, mas não tem nada de humanidade. Não adianta ser santo enquanto o mundo vai à breca. Indivíduo é um burguês espiritual. Sujeito é profecia.

Produza uma cultura de originalidade e não de clones. Seja político de um modo verdadeiro, no verdadeiro sentido da política: arranjo existencial para o bem comum, capaz de sacrifício em vista do bem comum.  A politica não é tudo, mas tudo tem uma dimensão política. A classe política nos representa sim: nós a colocamos lá através da nossa covardia e alienação. O sujeito ama e pensa o social na medida do amor; não herda uma política, mas sim a conquista.

continua...

sexta-feira, 16 de maio de 2014

PORQUE SOU LIVRE, SOU RESPONSÁVEL - VI


Ser responsável é dar-se por inteiro. Quando você entrega-se por inteiro não sobra nada. Você não é uma migalha. Quando damos tudo ficamos totalmente livres; por isso responsabilidade e liberdade não se separam.

SPONS é união profunda e duradoura. É corresponder continuamente a um compromisso assumido. Não perder de vista que o laço que se quer assumir é a transformação da vida e da história por Amor. SPONS é encantamento! Sem encantamento não conseguimos viver.

É a responsabilidade de criar uma Nova Identidade: tempo de transformação! SER SUJEITOS LIVRES E RESPONSÁVEIS! O que isto significa? Ser fiéis ao que se acredita sem a mediação do mercado. O capital não tem pátria e nem fidelidade.  O mercado roubou a alma da religião e fez dela a sua alma, por isso a nossa sociedade está encharcada de religião sem alma. Ser responsável e ser um  agente de mudanças significa: vou entrar numa forte Espiritualidade! Não posso perder o Sagrado que existe em mim!

A empresa não pode sufocar a minha libido. Eu amo e isto é tudo! Faço tudo por amor e não quero que nenhum sistema me faça mal, que o sistema me adoeça. Vou usar bem o meu tempo e não deixar que ele faça um embotamento das experiências. Não quero descartabilidade nas relações. Não quero um envelhecimento precoce. Não quero ser uma mercadoria que vem com prazo de validade. Quero uma lógica solidária: ninguém pode ficar esquecido ou ficar para trás. Quero viver em comunhão e não em solidão. Comunhão é um nível mais profundo de Fraternidade.

Que São Francisco de Assis não seja apenas um gosto estético, mas sim um provocador da minha vida. Ele dizia: “Muito deve ser amado o Amor daquele que muito nos amou!” (2Cel 196). Ele nos ensinou que o cristianismo não é apenas uma coleção de verdades que eu tenho que aprender, mas é um caminho de Amor que tenho que fazer com responsabilidade. Que preciso viver com enamoramento. Não existe vida humana possível sem encantamento. Não existe sujeito que não seja cruzamento de muitos caminhos. Francisco é uma paragem onde a humanidade se encontra nos cruzamentos de seus caminhos. Francisco nos ensinou que a nossa vida deve ser um único gesto de Amor multiplicado no tempo. Como Francisco de Assis temos que ser facilitadores de encontro com a humanidade. Vamos facilitar para a humanidade também um encontro com Francisco e Clara de Assis. Podem sair muitas respostas daí. Temos que colocar nas mãos e nos corações das pessoas um encontro com subjetividades fortes. O máximo e o melhor do humano é o que mais  revela a face de Deus. O ser franciscano é uma proposta de ser que seduz e cativa a humanidade. Ser franciscano é reforçar identidades!

Continua

terça-feira, 13 de maio de 2014

PORQUE SOU LIVRE, SOU RESPONSÁVEL - V

O indivíduo se identifica com o dono da empresa, arrumadinho e com muito tempo para decidir o tempo dos outros. O sujeito não acelera a vida, está na multidão sem dissolver as diferenças. O indivíduo se esconde na casa e vive com seus hábitos mentais. O sujeito sai da casa para o mundo; faz e relata eventos em que guarda a memória dos fatos. O indivíduo tem a identidade da máquina. O sujeito sabe que só é possível a identidade quando guarda a memória das coisas grandiosas dentro do próprio coração. O indivíduo é programado para esquecer. Quem não cultiva a memória não tem mais raízes. Nós vivemos hoje numa produção de esquecimento. O sujeito recorda. O indivíduo é tempo produtivo; o sujeito é tempo celebrativo. O indivíduo abração mercado que não dá nada de graça e paga caro para vestir-se de grife. O sujeito abraça o dom de existir na gratuidade. O individuo é medroso e inseguro e por isso precisa de esquemas autoritários. O sujeito é livre em meio a pesadas estruturas.

E o que é ser responsável? Na raiz da palavra responsabilidade está o latim “SPONS” que significa: ASSUMIR EM VISTA DE UMA PROFUNDA UNIÃO! É um esponsal com a vida. Casar com os projetos; casar com as verdadeiras escolhas. Casar com aquilo que está em minha alma. Amar a fonte e a raiz e encontrar-se com elas. Sem a fonte e a raiz não somos nada. Isto está na base de todos os pactos, de todos os compromissos, de todas as alianças. De SPONS vem resposta e responsabilidade. Na Idade Média isto era: “Tuum semper videns principium” = ver sempre o teu princípio. É o “Não perca de vista seu ponto de partida”, de Clara de Assis.

Continua

sexta-feira, 9 de maio de 2014

PORQUE SOU LIVRE, SOU RESPONSÁVEL - IV


Ser livre é ser simples. É guardar a força e a visão da decisão, da compaixão, pelo caminho da cordialidade e da simplicidade. O coração é o ser humano inteiro. O simples é inteiro. O complicado aumenta suportes. Francisco saiu da tutela da casa de seu pai porque não queria produzir riquezas, queria produzir sonhos de uma vida mais simples e livre.

Ser livre é deixar de ser indivíduo para voltar a ser sujeito. Indivíduo não é a mesma coisa que sujeito. O mundo hoje cria um indivíduo com a obrigação de produzir, mas anula o sujeito que poderia decidir com mais criatividade. O mundo mercantilizado de hoje promete o sujeito, mas produz o indivíduo. O indivíduo é isolado. É mais um na multidão. Não tem nenhum diferencial. É boi na boiada. É apaixonado por si mesmo ou pelo patrão. O sujeito é mais forte. Não é sozinho. É apaixonado por projetos. Tem a consciência de que é um agente de transformação. Faz a diferença. Tem a consciência de que é um sujeito histórico, a sua vida é uma missão de Ser, um tornar-se, uma promessa, uma chance de ser a mais.

Como enfrentar um panorama com tanta individualidade e poucos sujeitos? O indivíduo é escravo da tecnologia. O sujeito olha a realidade. O individuo ama e usa o objeto. O sujeito convive com as coisas. O indivíduo dessacraliza o real; o sujeito sabe da vida e constrói o seu saber pela observação do real. O indivíduo morre e envelhece a partir do momento que tem medo. O sujeito vive superando os medos e abrindo um caminho de esperança.

Continua

segunda-feira, 5 de maio de 2014

PORQUE SOU LIVRE, SOU RESPONSÁVEL - III



Ser livre é libertar-se da tutela do poder político que perdeu a moral, a ética e a credibilidade, porque o poder político é o primeiro a se corromper pelo capital. A política é serva do capital. Ser livre diante do excesso de leis e direitos que querem ser a base para recompensar ou punir.

Ser livre é não delegar a nossa vida à condução das tutelas. Temos que ter mais coragem de usar a própria razão, desde que ela seja bem formada. Os sonhos ainda valem muito! Como eu faço para formar olhos bons para ver a vida de um modo bom? Como eu faço para viver melhor? Como transformar o acúmulo de informações em sabedoria? Como sair da covardia de ser, que é confundida como obediência?

Ser livre é abraçar  a causa proposta pelo  lugar onde trabalho. A Herança Franciscana ajuda a pensar uma existência franciscana no mundo. É trabalhar em comum. Nós precisamos da força fraterna para nos achar. Precisamos da força de muitos para reconstruir a transformação da intimidade e da subjetividade. Em que consiste em ser humano? É a decisão de ser melhor entre os melhores, de ser mais em meio à mediocridade. É uma decisão de moldar uma nova identidade. Toda decisão tem uma cisão, comporta uma ruptura. Francisco de Assis disse que isso é conversão: mudar de mentalidade e mudar de lugar.

Neste sentido vamos aprender com Francisco de Assis. Nós fazemos cálculos, ele fazia sonhos. Nós fazemos terapias, ele fazia estrada e abria caminhos.  Nós não abraçamos muito o passado, mas ele é um medieval que permanece como uma eterna provocação para Ser. Temos que confrontá-lo como modelo necessário, e não apenas usar o seu estereótipo. O moderno recicla o medieval e vende segundo o seu interesse. Não dá para vender Francisco, porque ele rompeu com isto. Ele vai estar sempre cutucando as nossas estruturas.

Continua