segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A MÍSTICA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS - 2


1- O QUE É MÍSTICA?

O século XX trouxe novamente à luz o debate sobre a mística que gerou uma nova teologia mística, fundamentada sobre o princípio que a experiência mística é um fenômeno universal. Karl Rahner é um dos eminentes teólogos que elaborou uma sistematização teórica da nova teologia mística através da sua teologia transcendental. No campo da Teologia Mística Franciscana, é o teólogo coreano Ghye-Young Paolo Ko, frade da Ordem dos Frades Menores. Estes dois teólogos destacam a verdade que o ser humano, como um mistério, se orienta para o mistério divino a ponto de vir a ser, em sua identidade, o homo mysticus.

Rahner afirma que o cristão de amanhã, ou será um místico, ou não será um cristão. Que o século XXI será o século do Espírito ou não será século. Paolo Ko, como uma profecia teológica, resgata a atualidade da teologia cósmica-universal de Francisco de Assis e sua influência na nova teologia mística.

Mas vamos retomar a pergunta inicial deste ponto: O que é mística? O termo MÍSTICA, como substantivo, provém do adjetivo MISTIKÓS, derivados do verbo MÚEIN que quer dizer: fechar os olhos e a boca. Olhos fechados para enxergar somente o segredo, e a boca para não se revelar, a não ser no momento ou à pessoa certa.

Deste verbo grego MÚEIN deriva o substantivo MISTÉRIO, que designa, no sentido helenístico: o rito religioso secreto de iniciação que coloca em contato o ser humano com a divindade. Na Teologia Espiritual do Novo Testamento, o termo MISTÉRION é usado para elucidar a compreensão do mistério do Reino de Deus, a sabedoria escondida do Pai, a presença do Filho no mistério da Encarnação, o destino final da caminhada terrena e a relação mística entre Jesus Cristo e a Igreja. Na Vulgata, o termo é traduzido como MISTERIUM ou SACRAMENTUM. Nos primeiros séculos do cristianismo, a palavra não é apenas uma identidade lexical, mas realidade teológica.

Continua

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A MÍSTICA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS - Introdução


Cada um esteja lá, no seu CENTRO, no seu NÚCLEO INTERIOR... e de lá VENHA!


INTRODUÇÃO AO TEMA

Estamos vivendo um grande momento de visualização da proclamação da sede do divino. Seria uma reação contra o esvaziamento religioso-espiritual da passagem dos tempos modernos? Uma revanche do sagrado sobre a cultura profana? O certo é que estamos vivendo um forte momento de um movimento psico-místico-paracientífico-espiritual-terapêutico. Alguns falam da necessidade de uma cura interior. Outros sonham com a volta da garantia aos filhos da terra, de um lugar privilegiado sob o olhar misterioso da Divindade.

Estamos vivendo também um tempo de uma onda mística que reflete forte dose compensatória de carência existencial. Mas a mística não é uma experiência espiritual que pertence a uma elite espiritual, mas é uma experiência aplicável à toda humanidade no seu dia a dia.

A MÍSTICA É A UNIÃO AMOROSA COM O MISTÉRIO ATRAVÉS DA CONTEMPLAÇÃO DO MISTÉRIO.

1- O mistério como objeto da mística
2- A contemplação como método da mística
3- A união amorosa como finalidade da mística

O curso em questão tem como tema A MÍSTICA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS (1181/1182-1226), uma testemunha eloquente que viveu uma PROFUNDA MÍSTICA DE DEUS. Sem dúvida, o Santos de Assis, é um dos grandes místicos da história do cristianismo. Contudo, não deixou nenhum escrito sistemático sobre a sua experiência mística, a sua visão sobre a mística e contemplação, ou o conteúdo e método da sua experiência. Mas isto não impede a possibilidade de buscar a identidade de tal experiência. Cada experiência originária do mistério divino não depende da reflexão verbalizada. São Francisco deixou uma rica fonte de escritos, e a maior parte destes escritos sugiram desta experiência originária do mistério divino.

O Santo de Assis no século XII e nós, hoje no século XXI, precisamos nos encontrar na força iniciática; na busca incessante do mistério divino em todos os detalhes da existência. Há no ar uma convocação para fechar a boca num silêncio que fala; a atitude de recolhimento para colher o essencial; o nascivo do contexto religioso extremo bem ligado ao mistério; a experiência mais interna; a realidade mais transcendente; a vivência de uma causa pela qual vale a pena entregar a própria vida. Uma escuta da voz interior; um ser totalmente envolvido por um projeto; um fenômeno interno do espírito; uma comunhão com o mundo do divino.

O sagrado atrai a criatura
A criatura deixa-se atrair
“Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir!” (Jr 20,7)

Mística... não vamos nos preocupar se temos ou não temos, mas desde já, abrir o nosso coração para encontrar-se com ela. Que o caminho deste Curso seja de entusiasmo, isto é, daqueles que tem um Deus dentro. Sempre quando somos entusiasmados, somos divinos.

Esta é a força contagiante de São Francisco de Assis: ele é naturalmente uma mística fontal em sua natureza mais íntima; e aqui está a sua eterna magia e seu poder de atração.

É preciso ter o faro místico espiritual para sentir o cheiro de Deus que passa. Ter mais perfume na vida.

Continua

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

NUMA ALMA FRANCISCANA, A PRIMAVERA NÃO PODE PASSAR DESPERCEBIDA


Dizem as Fontes a respeito de São Francisco de Assis: “Que alegria ele sentia diante das flores, vendo sua beleza e sentindo seu  perfume! Passava imediatamente a pensar na beleza daquela flor que brotou da raiz de Jessé no tempo esplendoroso da primavera e com seu perfume ressuscitou milhares de mortos. Quando encontrava muitas flores juntas, pregava para elas e as convidava a louvar o Senhor como se fossem racionais. Da mesma maneira,  convidava com muita simplicidade os trigais e as vinhas, as pedras, os bosques e tudo que há de bonito nos campos, as nascentes e tudo o que há de verde nos jardins, a terra e o fogo, o ar e o vento, para que tivessem muito amor e fossem generosamente prestativos. Afinal, chamava todas as criaturas de irmãs, e de uma maneira especial, por ninguém  experimentada, descobria os segredos do coração das criaturas porque na verdade parecia já estar gozando a liberdade gloriosa dos filhos de Deus” (1 Cel 29, 80.81).

“Nas coisas belas reconhecia aquele que é o mais belo, e que todas as coisas boas clamavam: Quem nos fez é ótimo!” (...) Mandou que o hortelão deixasse sem cavar o terreno ao redor da horta, para que, em seu tempo, o verde das ervas e a beleza das flores pudessem apregoar o formoso Pai de todas as coisas. Mandou reservar um canteiro na horta para as ervas aromáticas e as flores, para que lembrassem a suavidade eterna aos que as olhassem” ( 2Cel 124, 165).

“Costumava dizer ao irmão que tomava conta do jardim que não ocupasse todo o terreno com legumes, mas reservasse uma parte para as árvores que, em seu tempo, produzem nossas irmãs flores, por amor para com aquele que disse: “As flores dos campos e os lírios dos vales” ( SP 118).

“Louvado sejas, meu Senhor, por nossa Irmã e Mãe Terra, que nos sustenta e governa, e produz diversos frutos, e coloridas flores e ervas” ( Cântico das Criaturas)

Francisco não leu antologias poéticas, mas simplesmente amou profundamente a Natureza! Ele é Santo da Eterna Primavera! O Santo que percebia que as flores combinam explodir todas ao mesmo tempo para revelar a Onipotência de Deus, tão assim Belo, Poderoso e Simples! Em Francisco, o espírito que fraterniza é o espírito que personaliza, que vê, sente, cheira e colhe. Dos detalhes pequenos aos grandiosos, para Francisco de Assis a vida é uma revelação sagrada. É como diz o poeta Paulo Leminski:

                                   “Quem me dera
                                    Até para a flor no vaso
                                    Um dia chega a primavera”

Para Francisco, o tempo, a hora, as estações são tempo de louvor. E Manoel de Barros confirma: “Os girassóis têm o dom de auroras”

Por isso, com São Francisco vamos celebrar a Primavera fazendo da vida uma bela celebração! Deus cuida de nós no nascivo de cada dia!

Feliz Primavera na Paz e no Bem!

Obs.: Foto tirada por Frei Régis Daher na Fraternidade de Bragança na manhã deste dia 20 de setembro depois das chuvas do dia anterior. É uma Primavera, planta genuinamente brasileira. Ela tornou-se conhecida e muito popular mundialmente após ter sido coletada por Louis Antoine de Bougainville, almirante francês que navegou em volta do mundo no século 18. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

NOVOS DESAFIOS PARA UM VELHO TEMA: A FORMAÇÃO FRANCISCANA - CONCLUSÃO



  Na Formação Franciscana é preciso viver um CAMINHO como um PROCESSO. Não é viver de programas e normas estáticas, mas uma NOVIDADE CRIATIVA. A Vida tem que se transformar no ALGO MAIS do Seguimento. Formação é sempre um salto qualitativo no ideal que abraçamos. No final de cada etapa perguntar: eu mudei? Eu cresci como pessoa?

Faz parte do Caminho dos Convertidos. Não há conversão pronta, pontual, acabada, mas sim um processo de RE-ORIENTAÇÃO DA VIDA!

 Que seja uma Formação Franciscana que cresça sempre perguntando: Onde estamos? Para onde queremos ir? Onde queremos chegar como Fraternidade? Que Fraternidade queremos? Como liberar o dinamismo adormecido nas Fraternidades? Não podemos ajuntar as experiências, trocar mais idéias sobre a FF? Que modelos temos nas Entidades, nos Grupos, nas Fraternidades? Que passos damos do real para o ideal? Que meios e recursos usamos para chegar à uma boa Formação Franciscana? Com estes questionamentos podemos chegar a uma iluminação de nossas práticas formadoras. Um consenso partilhado. Avaliar sempre!

Precisamos ouvir e perceber mais os fenômenos internos, os modelos vivos que temos em nossa caminhada.

Descobrir mais PRIORIDADES na formação e investir aí, prioridades de compromissos. Fazer algo mais; fazer algo melhor.

 Aplicar sempre a Formação Franciscana à Vida!

 Trabalhar uma Pedagogia Franciscana. Sabemos a meta, mas não sabemos o como. Mais do que ensinar temos que aprender elaborar pensamentos, conteúdos, questionamentos e respostas. Nós não somos só uma grande bagagem de documentos e livros. Somos um grupo humano que enfrenta o desafio de ser forte e autêntico.

 Formar não é empurrar algo para dentro, mas sim trazer para fora uma identidade que soa em nossa intimidade

 A Formação Franciscana é um caminho para toda a vida. Temos que ter uma disponibilidade ativa e inteligente de quem se deixa formar pela Vida Franciscana e para a Vida em geral, deixando-se moldar por Jesus Cristo, pelo Evangelho, por São Francisco, Santa Clara e pela grande e imensa convivência fraterna. Estes são os verdadeiros autores da Formação! Esta é uma tarefa sempre pendente. Nunca tem fim!

Vamos dar um peso formativo ao nosso dia a dia!

    PAZ E BEM!

Frei Vitório Mazzuco, OFM

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

NOVOS DESAFIOS PARA UM VELHO TEMA: A FORMAÇÃO FRANCISCANA - 5


NOVOS DESAFIOS PARA UM VELHO TEMA: A FORMAÇÃO FRANCISCANA


>> Que ela leve a um confronto com a vida pessoal e comum e não apenas a um confronto com os  textos.

>> A fragmentação pós moderna também atingiu a Formação Franciscana. Cresce o valor da Espiritualidade, mas a multiplicidade de escolhas de outras espiritualidades pode tirar, de certa forma, o foco da espiritualidade escolhida como Forma de Vida.

>> Nas diversas entidades (Ordem, Províncias, Congregações, OFS), a formação tem um programa, nas Fraternidades Locais não.

>> É preciso ter mais consciências que encontros, cursos e retiros são grandes momentos privilegiados da Formação Franciscana. Tudo é Formação Franciscana... mas,  busca-se outras atividades.

>> Que a Formação Franciscana seja um processo de transformação da pessoa. A raiz de toda Formação Franciscana é a transformação. Até então, o centro da Formação Franciscana era (e continuará sendo) o Seguimento; a partir da convocação dos tempos de hoje, a ideia de pessoa muda o conceito da Formação. A modernidade usa a Liberdade como caminho de busca da pessoa. Liberdade é entender-se e realizar-se como pessoa.




>> A Liberdade de não estar tão preso a leis, normas, conceitos e autoridade.

>> A Liberdade para optar por uma escolha grandiosa. A liberdade de confrontar-se com valores que dão consistência à existência. Uma responsabilidade de converter-se em pessoas livres para comprometer-se com valores.

>> A liberdade de sentir-se finito, limitado, pequeno... mas... livre!

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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

NOVOS DESAFIOS PARA UM VELHO TEMA: A FORMAÇÃO FRANCISCANA - 4



2 - RESISTÊNCIAS A UMA FORMAÇÃO INSTITUCIONALIZADA
  
>> Sempre vemos a Formação Franciscana a partir do ponto de vista do outro (a). Formadores (as) marcam a nossa vida para sempre, positivamente ou negativamente. Alguns são feridos do sofrimento do passado. Pode tornar-se uma relação de amor e ódio. Não estou de acordo com suas ideias, mas qual é o meu conceito de formação? Não estou de acordo com sua ideia, mas sou seu irmão (ã).

>> Uns são lógicos, outros são críticos, alguns proféticos, muitos santos. Uns atualizam-se outros não têm abertura para mudanças ou para escutar o diferente.

>> Somos acostumados a medir o sucesso. Na escola, isto é mais fácil; mas como medir o sucesso quando a Formação Franciscana é um processo para toda a vida? Não precisamos medir sucesso, temos é que ser fiéis.

>> Medo de perder a segurança do velho sistema e organização (perder o controle, o poder, o status). Não querer mudar o modo de pensar. Não querer envolver-se como pessoa para não mostrar a própria vulnerabilidade.

>> “Isto eu já sei!”; “Isto eu já conheço!”. Viver num plano superior; já sabe de tudo, vive no andar de cima sem querer conhecer o andar de baixo; sabe muito, mas não consegue entender o que é a Pobreza.

>> A nossa Formação Franciscana corre o risco de ser muito espiritual, muito abstrata. Em São Francisco não era assim, o humano e o mundo emergem com naturalidade. Ele tinha um modo interdisciplinar, isto é, uma visão mais holística da vida; uma FF que leve a um modo amplo de viver. Se o Franciscanismo é a religião da Encarnação (cfr. CBCMF), a Encarnação é holística.

>> Não ter medo da riqueza do grupo, do peso da responsabilidade, da Formação Franciscana imposta, mas ter a coragem de questionar quando a FF é apenas intelectual e cerebral e não vem do coração. Não pode ser teórica informativa, tem que ser experiencial formativa.

* O método tem que envolver toda a pessoa.
* Há muito improviso.
* Falta desejo e sonho.
* Distanciamento entre programa e vida.
* Não se abraça como um dever para toda a vida.
* Interroga-se mais os métodos do que os conteúdos.
* A FF não pode ser apenas o que está na cabeça do Formador (a).

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

NOVOS DESAFIOS PARA UM VELHO TEMA: A FORMAÇÃO FRANCISCANA - 3



>> A Formação Franciscana não é uma atividade em nossa vida; mas é a nossa vida iluminando as nossas atividades. A partir da Formação Franciscana temos que oferecer  um impulso importante.

>> O assunto sempre é atual e sempre retorna quando falamos de Educação, Formação, Animação, Acompanhamento, e nos últimos tempos está surgindo a ideia da Formação Personalizada.

>> Ensinamento e Aprendizado. Passar do Ensinamento (os documentos dizem, os livros dizem, as Fontes dizem, a tradição diz, os estudos dizem, a minha antiga mestra ou mestre disse) para a Aprendizagem (o Discipulado, isto é, não basta ter uma perspectiva religiosa para a vida, escolhi seguir um caminho franciscano e clariano e isto faz a diferença). A passagem do Ensinamento para o Discipulado não é um fácil. Há muita resistência em formar-se. É sentir e assumir uma sabedoria de vida, um conhecimento de um determinado tipo de vida. É permear a vida pelo Evangelho e não apenas passar uma informação técnica. É trabalhar a vida de um modo pleno.

>> O que muita gente hoje chama, por exemplo de Vida Religiosa, é apenas trabalho religioso. Há uma força do fazer e do como fazer, mas nem sempre é nítido o porquê se faz.

>> A Formação Franciscana é um contínuo caminho de Discernimento; uma educação adulta para adultos; que ela possa oferecer elementos de uma pedagogia com valores claramente franciscanos e que ajude a animar a vida cotidiana pessoal e comunitária.

Continua no tema "RESISTÊNCIAS A UMA FORMAÇÃO INSTITUCIONALIZADA"

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

NOVOS DESAFIOS PARA UM VELHO TEMA: A FORMAÇÃO FRANCISCANA - 2


A FORMAÇÃO FRANCISCANA PRECISA INDICAR NOVOS CAMINHOS DE FIDELIDADE CRIATIVA.

   A Formação Franciscana precisa espaço suficiente a todos os caminhos feitos até agora e falar a partir de uma forte experiência. O que ela nos legou foi uma boa biblioteca de documentos. O que mais existe são Documentos dobre a Formação, e mesmo assim, precisamos de uma maior vibração. Corremos o risco de que Mestres (as) da Formação nos preparem para uma vida que não existe.

  Temos belos documentos, mas cada um (a) faz o que quer. A Formação Franciscana está apenas nos cursos e nas cabeças; quando sabemos que a nossa vida muda a partir do coração e do sentimento. Documentos cansam; o repasse verdadeiro de uma experiência atrai.

  Sem a Formação Franciscana não podemos saciar a sede de plenitude, para motivar as diversas etapas de nossa vida. Somente a sede saciada pode ser comunicada. Não podemos anunciar aquilo que as nossas mentes, mãos e corações não possuem e não tocam.

  Temos uma bagagem formativa extraordinária e não podemos ser bloqueados e rígidos; não podemos ocultar as nossas forças, mas libertar as energias do espírito que nos une.

1. ALGUMAS AFIRMAÇÕES SOBRE A FF

  A Formação Franciscana tem que ser boa notícia. Ela é a garantia do modo como vivemos o Evangelho e se não vivermos a radicalidade do Evangelho não seremos boa notícia e não teremos espaço no mundo.

  O Evangelho e a Formação são nossas prioridades. Quero apresentar aqui alguns desafios para a nossa prática formadora. Trabalhei trinta anos na Formação Franciscana, porém, não me sinto um especialista, busco apenas as experiências, e a partir delas quero tecer este bloco de idéias para a nossa reflexão:

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

NOVOS DESAFIOS PARA UM VELHO TEMA: A FORMAÇÃO FRANCISCANA


Agradecer a Deus por nos ter revelado à nossa existência um Dom que nos transforma.

INTRODUÇÃO

Entra ano e sai ano, quando o assunto e a prática é a Formação Franciscana, vemos sempre os mesmos atuando. Mestres (as) permanecem anos em sua função. Isto é preocupante. Por que a FF não atrai? Por que encontramos formadores (as) às vezes cansados e tristes, ou não querendo mais aceitar a função ou dar uma certa continuidade a um Plano de Formação?

A Formação é de todos. A fidelidade ao Carisma é de todos. A criatividade de Francisco e Clara e das Fontes Franciscanas e Clarianas são de todos. Todos participamos desta profecia para o futuro, deste motor de esperança para o futuro. Um apelo para situar nosso Carisma em tempos delicados e desafiadores que estamos vivendo; uma docilidade à Inspiração e Discernimento; uma entrega de tantas vidas que vão construindo uma missão no mundo... Dar a vida é atualizar o Carisma... e porque nem sempre a Formação consegue passar esta força?

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A ESPIRITUALIDADE PRESENTE NO CUIDADO DA SAÚDE - Conclusão


Esta reflexão só tem uma finalidade: revelar o caminho da Inteireza. Quando a pessoa  não é inteira não é feliz!
A alegoria da Carruagem de Fogo com os seus Seis Cavalos de Força é para firmar em nós, num Movimento necessário, os dons, frutos, códigos, empenhos, buscas e projetos que levamos conosco. Uma reflexão pode ser um chicote cutucando a mente, a alma, o corpo... para acordar em nós um pensamento forte com atividades fortes. É assim que conquistaremos uma saúde física, mental e espiritual.

Hoje, estas forças estão transmitindo para nós um ensinamento especial. Despertar a alma é equilibrar e controlar instinto e moral. Todas estas nossas forças lembram que temos uma Espiritualidade que nos move a fazer tudo o que temos que fazer com intuição, imaginação, raciocínio, emoção, sensação e unção.

A Carruagem de Fogo é uma oposição à Carruagem do Drácula com as suas forças do mal, porque o monstro também é forte. Usemos estas forças como uma missão no mundo.  Educar a qualidade pessoal é  ética. Educar para uma transformação é ser um ser evoluído. Educar para a Espiritualidade é Força Divina!


                                                        PAZ E BEM!

                                              Frei Vitório Mazzuco OFM

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A ESPIRITUALIDADE PRESENTE NO CUIDADO DA SAÚDE - 5



3. A SÍNTESE DOS SENTIDOS GERAIS DESTAS FORÇAS

A força da Educação é reencantar os Sentidos da Vida. E o os sentidos da vida não são um só. Vamos perpassar o Sentido da Vida na Síntese que abraça todos os sentidos:

1. O SENTIDO BIOLÓGICO

Somos de uma bela espécie: a Espécie Humana, isto é mais do que Raça. Raça é etnia, é uma questão mais cultural. Espécie é mais forte. Pertencemos a uma Família Humana. O sentido biológico nos leva a perguntar: qual o sentido de existir Homens e Mulheres sobre a terra e que compõem esta maravilhosa espécie? Ou será que também somos uma espécie em extinção?

Temos que sobreviver como Espécie Humana forte, com subjetividades fortes, como reprodução de um tipo humano forte. Saúde é cuidar da Espécie Humana e não apenas tratar doenças. É dizer: “Eu quero viver ao lado da vida! Eu quero dar sentido a este tempo que me é dado ara viver nesta terra! Eu quero prolongar a minha existência nesta terra!”

O sentido biológico é preparar com qualidade a inevitável curva biológica: vida e morte, finito e infinito. Temos que prolongar a nossa finitude!

Eu não existo só para mim, existo para a Vida em seu todo! É o corpo da consciência planetária, você faz parte de uma família cósmica!

2. O SENTIDO SOCIAL

Ser humano é ser relacional. É redescobrir em cada momento o sentido das relações. Na qualidade de nossas relações existe uma revelação. É viver para! Viver para a família, viver para as amizades,  para os grupos humanos.  É sobreviver na sociedade (o que não  significa ser igual a todos). É a corporeidade. Pertencer a um corpo social. É aperfeiçoar  o currículo, a carreira, os negócios, a empresa, o status. Vencer os medos de mudanças. Ter um papel determinante no grupo. É o corpo social! Você faz parte de uma família humana!

Eu não existo só para mim, existo para os outros!

3. O SENTIDO ESPIRITUAL

Nascer para a sua verdadeira identidade:  estar mais ligado ao Ser que nos faz ser! Nascer para a verdadeira individualidade: ser pessoa forte! É o corpo sutil!

Alimentar de alma o seu corpo para fortalece-lo diante doas apelos do mundo. Cuidar do seu centro sagrado, ter contatos com o que é superior. A felicidade está em buscar esta força divina. É fazer transparecer a nossa face sagrada. A nossa esfera espiritual. Isto não tem limite!

É não enterrar os talentos que Deus nos deu. É encontrar e moldar estes talentos e desenvolvê-los, multiplicá-los, ampliar a vida. Cada dia Deus bate à sua porta e diz: “Você é capaz! O que você faz com os talentos que eu lhe dei?”

Você faz parte de uma família espiritual! Por isso é muito importante conviver com grupos de fé e espiritualidade. Isto é essencial para que corpo, mente, alma e coração sejam mais fortes. Não deixe a sua alma sem energia. Um sentido apenas social e profissional pode criar você sem alma, mas o sentido espiritual não!

O biológico passa. O social é mutante. O espiritual é para sempre!

Continua

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A ESPIRITUALIDADE PRESENTE NO CUIDADO DA SAÚDE - 4



2. DEIXAR-SE CONDUZIR PELAS FORÇAS INTERIORES

1. O EMOCIONAL: São as nossas Emoções Luminosas: amor, alegria, realização (favor não confundir com sucesso), felicidade, esperança, fé, ânimo, entusiasmo... e tudo o que quisermos acrescentar nesta lista...

Temos que trabalhar as nossas emoções luminosas para que não sejamos tomados pelas polaridades da vida, pelas contrariedades, pelas Emoções Sombrias: tristeza, angústia, infelicidade, ansiedade, desmotivação, desânimo, impaciência, depressão, a carga de negatividade...e tudo que não podemos acrescentar e que temos de erradicar desta lista...

Não podemos deixar apagar ou decair as Emoções Luminosas, porque elas são as nossas positividades. Hoje há o cultivo do trágico, do sombrio, do negativo. Temos que fazer frente a isso com as nossas melhores emoções. Cada emoção aparecendo num segundo tem que vir para sempre. Não podemos deixar cair a Inspiração da Primeira Hora! É preciso ter o hábito de sentir emoções harmoniosas.

2. O SENTIMENTAL: São as Emoções Luminosas colocadas em comum. Sentimento é diferente da emoção apenas num detalhe:  são as minhas emoções que eu dou para alguém, para o sagrado, para o “eu mesmo”, para um projeto, para uma profissão. É o mandato judaico cristão: “Amar a Deus, ao Próximo, e a Si Mesmo, com toda Alma, com todo Ser, com todo Entendimento”. O Sentimento é a Emoção luminosa que eu ofereço para alguém ou para  uma causa.

3. O  MENTAL : A razão, o intelecto, o ensinamento, o pensamento, o aprendizado, o discipulado. Tudo isso deve levar à compreensão da Existência e instaurar a Consciência , e a consciência leva ao Discernimento: a Purificação da Escolha, isto é, escolher sempre o Melhor e não o banal, o medíocre, o insignificante.

4. O CORPORAL:  É o Físico! O Corpo Ativo e Instintivo. Cuidar do corpo físico, ativo e instintivo. É o equilíbrio da atividade física. Cuidar da Saúde! Saúde não é contrário de patologias, saúde não é cuidar de doenças, mas sim fazer o que o Coração e o Corpo pedem. Saúde é escutar mais o Coração e o Corpo. Dormir bem, comer bem, cuidar do lazer, do descanso, equilibrar as horas de trabalho, não é receituário...é purificar a escolha pela Vida. É o equilíbrio emocional e biológico.

 5. SEXUAL:  Não misturar sexualidade com genitalidade. O sexual aqui são as energias luminosas do Amor, do Afeto, da Libido, da Masculinidade, da Feminilidade, da Corporeidade e da Sexualidade. Não jogar estas energias fora, de qualquer jeito, com qualquer pessoa, em qualquer situação. A verdadeira sexualidade é ser Fonte de Alegria e Prazer, é a capacidade de ter prazer na vida, de ter prazer em cada inspiração. É a energia básica do sentir-se bem. É preciso sentir o estado sexual, isto é, uma transparente capacidade de Amar. Todos querem ser amados...mas preste atenção a quem você vai dividir a força de sua energia de Amor. Espalhe estas energias em tudo o que você faz! Não deixe que nenhuma religião condene seu afeto, porque condenar o afeto é reprimir o Amor.

6. O ESPIRITUAL: É cuidar do Espírito! O Espírito também precisa de aperfeiçoamento. É cuidar do nosso centro, do nosso eixo. É despertar, em cada momento, as forças espirituais que estão em nós. É ter um Deus dentro! A força espiritual une harmoniosamente estas seis forças. Não se pode separar o que Deus uniu! É o tema desta reflexão!

Continua

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A ESPIRITUALIDADE PRESENTE NO CUIDADO DA SAÚDE - 3

Cena do filme "Ben Hur", drama épico bíblico com Charlton Heston.

O que é o Fogo?  É o elemento da transmutação alquímica, a purificação, a fonte da vida. O Sol é a energia que se libera do interior da matéria, a energia que emana de cada ser humano. Do fogo nasce a Fênix, mais pura, mais forte, mais bela e perfeita. É o renascer das cinzas. No fogo se prova o ouro. É a transformação da energia. No fogo se consuma a água transformadora: alimento e obra.

O Mito da Carruagem de Fogo que sobe em direção ao lugar mais alto é a dinâmica da existência, o movimento contrário a qualquer estagnação. É a Vida, a Corporeidade, a Estrutura, o nosso Arranjo Existencial, os nossos Projetos (“pro icere” = lançar para a frente), os esquemas, princípios, o lugar onde somos colocados e que temos que fazer andar.

Na Carruagem, o Passageiro... Quem é o Passageiro? O Viajante? É a nossa Corporeidade (Corpo, Mente, Alma e Coração), a nossa Inteireza, a nossa Identidade, o nosso EU, a nossa Vida, ou quem ou o quê queremos colocar dentro da carruagem  para conduzir. Como estou conduzindo tudo isto?

Na Carruagem, o Cocheiro (ou o Condutor)... Quem é o Condutor? São os nossos Mestres, nosso Guia, nossa Inspiração. Pode ser o Mestre dos Mestres, Jesus, Buda, Maomé, Ghandi, um Livro, alguém especial, uma filosofia de vida, um Projeto de Vida. Pode ser eu mesmo ou quem ou o quê eu quiser colocar ali... Conduzir vem de “ducor”, “ducere”: caminhos de condução aos mistérios da existência. Educar = educere: conduzir para fora, trazer para a Luz!

Na Carruagem, as Rédeas... O que são as Rédeas? São as Diretrizes, Códigos de Comportamento, Valores, Virtudes, Moral, Ética, Leis, Normas, Mandamentos, Estatutos, Regimentos, Projetos Pedagógicos, Leis Civis, Religiosas, Familiares.

Na Carruagem, o Chicote... O que é o Chicote? Não é para bater, agredir ou castigar pela dor. Os grandes condutores de carruagem (cfr. o filme "Ben Hur") não batem nos cavalos, mas estalam os chicotes para incentivá-los e instigá-los, estalam no chão para motivar a força propulsora. É cutucar, beliscar, cutucar, acordar, alertar! É o domínio e a motivação da vontade bem trabalhada. Acordar a alma é usar a Força de todas as Energias.

Na Carruagem, os Cavalos... O que são os Cavalos? A “dínamis”, a potência, a força, o impulso, o dinamismo que leva para algum lugar.

SÃO AS NOSSAS FORÇAS INTERIORES QUE PUXAM O CARRO DA NOSSA EXISTÊNCIA! Que levam a vida para a frente, que impedem que fiquemos empacados em lugar nenhum. Os Cavalos de Força, no mito, representam as nossas mais profundas ENERGIAS. O  que é energia? O cuidado com as nossas FORÇAS INTERIORES. É preciso ter Amor e Cuidado para com estas forças. Educar é acordar as energias, é mostrar e buscar as qualidades que eu ainda não tenho, ou que estão dentro de mim e que preciso despertá-las.

No Mito Grego, a Carruagem da Existência é puxada por 6 cavalos de força. Eles representam as nossas Forças Interiores! Quais são estas forças? Vejamos:

Continua!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A ESPIRITUALIDADE PRESENTE NO CUIDADO DA SAÚDE - 2


1. O MITO DA CARRUAGEM

A vida é uma dinâmica, um movimento, uma viagem, um caminho de realização, um assanhamento de vivência que não permite o estático. A vida não é uma continuidade, mas sempre um salto de qualidade, uma busca de sentidos.

Para os gregos, a vida é uma carruagem. O que é a Carruagem? O Mito da Carruagem é a alegoria para visualizar o que queremos, o que impulsiona os nossos passos, onde queremos chegar. Trabalhar através dos símbolos uma Hermenêutica (a ciência da interpretação), uma representação e uma inspiração necessária.

Os gregos diziam que para atingir o Olimpo (o lugar da morada dos deuses), era preciso subir, elevar-se, buscar o lugar mais alto e as coisas do alto; era preciso subir uma Carruagem de Fogo (força impulsiva, dinâmica, chama interior, potencialidade).

A Bíblia diz que o Profeta Elias subiu ao céu numa Carruagem de Fogo (cfr. 2 Reis 2, 11-18 ). Boaventura de Bagnoreggio, biógrafo de São Francisco, diz que ele sobe numa Carruagem de Fogo para o tocar o Divino (Legenda Maior, Prólogo 1,6).

O que significa subir à montanha? Buscar o ponto mais alto. Elevação. Nível superior da existência. Altura (“alt”, altar), lugar onde a Divindade se manifesta. Monte Olimpo, Monte Atlas, Monte Athos, Monte Tabor, Monte Alverne. É a morada que possibilita o encontro entre o Humano e o Divino. Da Terra para o Céu. Da Imanência à Transcendência. Da horizontalidade para a verticalidade. O lugar onde o grande e o pequeno universo se tocam.

A montanha significa estabilidade, imponência, fortaleza, permanência, posição de presença dominante, soberania, espaço sagrado, escalonada de degrau em degrau, persistência e fé na subida, coragem. A ascensão física corresponde a uma ascensão espiritual. É a Mística da Consciência que precisa encontrar o seu lugar mais vigoroso que abra um horizonte maior. É a senda da iluminação, o lugar  da meditação necessária para o desenvolvimento espiritual. É onde se respira o ar mais puro. É a culminância. A aproximação com o firmamento. Perto das estrelas.

As torres dos templos, as pirâmides do Egito, a torre da Babilônia, os mosteiros e eremitérios encravados nas montanhas e rochas. Cavernas e grutas que nos ensinam a viver dentro e viver sobre. Para o mundo mítico, Deus é aquele que brilha no alto! Que se manifesta no monte entre relâmpagos e trovões. O sol se põe de um modo mágico entre as montanhas. Lugares onde escondem-se as Fontes, os mananciais, os tesouros.

A Ordem tem que ser comunicada em lugares muito fortes e especiais. Os Dez Mandamentos, o Sermão da Montanha! É a Unio Mistica = a montanha é Pura Transcendência! É preciso chegar lá!

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