terça-feira, 27 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - final

Nas escolas se forma para não existir. Nas universidades, um discurso cada vez mais técnico, prepara um mundo de profissionais saindo com visão estreita, especialistas de um reduzido espaço de compreensão. Muita gente entende de muita coisa, porém não fala de Biologia; é como se a belíssima e misteriosa sinfonia da grande evolução orgânica não encontrasse um lugar. A falta de visão de mundo leva a humanidade a viver em briga com o resto da criação.

“Francisco, vai! Restaura a minha casa!” É sempre útil falarmos da casa e estarmos em casa. A crise ecológica é não saber estar em casa. É crise de relação entre o humano e as coisas, o humano e todos o seres viventes. Restaurar a casa é aprender a falar do lugar que habitamos; é dizer e sentir, expressar tudo e todos sem esquecer nada e ninguém. Não há sentido um esquecimento da ecologia e a antropologia: “Quando olho o firmamento que criastes pergunto: quem é o humano para que dele vos lembreis?” (Salmo 8)

Devemos voltar a ser os Meninos do Dedo Verde, isto é, em tudo o que tocarmos recuperarmos a beleza e a harmonia. Diante do novo indecifrável, face ao grande mistério da vida, frente ao maravilhoso e infindo cosmo criado, ao nos medirmos com o engenho e arte do próprio humano... Qual é a nossa posição?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - XX

“Quando pensamos no século XXI, pensamos em tecnologia, viagens espaciais, biotecnologia, robôs. Mas a imagem do futuro é mais complexa do que a tecnologia que nós usamos para visualizá-la (...) Os avanços mais estimulantes do século XXI ocorrerão não por causa da tecnologia, mas pela expansão do conceito do que significa ser humano” (Naisbitt, in Megatrends 2000).

O modelo de humano, que é Francisco de Assis, pode nos resgatar da miséria existencial; pode alertar o mundo que, em certos momentos, assume posturas de quem está caminhando para um suicídio coletivo. O sociedade tecnicista e industrial vai demolindo ecossistemas essenciais para um suporte da vida. Nunca se falou tanto de ambiente, em consciência ecológica, em ecologia. Seminários, palestras, campanhas, camisetas, documentários, filmes, Greenpeace, protestos, passeatas, partidos verdes, ambientalistas, ecólogos... num terrível discurso técnico cheios de soluções, cheios de métodos e remédios, mas sem entrar na causa da doença. A causa é mais profunda; falta uma cosmovisão, falta um engajamento na vida como ser vivente.

Muitos viajam e sobrevoam paisagens fantásticas, mas não olham pela janela. A maioria das pessoas não enxerga o mundo. Nossas estradas estão emolduradas de entulhos; a mansão linda joga lixo no terreno baldio que está ao lado ou na frente; o mundo de todo mundo termina na sua própria cerca. Amazônia é uso e turismo; ninguém vai lá para fazer imersão num sistema vivo; preferem fazer imersão numa língua estrangeira ou comprar souvenirs do Mickey e companhia.

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quarta-feira, 21 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - XIX

Gosto de usar a palavra Poesia, palavra grega "póesis”, que significa “o fazer perfeito”, a vivência atenta, a admiração, o encantamento. Francisco de Assis é um Poeta da Vida. A Idade Média nos legou este homem santo, um enamorado pela vida e pelo Deus da vida. O seu ideal se encontra lá onde floresce a verdade, onde se prega a formação do humano total, onde vicejam a fraternidade, o amor, a ternura, a sensibilidade, a comunhão com tudo e com todos. Francisco é conduzido por Deus, mas mergulhado na terra, irmão de toda criatura. Ele não queria ser dono e senhor de ninguém, mas ser irmão da água, do fogo, das estrelas, do sol, da lua, dos pássaros, florestas, árvores, plantas, do verme rastejante,captando assim que a vida é parte de um todo.

Francisco se coloca nesta esteira admirável de engrandecimento e respeito por todo o mundo criado, nada destruindo, nada ferindo, nada prejudicando, quase que pedindo licença para pisar o chão; desculpando-se com a irmandade por não servi-los o bastante.

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Imagem de P. Casentini

terça-feira, 20 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - XVIII

Francisco é sempre atual porque a liberdade e a felicidade buscada na sua efervescente juventude não envelheceu. Não parou no tempo, mas rejuvenesceu cada momento de sua vida com uma liberdade profunda e infinita. Livre de qualquer amarra, abandonou-se no colo do Pai do Céu e sua santa vontade. Sua sede de conquista foi conquistar irmãos e irmãs para as verdades do Evangelho, para a paz e para o bem. Não perdeu o seu anseio de estar rodeado de amigos, de alegria, de festas, de música e danças. Tudo isto teve continuidade numa ardente fraternidade. O franciscanismo não é triste e ensimesmado, mas é cheio de sociabilidade, de acolhimento, de oração alegre, de jeito festivo e vivencial. É um humanismo divinizante.

O jeito franciscano de viver a vida inspirou Giotto, Tasso, Rafael, Murillo, Vasco da Gama, Palestrina, Galileu, Pélico, Volta, Galvani, São João Maria Vianney, Ozanan, Pacelli, Newman, Gounoud, Mercier, Papini, Inácio de Loyola, São Vicente de Paulo, São Francisco de Salles, São Vicente Palotti, Santo Afonso de Ligori, Hélder Câmara, João XXIII, Bento XV... e todos nós, entre milhões de anônimos.

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segunda-feira, 19 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - XVII

Ser humano franciscano é revelar-se pessoa de ideias claras, definidas, seguras, de opções profundas e progressos amplos, senda da perfeição. Sair de uma natureza agitada, para um equilíbrio emocional admirável, uma integração interior harmoniosa, que se traduz para vivência habitual da paz íntima, do amor autêntico, da fraternidade com todos os seres, do interior para a harmonia exterior. Ser humano franciscano é sensibilizar-se pela integração e maturidade humana que não deixa de buscar o sagrado. Ser humano franciscano é fazer da sua personalidade uma constante busca do natural e do sobrenatural, bebendo na fonte da intuição e da realidade transformada. Permitir que a Graça realize maravilhas! Não deixar de perceber que Natureza e Graça andam lado a lado, e que todos os sentidos se harmonizam.

Não basta apenas humanizar o Amor, é preciso espiritualizá-lo. Isto faz do Amor uma oblação; como cantamos na prece: "Ó Mestre, fazei com que eu procure menos ser amado, do que amar!” Ser humano franciscano é Amar com projeto de Amor. Amar o bom e o mau para mudá-los. Amar o pobre e o rico para aproximá-los e criar uma fraternidade de bens e dons. Amar o homem e a mulher para espiritualizar o Amor. Amar o são e o doente para curar corpo e alma. Amar todas as criaturas para criar a fraternidade universal e a consciência planetária. Cantar com todos os seres o Amor do Criador de todos os amores. O caminho da perfeição é a trilha do amor divinizante.

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sexta-feira, 16 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - XVI

Um tipo como Francisco é flor da humanidade. Tem que ser colhida no seu esplendor. É humanidade dignificada pelo espírito. Nós pensamos santidade como pessoa canonizada. O franciscanismo pensa santidade como plenitude humana, transbordamento do que se tem como natural e sobrenatural. É a resposta mais sublime da natureza humana à busca da perfeição. É a forma mais integrativa de ser uma pessoa feliz e bem realizada.

Ser franciscano é transfigurar a natureza, complexa, com virtudes conquistadas, em meio a crises e vitórias. Ter a coragem de ser modelo de uma personalidade equilibrada e feliz. De desequilíbrios e desequilibrados a vida já está cheia. Faltam Franciscos!

Não podemos esquecer que ele viveu, nos inícios do seu caminho, o gosto de uma vida medíocre e comum, como qualquer pessoa no mundo; comprazendo-se sobremaneira com as consolações humanas do ter, poder e saber. Depois rompeu com o agradável fácil, que não o fazia feliz; desprendeu-se das necessidades, para abraçar, cada momento, o desejo de ser melhor. Viveu uma atmosfera de permanente sobrenaturalidade. O franciscanismo é apelo para uma humanidade mais radiante, totalmente livre, encantada e com a mística das miudezas diárias.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - XV

Diz Carlos Zagonel: "Francisco emergiu em sua vida num mundo novo, sem ambições de liderança, mas o Senhor o constituiu líder de um número incontável de homens e mulheres de vontade boa que, em todos os tempos e de muitas maneiras, procuram servir a humanidade de seu tempo, com simplicidade e coragem. Simplicidade de quem não é ambicioso e coragem de quem não tem medo de inovar” ( Zagonel, in “Contexto Histórico de Francisco” ).
A partir de uma natureza bruta, como um belo bloco granítico, pedra pura ou cepo de madeira, de onde surgem obras primas de escultura e de arte genial, Francisco passa pela fase cruciante da conversão e se transforma numa imagem transparente e personificada de um humano divinizado. O santo é a obra prima do humano. Grande homem, grande santo. O franciscanismo existe para santificar a nossa frágil humanidade, existe para esculpir em nós uma obra de arte humana.

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terça-feira, 13 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - XIV

O que aprender com o arquétipo humano que é Francisco de Assis? Se buscamos graus de competência profissional, por que não buscar, como ele, graus de perfeição? É um humano pleno, simples, transfigurado. Precisamos aprender com ele e com Jesus Cristo que transfigurar não é mudar de figura, mas revelar-se no que se é. Transfigurar é estimular a vida sempre para o melhor. Muitas pessoas deixam-se levar, em suas naturezas, pelo caminho da facilidade e da mediocridade, da omissão e da covardia, da violência ou da maldade, da passividade e do desespero. O franciscanismo é uma proposta para olhar mais o tesouro do caminho, a pérola mais preciosa, o saber por que viver. Não podemos frustrar a nossa preciosa existência. Viver é saber por que viver!


Francisco orientou a sua vida para o caminho não muito fácil, mas gratificante, de buscar só o Bem, o Sumo Bem, o Bem Pleno, o Bem Total, o Amor que precisa ser Amado, a Verdade. Francisco fundamentou a sua existência nas normas do Criador de todas as criaturas, “do qual vem todo o bem” e, de toda felicidade real, não ilusória. Lutou para desenvolver a sua potencialidade humana, que recebeu do Pai, e por isto saiu dos projetos de Pedro Bernardone para ir buscar um caminho de virtudes nas estradas da vida. Quis viver cada instante na paz e na união, no amor e no perdão, na compreensão e no diálogo, na comunicação de si e doação oblativa aos outros. Na integração de todas as suas dimensões humanas e espirituais, para realizar a obra prima de um homem perfeito, quanto possível, à imagem do Criador. Ele não quis ser igual ao Bill Gates, que também tem méritos; ele quis mais, ele quis ser igual o Pai do Céu.

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segunda-feira, 12 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - XIII

Em ritmo crescente, a pessoa desabrocha e vai se plenificando na infância, na juventude, na idade adulta e na velhice, perfazendo o ciclo de sua vida. Esta vida, assume sentido conforme os valores que a conduzem e impregnam. O franciscanismo traz valores para impregnar a vida.
Nem sempre nossa vida é perfeita, como gostaríamos, dentro da contingência do mundo. Temos nossas limitações, nossas fraquezas, nossos condicionamentos. Crescemos em bem-estar material, mas nem sempre crescemos em inteligência e vontade, em afetividade e liberdade. A nossa inteligência se acomoda na net; a nossa vontade nas vitrines; e a nossa vontade é uma cópia de vontades que, como repetitivos pps, inundam a nossa opinião. Somos rápidos para consumir e lentos para buscar o bem. Somos condicionados por fatores de herança familiar, ambiental e cultural. O franciscanismo não nega tudo isto, mas evidencia um caminho de intuição, de experiência vivencial mais livre, capaz de grandes opções.

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sexta-feira, 9 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - XII

Não duvidamos que todo ser humano busque a perfeição (do latim “per+facere” = por fazer-se, trabalhar-se, dar um acabamento melhor a si mesmo). A mística chama de Via da Perfeição, isto é, o caminho em busca da realização, da felicidade, a contínua diminuição dos problemas da vida. Se existe uma convocação na vida é o chamado para ser feliz, uma felicidade plena. O humano é chamado ao amor, à verdade e ao bem. O lema do movimento franciscano, PAZ e BEM, quer expressar esta convocação. Cada pessoa, desde o berço da sua infância até a passagem para o eterno, é convidada a ultrapassar-se. Superar entraves é um fascinante sentido, um modo de existir no mundo (cfr. A “Perfeita Alegria”). Toda a questão é saber se estamos atentos a isto ou estamos mais seduzidos pela perfeição das coisas, por exemplo: celulares, notebook, carros, eletrodomésticos, Ipod, subwoofer, webcam, blackberry, etc... mas onde fica a perfeição do humano? Onde fica o sentido fascinante de existir no mundo. O jeito franciscano é um modo simples e fascinante de existir no mundo.
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quarta-feira, 7 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - XI

2. Modo espiritual de atuar no mundo. Viver a vida tendo como base uma Espiritualidade que ilumina as práticas. Mesmo tendo uma diversidade de ofícios e profissões, de carreira, de competência, posso viver a vida fazendo um serviço com força e motivação espiritual. Viver a vida segundo o Espírito (que é o princípio da Espiritualidade). Posso servir à verdade (educador, pensador, filósofo), servir ao bem (educador), servir ao Belo (artista), servir o mundo religioso (sacerdócio); em tudo dar um exemplo de vida e de valor.


3.  Modo espiritual de estar no mundo. Com uma vida heróica (se tem que ser, que seja o melhor). Não diminuir a qualidade. Ir pelo mundo mostrando a pérola conquistada. Levar o desejo que habita no coração. Estar no mundo de um modo pessoal ou grupal sem perder o espírito, a alma da vida e da ação.

terça-feira, 6 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - X


A Identidade tem muito a ver com alguns pontos que elencamos a seguir:


1. Modo espiritual (ou religioso) de viver no mundo. É ter presente que tipo de existência ou que tipo de vida eu tenho em relação aos vários tipos de vida humana. Viver a vida biologicamente, onde há uma força adaptativa que me insere no meio físico, técnico, nas diversas formas de organização e da produção. Viver a vida de um modo psico-social, isto é, relacionando-me com o meio social através da linguagem; através de processos associativos, normas, instituições (família, sociedade, grupos). Viver a vida no modo mental ou ideológico, quando procuro compreender-me como realidade e existência, filosofia de vida, ciências e vários conhecimentos.

O modo espiritual situa-se, na mesa da humanidade, no grupo das pessoas, que dão à sua existência uma razão e compreensão da vida a partir do Sagrado. Olha fatos, acontecimentos, fenômenos, procurando neles um sentido divino. Sem desfazer-se da compreensão científica, quer perguntar pelo sentido das manifestações humanas à luz da fé. É um modo transcendente, é um sinal da dimensão transcendente da vida humana. É o entendimento da vida como dar um sentido ao provisório e o definitivo, ao temporal e o eterno. Viver a vida buscando as potencialidades da alma e do espírito, a comunhão com os seres e com o destino do humano, a solidariedade criatural, a sacramentalidade da vida (sinais da manifestação de Deus), a vida, trabalho, o presente e o futuro.

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segunda-feira, 5 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - IX

Falar e refletir sobre a Identidade Franciscana não é algo simples, mas muito complexo. Francisco não é um teórico, nem um pensamento exposto de um modo metodológico. Ele é uma vivência, e não é fácil detectar a dinâmica inspiradora de uma vida (cfr. Salvador Ângelo Domingos, “Formação para a Vida Franciscana”,
Est/Vozes/Cefepal,1981.)

Para Francisco a sua Identidade é clara: “O próprio Altíssimo me revelou que eu devia viver segundo a forma do santo Evangelho”. A Identidade Franciscana é viver segundo a forma de vida do Evangelho. Se houver outras chaves de leitura para identificar a Identidade Franciscana não se pode dizer sem esta verdade: Viver a fraternidade evangélica, a pobreza evangélica, a minoridade evangélica, a alegria evangélica. É dar um lugar teológico à vida. Posso viver uma vida qualquer, como posso viver uma vida segundo a força do Evangelho. E isto não é exclusivo à pessoa religiosa que está ligada a uma consagração religiosa. Isto vale para todos e dá um diferença: Moldar o modo de ser segundo um Valor Maior (do Evangelho) é um modelo, um modo vivente, um jeito de estar e atuar no mundo.

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - VIII

Isto me dá uma profundidade ao entusiasmo; não é um entusiasmo desenfreado, mas orientado, canalizado.

Basta ler Francisco e vamos perceber a Identidade Humana. É preciso ler para a gente se entusiasmar por uma compreensão. Que tipo de humano surge, então, de Francisco?

- Uma pessoa capaz de gesto heróico. O verdadeiro herói é um fio condutor que me leva à uma obra bem feita... e não ficar nunca satisfeito, dizer assim: "Parece que eu poderia ter feito melhor...”

“Até agora nada fizemos, vamos recomeçar!”

- Uma pessoa capaz de uma grande escuta. São os momentos de inspiração.

- “Francisco de Assis foi um jovem ardente e entusiasta; filho de uma das famílias mais distintas de Assis. Chamavam-no “Rei da Juventude”. Desde cedo, julgou-se um predestinado. Alguém o chamava dentro da obscuridade. Permaneceu atento a tudo. Queria descobrir o que se passava em seu interior. Envolto por aspirações profundas, ambicionava grandes coisas. Líder da mocidade, ingressou na cavalaria, pois queria ser um nobre cavaleiro. Era simples, autêntico, transparente. Vivia em constante disponibilidade. Encantava-se por tudo o que fosse belo, nobre. Era sensível a todos os acontecimentos. Tinha anseios de servir. Nada o satisfazia. Os questionamentos continuavam a persegui-lo. Buscava, afanosamente uma resposta. Nesta busca, vai além daquilo que a comodidade lhe oferecia. Era um insatisfeito, enquanto não percebia o caminho que devia seguir. Um despretencioso, enquanto se deixava conduzir pela voz que lhe vinha em seu interior” (in “Mensagens para o nosso tempo”, Serpal/Vozes, vol. 35,1976)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

IDENTIDADE HUMANA FRANCISCANA - VII

Aprendemos com a Mística Franciscana que seguir e imitar é enamoramento. Para entender o que é Identidade Humana Franciscana temos que seguir e imitar o modo de Francisco ser Humano. Não basta seguir ou imitar, tem que haver um encantamento. Falávamos antes que Francisco é um modelo vivo. Um modelo de grandeza do humano. O que é um modelo de grandeza?


É a superação de si mesmo. Francisco superou-se. Imitar Francisco no estereótipo não resolve. Posso vestir a roupa que ele vestia, cortar o cabelo como ele cortava, andar como ele andava... mas se não mudar nada em mim. Isto basta? O modelo de grandeza não é percebido na aparência mas na essência. Devo construir em mim um núcleo de modelos, de valores, de virtudes, de dons e talentos. Criar palavras de ânimo. Palavras que atinjam a alma. Preencher bem as lacunas da minha vida com algo de extremo valor. A minha história tem que ser contada com este caráter de busca da verdade; de valentia de conquistar um ideal. Nisto tem que aparecer um límpido empenho de ser:

“Senhor, que queres que eu faça?” “De boa vontade o farei!” “Francisco, quem pode te dar mais, o Senhor ou o servo?”

Esta reflexão continua amanhã