quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Que luzes o jovem de Assis
reflete para os jovens de hoje


Num mundo consumista e descartável, um verdadeiro shopping center de modas e manias, efêmero em gosto e costumes, Francisco de Assis é um personagem cristão e santo que faz comemorar, neste ano de 2009, oito séculos de aprovação de sua Forma de Vida. São 800 anos da garantia de um encontro leve e simples da experiência franciscana com os sonhos secretos de uma época de ontem e de hoje, que aspira viver um humanismo e fé com muita coerência; são 800 anos de presença sempre nova da Boa Nova e não um “shoptime” de histeria de novidades. Após oito séculos continua sendo um fato novo!

Num mundo que exclui a partir do status social, da opção sexual, do credo, e cada vez mais vai se fechando em condomínios; Francisco de Assis realiza a inclusão e não a exclusão. No seu tempo acata valores e vivências de leprosos, hereges, camponeses, muçulmanos, pobres, jovens, mulheres, capela em ruína e abre as portas da sua fraternidade para todos; nobres, plebeus, leigos, casais, letrados, cavaleiros e gente da terra, e vai viver pelas estradas do mundo. Compreendeu a história dos vencedores, todavia deu voz ao silêncio dos vencidos.

Sem ranço de panteísmo, ele vê a graça e a providência divina em todos os seres, convocando-nos para o sensível e o natural, sem o uso das coisas mas à convivência com elas. É o santo das aves, dos vermes, dos peixes, das plantas, do lobo, das pedras, dos bosques, da ecologia, enfim uma eterna primavera da vida! É o personagem da alegria, da jovialidade, da felicidade dos realizados; ele é a abertura otimista de todas as ações em oposição ao depressivo fechamento pessimista dos que nada fazem e só reclamam. É a força interior contra a anemia espiritual.

Em vez de currículo exuberante e técnico ele revela que da simplicidade e do concreto pode fazer nascer um competente modo de conceber e melhorar a vida. Ele não é barulhento como um hard-rock, mas lírico como um festival de música popular. Não fala muito como um midiático pregador, mas é a própria Bíblia vivente, uma encarnação do Evangelho. Na sua cidade de Assis, crentes de tantas religiões, vão reverenciá-lo, à procura de uma fonte interior, e lá não se sentem ofendidos e nem prosélitos. Sua fala de Paz e Bem, seu modo de vida solidário ensina que a única causa que pode unir toda a humanidade é a diminuição do sofrimento humano. Ele não precisa ser admirado como um ganhador do Oscar, porém precisa ser compreendido em nossas academias, escolas e famílias.

Foi um penitente e não um fanático por jejuns. Um homem light, diet, magro e despojado, não porque fez uso exagerado de drogas endócrinas, mas porque comeu o que o povo come na mesa dos comuns. Vestiu roupa confortável da estética dos livres e não dos prisioneiros das grifes e etiquetas. Ele é um herói que se bateu pela fé e pelos fracos, deste heroísmo que não faz um ato heróico de um dia, mas permanece no meio de todos como um serviço persistente. Este jovem de Assis é tão bom e atual que sua vida é uma Legenda.

Este texto foi publicado na Agenda 2009 do Grupo das Escolas Franciscanas de São Paulo

terça-feira, 29 de setembro de 2009

SÃO FRANCISCO DE ASSIS: TERNURA E VIGOR


Francisco de Assis atravessa séculos com sua vida inspirando vidas. Leonardo Boff, com sua alma franciscana, capta o melhor do Pobre de Assis e o aproxima de nós na ternura e no vigor. Este é um livro que transmite um conhecimento especial: a espiritualidade e afetividade, a profecia e o compromisso em qualificar que a vida e o humano não se separam! Mundo, convivialidade, amor, sensibilidade, cuidado, compaixão, humanidade, desejo, irmandade, estar junto com os pobres, integração, experiência do Sagrado, encarnação, masculino e feminino, eros e ágape, democracia cósmica, o universo interior reconciliado com o cosmo exterior, virtude, ascese, fraternidade, libertação que gera o belo e o bom, o justo e o livre, a fé, uma Igreja próxima e popular, seriedade evangélica e leveza de encanto, o dizer sejam bem-vindas todas as coisas, a irmã morte e as negatividades, a vida que se qualifica por uma resposta clara ao Amor. Tudo isto jorra, nesta obra, como uma cristalina fonte. Um encontro com a verdade feita na história, no coração paterno e materno de Francisco e no jeito irmão e mestre, simples e luminoso, poético e terapêutico, teológico, terno e vigoroso de Leonardo Boff.

A Editora Vozes está relançando a Coleção de livros sobre Espiritualidade de Leonardo Boff. Este  é um deles, que tive a honra de escrever o comentário na contra-capa.  

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Reconstruir a casa!


O tempo não pode ser datado com precisão, mas talvez seja durante o ano de 1205 que Francisco escutou a fala de uma inspiração: "Francisco, vai e restaura minha casa que, como vês, está toda em ruínas" (2Cel 10,4). Ruína é aquilo que perdeu o cuidado, a vitalidade, a história, o sentido. Francisco vive num momento onde o humano, a eclesiologia, a sociedade, os valores estão em ruínas. Escuta uma convocação, arregaça as mangas, e vai cuidar de si mesmo, do leproso, da fraternidade. Daí sai para dentro da estrutura eclesial, para a sociedade medieval, e para a reconstrução dos valores. A casa é a moradia do ser e do cosmo. O que está dentro e o que está fora tem que ser restaurado. Quem cuida bem da sua interioridade, cuida do humano e do mundo.
"Folhinha do Sagrado Coração de Jesus" , setembro de 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

POR OCASIÃO DA PRIMAVERA

Com o mês de setembro entra em nossa vida a primavera. Quando percebemos e convivemos com o verde, flores, plantas, cores e explosão de sementes, a nossa vida não é a mesma. A primavera tem uma aura própria, mostra este jeito da vida de ser desprendida e natural. Quando aprendemos com a vida a sermos naturais, não mais pensaremos em coisas ruins, e quem sabe nem precisaremos mais de tantos remédios.

A natureza nem precisa ser pensada, praticada ou virar bandeira de militâncias ambientais... Ela, por si só, já existe, tem que ser notada e entrar em nosso modo vivente como parte de nosso ser criatural. Ela nos ensina que tudo é bom, tudo é sagrado, tudo é belo e tem este jeito espontâneo de acontecer.

Na Primavera é tempo de celebrar um Despertar! Que ela nos ensine, cada dia, a sentirmos que a vida, na sua inteireza, acorda, faz de si uma oferenda e cuida. A terra espera vigilante o sol. As árvores, flores e pássaros manifestam uma vida nova e única cada manhã, como se fosse uma nova celebração. As coisas, antes de desabrocharem, alçarem voo, deslizarem entre sulcos e leitos, florescem primeiro por dentro; e assim iniciam seu caminho de entrega.

Gosto demais das palavras de Bhagwan Shree Rajneesh, Osho, que diz: “O Todo existe como um todo orgânico. Tudo está relacionado com tudo o mais. Diz se que, mesmo que só uma gota d’água faltasse, toda a existência teria sede. Você colhe uma flor no jardim, e colheu alguma coisa de toda a existência. Maltrata uma flor e maltratou milhões de estrelas, porque tudo é inter-relacionado. O verdadeiro ateu é aquele que está sempre dizendo não à Vida!”

Que a Primavera nos desperte, crie consciência e nos renasça! E, mais uma vez, com Francisco de Assis clamemos: “Louvado sejas, meu Senhor, por todas as tuas criaturas!” FELIZ PRIMAVERA!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR
DA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - Final


Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

CUIDADO: A essência do humano está no Cuidado; se não cuidar a vida não subsiste. Sanar, curar, cuidar...a única forma de cura é cuidar. A crise maior da civilização hoje é a falta de cuidado. Se começarmos cuidar tudo começa a dar certo. É uma nova ética no pensar, amar e fazer. Fazer surgir um novo ser humano.

MINORIDADE: Renúncia do status de quem tem, pode e sabe. É não apropriar-se do próprio poder, mas conviver com a força de tudo e todos. Não se apegar ao sistema utilitarista. É renúncia da superioridade. Se o mar não tivesse a coragem de morrer mansamente na praia, não haveria o espetáculo das ondas.

SIMPLICIDADE: É a transparência do humilde. A simplicidade é a revelação visível do húmus; isto é, a emergência do simples. A simplicidade se apóia numa experiência profunda. O simples é natural.

ESPERANÇA: É dar tempo para o desejo; ter uma expectativa, alimentar sonhos. Colocar-se nas mãos de algo que acredito com muita fé e confiança.

TEMPERANÇA: A virtude que auxilia na arte de controlar e moderar apetites e paixões. Ser sóbrio.

ITINERÂNCIA: Vem do latim Iter, isto é, caminho, via, percurso. Fazer estrada, dar um passo. Para a mística e para a espiritualidade tudo começa por um passo. “O caminho se faz a andar”.

BELO, BOM, BONDADE: A grandiosidade da vida, a grandiosidade do mundo e das pessoas só é dada para quem tem olhos para a beleza. É o brilho das coisas e das pessoas. O transparente e o transcendente. O que faz a pessoa bonita é a bondade. A virtuosidade é a beleza maior e a mola propulsora de todos os gestos de amor. O que faz o mundo bonito e é a bondade esparramada de todas as coisas. (cfr. O texto O Belo e o Bom). A Beleza diz respeito ao verdadeiro. A beleza pertence à verdade, à autenticidade. A bondade é quadro de mãe amamentando o filho. Quem age segundo o princípio do melhor é eticamente bom!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR
DA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - VIII


Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas


FÉ: É o princípio esperança, o devir, o já é do ainda não, é a dinâmica de acreditar: no Divino, na Vida e nas pessoas. A fé é ter uma saudade infinita de Deus, uma aproximação rara com o Divino.

MODÉSTIA: É a ausência de qualquer tipo de vaidade, de narcisismo, de exaltação da pessoalidade ou culto da personalidade. É desambição, despretensão, é uma simplicidade pura.

PUREZA DE CORAÇÃO: É o nome que Francisco de Assis dava à castidade. Puritas vem de fonte. A transparência cristalina do ser. O que jorra naturalmente do coração. O que está no esplendor do natural, a essência da naturalidade (virgindade).

DISCIPULADO: Deriva da palavra latina Discere que significa aprender. O aprendizado aqui não simplesmente como um conhecimento técnico, mas um encontro com aquele que ensina. Nesse encontro somos como que atingidos por um chamamento por causa de uma predileção que precedeu toda nossa iniciativa. É buscar, aprender, saber, ver o que é, experimentar, caminhar, exercitar. Identificação com um modo de ser. É receptividade!

GENEROSIDADE: É a ação baseada em valores já trabalhados a partir do nascivo, isto é, da boa educação recebida desde o berço e que continua gerando muita disponibilidade. É estar bem preparado para fazer o que deve ser feito com qualidade. Este preparo vem da terra da própria formação pessoal. Com iniciativa faz com muita naturalidade e segurança.

Continua amanhã

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR
DA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - VII

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

BRANDURA: Maleabilidade, mansidão, suavidade, doçura, flexibilidade, maciez, afabilidade. A vida se aninha mais no brando, no flexível. É evitar a rigidez. No relaxamento, na serenidade, do distensionamento, na soltura é que habita a saúde. O muito rígido, o indevassável, tem a patologia, tem a tensão e contensão, tem uma vida cheia de nãos. Quando você levanta com brandura acorda para a vida com muita disposição; todas as coisas estão mais claras, estão mais leves. É preciso estar dentro deste sentimento de leveza, a leveza é o tom do ser.

PACIÊNCIA: É encontrar o ritmo próprio do respeito. Estar no domínio da própria ansiedade. Descobrir uma sabedoria implícita na hora, no instante. Ser tolerante. É a capacidade de suportar conflitos sem sair dos lugares dos desafios. Não é submissão, mas a coragem de dialogar com situações adversas.

BENIGNIDADE: Vem do latim medieval bene + ígneo: estar bem no fogo. A bebignidade significa estar no fogo das experiências. Incendiar, acender, iluminar. É viver entusiasmado.

LONGANIMIDADE (ou magnanimidade): Grandeza de alma. “Tudo vale a pena se a alma não é pequena” ( Fernando Pessoa). A alma é a força que comanda as emoções do corpo. FÉ: É o princípio esperança, o devir, o já é do ainda não, é a dinâmica de acreditar: no Divino, na Vida e nas pessoas. A fé é ter uma saudade infinita de Deus, uma aproximação rara com o Divino.

MODÉSTIA: É a ausência de qualquer tipo de vaidade, de narcisismo, de exaltação da pessoalidade ou culta da personalidade. É desambição, despretensão, é uma simplicidade pura.

Continua amanhã

terça-feira, 15 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR
DA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - VI

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas


CORAGEM: Vem do latim COR+AGERE, aquele que age com o coração. Sua ação vem de um impulso da segurança interna. Tem o medo dominado e não precisa de subterfúgios (como armas, por exemplo) para fazer valer o seu poder e seu domínio. É aquele que está no domínio do próprio poder.

GENTILEZA: Vem de gen, isto é, que tem um bom gen, bem nascido, bem educado, bem criado. Gentil. Que tem boa verve.

HEROÍSMO: Pessoa que por seu conjunto de valores e virtudes é protagonista de atos que transformam para o melhor vencedor (a) pelas qualidades. Herói é aquele que está dentro do limite e o carrega. É a mística da resistência. Para o herói não há indecisão. A indecisão é o espírito não madurecido para dialogar com a vida.

SEGREDO: Não é contar ou não contar; mas é apreço; isto é, esperar a pessoa certa para revelar. Segredo é comunhão de vida,alma e palavras.

CARIDADE: Conceito cristão para a prática do Amor. É o Amor feito obras, gestos concretos de atuação.

PRAZEROSIDADE: É fazer valer o desejo; a orientação íntima do querer. É escutar mais os desejos. Se escuto os meus desejos atravesso os medos e atinjo uma identidade pessoal mais tranqüila. Desatar nós para que as energias da vida possam circular. O que passa pelo coração se transforma em amor.

PRUDÊNCIA: É a pessoa que age com muita moderação, sem precipitação. Pessoa cautelosa, comedida, atenta e que evita ocasiões de erro. Sensatez.

Continua amanhã

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR
DA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - V

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas


SENSIBILIDADE: É o “sprit de finesse”, isto é, o espírito de plena atenção e cuidado. Colocar todos os sentidos para perceber a vida. Não deixar nada passar despercebido. Afinar o espírito para ver, sentir e exercitar a atenção. O franciscanismo nos ajuda a criar uma estética da sensibilidade, isto é, ter gestos de leveza, delicadeza, sutileza nas atitudes e relações.

SERVIÇAL (a Vassalidade): É servir por Amor. Não é qualquer atividade feita simplesmente por fazer, mas é contribuir com o Criador e seus atos de Cuidado pela vida. É uma ação bem produtiva, bem atenta às necessidades dos outros. Não é uma ação que se faz visando o lucro; mas é estar gratuitamente voltado(a) para as pessoas e para a vida. Não fazer simplesmente por dinheiro, mas por uma causa nobre. Para Francisco de Assis, isto o moveu a servir leprosos, trabalhar com camponeses. Para ele o serviço faz parte da conversão. O estar junto com determina o lugar social que se quer abraçar e morar. Toda a ação que você faz está na dependência de servir. Você é servo e se faz naturalmente servo. A sua autonomia, liberdade e realização está em servir o Maior. É um modo concreto de viver a Minoridade.

CORTESIA: Maneira como o outro(a) deve ser amado(a) verdadeiramente. Um relacionamento de respeito, retidão e sinceridade. É a acolher o outro(a) na sua grandeza. É colocar a pessoa num acolhimento de bondade, num clima de bondade para que se sinta boa. Deixar transparecer uma serenidade existencial. Um tratamento seguro e amável que eleva a pessoa. É o cuidado com as palavras. Uma palavra dita de um modo sereno e humano motiva e recupera o humano. A cortesia reluz através de gestos de fraternidade, mansidão, gentileza, paciência, afabilidade e serenidade. Ser cortês é um modo de comportar-se diante do ser humano; às vezes é a forma de enfrentar o lado sombrio do ser humano, sabendo tratar o outro(a) nas suas diferenças.

Continua amanhã

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR
DA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - IV

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

PERSEVERANÇA: É a tenacidade dos que não desistem nunca. É manter o ritmo da persistência na busca para atingir uma meta. Não entregar-se jamais. O heroísmo é feito da persistência daqueles que não param à beira do caminho. É permanecer no sonho. Somente os que acreditam nos sonhos é que chegam à vitória.

FIDELIDADE: É servir a um valor maior. É fiel porque acredita na grandeza da escolha. Quem se entrega a algo muito grande não tem dificuldade em ser fiel.

LEALDADE: É aquele que não se afasta do que realmente vale a pena. É a virtude que traz o companheirismo, dos que caminham juntos na mesma causa.

OBEDIÊNCIA: Vem do latim medieval: ob + audire. Ob significa abertura, acolhida do espírito, abrir todos os sentidos. Audire é auscultar, isto é, ouvir o que vem de dentro. Escutar um Valor Maior. Quem escuta a plenitude dos sentidos não tem dificuldade em obedecer. Obediência, portanto, é escutar uma grande convocação, uma grande inspiração.

JUSTIÇA: É a virtude que induz a cumprir o que é devido como exigência de ordem e harmonia. É fazer conscientemente o dever, o cumprimento, é retidão. É a disposição permanente e dinâmica ao bem-valor. É uma retidão em consonância com a verdade.

Continua na segunda

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR DA
ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - III

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

FRATERNIDADE: Criar laços consangüíneos com uma família espiritual. É a qualidade das nossas relações. A pessoa se define pelas relações qualificadas. A fraternidade ajuda a abrir mão de interesses puramente egoístas.

CONFIANÇA: Con - fiar. Fiar com. Isto é: tecer os fios da mesma trama. É abandonar-se à criatividade. A confiança é criativa; ela permite. O paraíso perdido é a confiança perdida. Acreditar na força da vida capaz de desfazer um nó.

SOLIDARIEDADE: É a fecundidade social da capacidade de amar. O amor que sai de si e vai de imediato para a necessidade emergente da situação (de algo ou alguém). É não amar por dever, amar pela naturalidade da entrega. Não dar só pão, dar a humanidade junto com o pão. Libertar-se do ideal para trabalhar com o real.

DIÁLOGO: Através da palavra, através da comunicação, através da fala e da escuta, entrar no mundo das idéias num intercâmbio de compreensão. Recuperar uma fala e uma escuta terapêutica: é a fala e a escuta que permite atravessar os nossos medos. É saber silenciar. O falar e o pensar correto tem muito a ver com o silenciar.

DISCIPLINA: Escutar o valor maior na hora de exercitar-se. Impor uma conduta para vencer o apego apenas ao agradável e fácil integrando à vida grandes desafios.

HUMILDADE: Vem de Húmus. A fecundidade que está no subsolo da vitalidade. A força escondida que faz tudo desabrochar. A capacidade de assumir o próprio tamanho sem aparentar ser maior e nem menor do que se é: é a arte de ser o que se é! É a consistência interna que dá tempo para que tudo fecunde, floresça, desabroche. O humilde se submete a qualquer condição. Tem coragem. A humildade está muito ligada ao mistério de cada um.

Continua amanhã

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR DA
ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - II

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

REVERÊNCIA (Ou TEMOR de DEUS): É reconhecer a nossa pequenez diante da grandeza do Criador. Evitar a presunção e o orgulho reconhecendo a grandeza e a bondade de Deus. Esta virtude torna a alma delicada, fiel, respeitosa (cfr Eclo 2, 7-13 ). É admiração, encantamento, caminho de reconhecimento da conquista da verdade do Ser e de todos os seres.

PAZ: Busca da Inteireza. Vem de Shalom (judaísmo) ou Namastê (hinduísmo). A Inteireza do ser é sempre passar o melhor do divino e o melhor do humano que está dentro de si para o outro(a). É a mesma coisa que dizer: “Sê inteiro!”, “Sê inteira!”; deixar-se moldar pelo sagrado e transformar-se em protagonista desta força divina que age dentro: “Senhor, fazei-me instrumento de tua Paz!”

RESPEITO: Sensibilidade para perceber a verdade do outro (a), sua qualidade, sua tradição, sua bagagem, sua capacidade. Valorizar tudo e a todos. A beleza que você encontra no diferente de você mesmo é sua. É dizer: “A minha alma agradece por ter encontrado você!”. Ser sal da terra: respeitar e ressaltar no outro o gosto do outro.

GRATIDÃO: Capacidade de maravilhar-se diante de tudo que se recebe. Agradecer é reconhecer.

UNIÃO: É a arte de unir pedaços e moldar um mosaico de unidade. A virtude da união é reunir o múnus, isto é, o papel de cada um(a). Unir as diferenças para criar um todo. A diferença é condição para criar a união. Se não houver o diferente, como unir? Se pensarmos tudo igual...não precisamos pensar mais.
Continua amanhã

terça-feira, 8 de setembro de 2009

VIRTUDES A PARTIR DA
ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA - I

Mudar conceitos para mudar a nossa maneira de ver as coisas

SABEDORIA: Vem de sabor. O sábio é aquele que sente o gosto de todas as experiências. Vai com sede e fome na busca intensa do que quer. É a arte de saborear a experiência da Vida. Oferece um conhecimento mais saboroso da verdade. É um afinidade. A via é o paladar (no plano sutil). É ver com os olhos do Bem Amado. É o conhecimento saboroso da verdade. Como diz o Mestre Eckart: “Deus degusta-se nos meus sentidos”.

INTELIGÊNCIA: Fazer valer o intelecto como lugar do aprendizado, do conhecimento, do ensinamento. Fazer evoluir a mente. Inter-leggere é ler dentro, penetrar fundo na ordem natural. É ter intuição do significado profundo.

CONSELHO: A palavra precisa na hora oportuna. A direção espiritual, moral, ética, virtuosa. A troca de experiências como testemunho de vida e apoio. Faz parte da prudência. Tomar decisões oportunas sem insegurança. Sugere o que fazer nas dificuldades da vida, ensina como falar, a quem falar e quando falar.

FORTALEZA: Vigor. Buscar a segurança e a estabilidade emocional. Trabalhar o físico, o espiritual e o psíquico para não de desconsertar em qualquer situação. É tenacidade. Unir as forças humanas com as forças divinas. Uma força que pode transformar obstáculos em meios; assegura tranqüilidade e paz mesmo nas horas mais atormentadas. Torna-nos capazes dos mais generosos sacrifícios.

CIÊNCIA: Ciente do ser e dos seres. Conhecer. Buscar para compreender. Sonda o universo e seus fenômenos. É entrar na realidade de tudo sob a luz de Deus. Vê cada criatura como reflexo da sabedoria e bondade do Criador. Dar o devido valor à todas as coisas, às pessoas, aos fatos e as realidades da vida e do mundo.

PIEDADE: É o modo de ser sensível na arte de relacionar-se. Procurar um relacionamento reto e justo e ser reto e justo em ter soluções para as dores do outro (a). É uma orientação das relações. É um interesse fraterno que visa o melhor. Nos capacita a enxergar e não camuflar a essência do outro (a).

Continua amanhã

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O lugar da Mística da Resistência

O Centro Franciscano de Luta contra a Aids faz 15 anos amanhã (03/8).

A Mística, para muitos, é o último recurso para resistir numa situação de limite, de abandono, de sofrimento, de incertezas. Nesta hora é preciso encontrar lugar e pessoas que se encontram par ajudar a deixar transparecer a esperança, e se houver dor, achar o lugar da superação da dor. É o resgate do sentido heróico da existência. A mística traz o heróico e o heróico é a persistência na resistência. É assim que a ordem surge no meio de quase um caos. A Mística da Resistência aproxima pessoas. Na ecologia é resistir qualquer destruição da natureza; nas relações humanas é resistir a qualquer abandono e falta de cuidado pela vida. O Cefran, nestes 15 anos é o lugar desta Mística da Resistência. Ele tem força histórica moral e argumentação moral suficiente para dizer do verdadeiro lugar fraterno.

Ali transborda a energia do Amor. Ali está um manancial de cuidados que geram esta misteriosa capacidade de ser gente vencedora. Como é bom unir pessoas sensíveis às dores dos outros. É o lugar privilegiado do mais valioso encontro, o lugar da irmandade e da fraternidade. Este lugar é pura transparência de uma verdade: na dor da criatura humana, abraçada e curada, transparece algo muito grande, essencial; transparece ali uma finitude abraçada pelo Infinito. A fragilidade amparada pela potente energia do Amor gera um humano novo e forte! Parabéns Cefran! Parabéns pelos seus 15 anos em ser fonte de calor humano, proteção, companhia nas horas importantes, ação coletiva, jeito raro de ser partilha, dedicação, doação, generosidade, simplicidade, alegria, serviço, solidariedade, comunhão, lágrimas, festa, voluntariado, máximo cuidado.

Parabéns por concretizar de um modo tão evidente aquela mensagem inspirada no jeito franciscano de viver: “Pois é dando que se recebe!"

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Palavra Franciscana


Usar um hábito, cortar cabelos à moda da antiga tonsura, jejuar, vestir-se de pobre só porque São Francisco apresentava-se assim não é interessante para nós modernos. O mais importante é entender a Força Originária que está aí.