sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Ordem Franciscana, 800 anos


Neste ano de 2009 completam-se os 800 anos da fundação da Ordem Franciscana. Em 1209, Francisco de Assis vai a Roma, com nove companheiros, pedir a aprovação da sua Forma de Vida. Eva um manuscrito que são fragmentos escolhidos do Evangelho, valores vindos da vida e pregação de Jesus que determinam a iluminação da vida e prática de Francisco e seus primeiros seguidores. É recebido pelo Papa Inocêncio III. O que é apresentado para o Papa não é uma Regra de Vida segundo os padrões da normalidade e da canonicidade, falta o dedo de um redator qualificado. Mas está ali a essência do Evangelho. O Papa abençoa e permite que aquele Projeto de Vida Evangélico tome seu caminho. A Bênção é a sua verdadeira aprovação.

Texto publicado na Folhinha do Sagrado Coração de Jesus - 2009

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Uma pergunta existencial presente no Salmo 8


Conclusão
Na procura de sua identidade, de seu modo de ser, o ser humano também faz a experiência da oração. Em ser alguém orante é condição para estar despojado diante de tudo, sentir-se nada na vida, vazio de tudo para aí sim descobrir a sua plenitude.
Nesta reflexão percebemos que este Salmo 8 é uma sensível exclamação que admira a grandeza divina e por isso mesmo responde ao ser humano qual é o seu lugar.
O seu lugar é estar bem situado no mundo, sendo um privilegiado parceiro do Senhor, sendo a voz do Senhor, sendo a transparência do Senhor.
Para responder à pergunta: "O que é o ser humano?" o autor do salmo andou pela natureza, contemplou, viu. Fez a experiência. Compreender é refazer a experiência do outro. O ser humano responde bem sobre a sua identidade se procura refazer a identidade de onde veio, isto é, do Senhor. Imagem e semelhança de Deus não é apenas um título mas é sentir-se co-responsável na obra criadora.
Este texto nos leva a pensar que o ser humano deve ter os seus olhos abertos para a profundidade das coisas. Temos que aprender a dar um mergulho religioso na realidade. Temos que perguntar:
Poderá o mundo técnico, secular, segmentarizado, pluralista, urbano, opaco, revelar Deus e a verdadeira identidade do ser humano?
Essa pergunta é falha. A verdadeira pergunta consiste: Poderemos nós, neste mundo técnico, secular, segmentarizado, pluralista, urbano e opaco vermos a presença de Deus? Vermos a dignidade do ser humano? Deus está presente sempre em tudo e em toda parte. Isso não faz o problema. O problema é se nós temos olhos para vê-lo. Se contemplarmos bem Deus... o ser humano se tornará mais iluminado. Que o salmo 8 seja para nós uma grande ajuda nesta experiência de ver.
Notas
(1) COX D. I Salmi..., p. 73
(2) COX D, O.C.p 77
(3) L.A. SCHÖKEL, Trenta Salmi, p. 66
(4) L. A. SCHÖKEL, O.C., p.66
Bibliografia
COX D, I Salmi, incontro con il Dio vivente, Edizione Paoline, Milano 1986, 73-77
GONZÁLEZ A., El libro de los Salmos, Herder, Barcelona 1984, 74-77
L.A. SCHÖKEL, Trenta Salmi: Poesia e Preghiera, EDB, Bologna, 1982, 61-78
WEISER, A., I Salmi 1-60, Paideia Editrice Brescia, Brescia 1984, 145-152

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Uma pergunta existencial presente no Salmo 8 - IV

4. Análise de alguns elementos do Salmo
a)
Deus:
É o protagonista de todas as ações. Abre e fecha o salmo. O salmo não é um hino ao ser humano, mas um hino a Deus através do ser humano. No salmo aparecem verbos bem fortes que mostram a ação de Deus: fundou, fixou, recorda, cuida, fez, coroou, deu o poder, colocou. Todos os verbos têm o ser humano como objeto e exprimem uma relação muito pessoal de Deus com o ser humano. As coisas Deus fez. O ser humano Deus recorda e cuida.
Aqui vemos mais uma resposta à pergunta: “O que é o ser humano?” O valor da resposta e o valor do ser humano está no fato de ser amado de um modo muito especial por Deus: Quem ama cuida! Deus cuida do ser humano pessoalmente.
O salmo, numa graduação encadeada observa passo a passo os momentos em que se faz a ação de Deus: Deus se recorda do ser humano e o visita, desta visita surge um ser quase divino, com jeito de glória e esplendor de quem o criou, o coloca no domínio de todo o criado, o ser humano pode dispor de tudo, dos seres grandes e pequenos, em todo tempo pode dispor dos seres vivos que estão na terra, no céu e no mar. Deus mesmo dá a resposta ao que é o ser humano: um co-criador, o vice-rei de toda a terra.
b) Ser humano? O que é o ser humano? O salmista se encontra sob o céu estrelado contemplando a imensidão do criado. A grandeza do cosmos faz com que pergunte pelo seu eu. A sós com o céu vê a si mesmo. E como se vê? Se vê como coisa pequena. É um nada. Porém este nada é tudo porque está na intimidade de Deus.
"Se a contemplação do mundo provoca um grito de admiração, a visão do homem provoca uma pergunta desconcertante. Esta pergunta é essencial dentro do salmo, é a chave do salmo, isto é, constitui o específico deste salmo a respeito do Louvor ao Senhor que é dividido com tantos outros”(3).
O que é o ser humano? O ser humano é este grande interrogativo que está presente na terra, esta curva que retorna sempre a si mesma, perguntando-se. É o único animal que sabe e não de si mesmo. É um ser que se interroga sem nunca chegar a uma resposta definitiva (4)
É toda a humanidade e cada ser humano que está representado nesta pergunta. Na contemplação religiosa de todo o ser criado surge o olhar transcendente. Não é um ver o imediato visível que aparece, mas é um ver a profundidade das coisas. É uma pergunta metafísica que não se acontecerá com uma resposta pronta, acabada.
Religião e poesia dão-se as mãos neste salmo. O autor lê a resposta a Deus e a si mesmo no criado. É um poema divino onde o ser humano é uma letra, e, portanto, pequeno, porém é uma letra importante, e por isso mesmo se torna grande. A grandeza do ser humano está no fato que com todo o ser criado ele deve desaparecer para deixar Deus transparecer. É um ato de fé no ser humano. O autor crê no ser humano. O ser humano é para ele a obra mais perfeita e a mais audaz revelação de Deus.
Não é um canto ao ser humano, mas o ser humano é um sinal sensível e testemunhante da glória de Deus: a sua função é ser o sacerdote entre Deus e o mundo.
c) Recordar: Escolhemos este verbo como um elemento importante na análise deste salmo. Em hebraico: “Zakar”. Indica algo mais real do que o nosso simples lembrar. Não é uma mera lembrança. Mas é a ação eficaz de Deus que dá à vida, à existência, que dá ao homem a capacidade de ser a sua imagem, senhor e dono da criação. O homem deve estar constantemente na recordação do Senhor de seu coração.Em português este verbo é muito rico. Ele é formado por três palavras: RE – COR – DAR: prefixo grego que significa trazer de volta, de novo, novamente. DAR: o verbo. Fornecer, entregar gratuitamente. COR: do latim cor, cordis = coração. Temos três línguas representadas no significado forte da palavra: o grego, latim português. Ajuntando os significados teremos uma definição completa da palavra: RECORDAR: trazer novamente de volta ao coração. Dar novamente ao coração.
O ser humano consegue encontrar-se melhor quando não esquece da recor-dação constante de Deus. O ser humano é enquanto é sintonia com o divino.
d) Antropomorfismo: Analisemos alguns antropomorfirmos presentes neste salmo:
- Boca: “Pela boca das criaturas e dos pequeninos”(v.3). O exercício do louvor se faz pela boca, com a boca. É um órgão concreto da linguagem, da fala. A experiência precisa ser dita. A fala é importante na concreção de uma experiência. A fala distingue o homem dos outros seres criados, ele pode manifestar a sua experiência com palavras. A criança descobre o mundo do dia-a-dia pela boca. Põe tudo na boca. Dá nome, experimenta, saboreia, diz. A boca é um modo de ver e sentir. É aceitar com simplicidade a beleza natural e original de tudo. O que é o ser humano? É aquele que pode saborear a experiência. Não é apenas uma sucessão de reflexos, mas é algo vital, que vai às entranhas.
- Crianças: O ser mais harmonioso que existe. Não contaminado ainda pelas experiências negativas. O puro aberto do natural. Uma descoberta serena da alegria de viver. Ser homem é nunca deixar de ser criança. O comportamento infantil ajuda o ser humano a enfrentar o mundo sem agressividade. O que é o ser humano? Aquele que deve viver numa serenidade existencial assim como estão, nesta serenidade, todos os seres.
- Mãos: “Quando contemplo os céus obra de teus dedos (Mãos). V.4. Aqui temos uma imagem belíssima do caráter artesanal da criação. Deus não fez o mundo de qualquer modo, não o fabricou em série, mas teve o cuidado especial com cada coisa. Um cuidado de artesão. Não é simplesmente um ato de inteligência, uma sabedoria levada à técnica, à teoria, nem é uma ação mágica distante... mas é um trabalho artesanal. Um trabalho de artista. O artista é aquele que pega a estrutura e põe nela a sua profundidade. Trabalho de artesão é paciente, detalhado, delicado, terno, é um fazer e re-fazer, um re-passar, um modelar formas perfeitas. O que é o ser humano? Assim como todas as obras da criação é um ser tecido e modelado pelos cuidados de um Deus.Estas visões plásticas e corpóreas são uma constante nos salmos e nos ajudam compreender a ação de Deus e a interpretação do homem.

Continuaremos amanhã com a conclusão

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Uma pergunta existencial presente no Salmo 8 - III


3. Estrutura do Salmo
Façamos um breve comentário ao desenvolvimento estrutural deste Salmo.
V.1 – Um título acrescentado posteriormente por quem organizou a coletânea salmística e que prova a organização ritual como um exercício de relacionamento com o divino.
V.2 – “Senhor, nosso Deus, como é grandioso teu nome...” É o tema do Salmo. Deus é louvado. É uma investigação racional sobre a grandeza de Deus. Maravilhado com a magnificência de Deus,o ser humano se questiona: se Deus é tão grande, então... o que é o Ser Humano?Dar nome significa colocar na familiaridade. O salmista vê o seu Deus presente nas Criaturas. Elas são sinais de Deus. A criatura revela o Criador e isto ele pode ver. Na magnificência da Obra ele pode nomear quem fez a obra.
V.3 – Diante do concreto da Obra deve imperar o silêncio. Nem mesmo os inimigos têm autoridade para contestar a concreção do Deus que faz uma obra perfeita.
V. 4 – Contemplar, ver. Começa do Cosmos criado. É como uma escada mística (cf. O Sonho de Jacó, o Cântico das Criaturas) pela qual o orante sobe e desce para perceber o seu Deus bem próximo. O que ele vê e contempla são vestígios, sinais visíveis do amor de Deus esparramado, transbordante.
V. 5 – Ao ter o olhar voltado para as coisas do alto, o salmista vai encontrando progressivamente uma resposta: Se posso perceber a grandeza de Deus, então posso saber quem é o ser humano. Assim, extasiado percebe que o ser humano é a Obra-prima de Deus.
V. 6 – A grandeza do Ser Humano está em ser pouco menos que um Deus.
V. 7 – A grandeza de Deus está em ser pouco mais que o ser humano. O fez à sua imagem e semelhança, e divide com ele o cuidado e o domínio da criação (1)
Vs. 8 e 9 – É a natureza que é cantada, o mundo animal, o mundo material. São a língua e o instrumento expressivo de uma experiência religiosa. Os elementos cósmicos e naturais são celebrados como símbolos de uma questão interior. Tudo é claro, luminoso e imediato.
V. 10 – Deus é celebrado, encarnado dentro do contexto da terra. A experiência de Deus vem para o chão da certeza daquilo que o homem pode experimentar (2).
Amanhã, continuaremos com “Análise de alguns elementos do Salmo”

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Uma pergunta existencial presente no Salmo 8 - II


Gênero literário
O Salmo 8 pertence ao Gênero Literário dos Hinos. E a característica principal desta família dos Salmos é o louvor a Deus. Um louvor gratuito e desinteressado que pode ser motivado a partir do que Deus é em si mesmo ou do que Ele fez ao Povo de Israel.Este gênero tem a sua origem na celebração, no rito, na liturgia. Nasceu para comemorar um acontecimento histórico de Deus intervindo na vida, nasceu da gratidão cantada e rezada nas festas anuais, no culto.
Tem uma divisão muito simples: Introdução, Corpo, Conclusão. Falemos de uma maneira sintética de cada uma destas partes.Na introdução se convida ao louvor. Este convite é dirigido a seres diversos: os da terra, do céu, do mar etc. Tem um motivo: o nome de Deus deve ser lembrado e louvado por causa de seus atributos e suas obras.O Corpo diz o porquê do louvor. Este louvor deve ser muito bem motivado, direcionado à lembrança da grandeza de Deus e de suas obras prodigiosas, a natureza, a história, a benevolência especial com o povo de Israel e com os justos. Nesta parte o poeta conta o quanto a história e a teologia têm revelado Deus.
A conclusão faz uma síntese do tema ou repete o começo com um novo convite ao louvor.Qual a importância destes detalhes em referência à pergunta existencial? Se este Salmo pertence aos Hinos é evidente que está ligado à celebração, ao rito. Sabemos a importância do rito e nem precisamos detalhar o seu significado aqui. Mas rito é a repetição do mesmo. É uma grande possibilidade de encontro. Numa liturgia, ao se repetirem ritualmente tantas verdades, o homem não pode fugir de refleti-las, de medir-se com a força das palavras, deve meditar, contemplar, memorizar. O rito traz refrões, versos, rimas, palavras bem definidas que portam toda uma bagagem de vida e experiência. Vem das cavernas profundas da divindade, da humanidade. Porque contemplo o céu eu pergunto (cf. v.4). A repetição é um método místico de se fazer aquilo como se fosse a própria respiração. Se você se embala nisto chega a uma fascinante iluminação, chega a um encontro com o Senhor que é a verdade de seu coração. É sacar as energias que brotam de dentro das fórmulas, é perceber a força divina que está naquela repetição de palavras. Por isso, os salmos eram recitados e até hoje continuam a ser recitados. Oração não é algo idílico, de elevação da mente, de louvação sentimental, êxtase... mas é, com um trabalho muito sério, tirar para fora uma inspiração que está ali. Para este ofício a liturgia, o rito, a celebração também ajuda muito.Na repetição do rito o homem vai aprendendo a não se distrair mas a dialogar com as suas perguntas.

Amanhã, continuaremos com a “Estrutura do Salmo”

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Uma pergunta existencial presente no Salmo 8

Introdução
O humano é um eterno peregrino em busca de si mesmo, um ser em busca constante. Ele se percebe inacabado. Essa consciência o faz questionar-se, e isso é sinal da necessidade de conhecer-se e conhecer o mundo envolvente. Neste processo lança para si mesmo uma série de perguntas. Este questionamento é o esquentamento da busca.
Este trabalho tem por finalidade mostrar o humano que se interroga frente à uma experiência religiosa, frente a um contato muito profundo com o seu Deus, um humano-orante preocupado com o seu destino e o seu estar-situado nesta terra dos homens. Por isso demos o título a este trabalho de: “Uma pergunta existencial presente no Salmo 8.
Por que dizemos: Pergunta existencial? É porque existem várias maneiras de se colocar questões. Existem perguntas técnicas, existem perguntas dialogais para criarem a dinâmica de uma conversa ou de uma entrevista, existem perguntas meramente filosóficas para acionarem o pensamento que pensa, e, existem as perguntas existenciais. O que é uma pergunta existencial? É aquela que o homem faz para entender o seu ser, é o diálogo com a sua profundidade. É o movimento de espírito que faz para compreender a realidade. Não é uma pergunta fácil. É preciso muita coragem para dialogarmos com as nossas perguntas existenciais.
Neste salmo encontramos esta pergunta: “Quando contemplo... o que é o homem, para que te recordes dele, o ser humano, para que com ele te ocupes?” (vs 4 e 5). Justamente esta questão quer ser a linha temática desta nossa análise. O homem foi criado por Deus à sua imagem e semelhança e esta é a força maior que o impulsiona à realização e à busca de si mesmo, na busca do humano total. Nesta caminhada, ele se assume e assume o mundo envolvente, num processo de descoberta de seu próprio ser em interação com o mundo que o cerca. O humano é um ser capaz de se realizar quando se serve de suas potencialidades e capacidades, quando busca a sua origem, quando interroga Deus para transformar-se e tornar-se melhor, estabelecendo relações interpessoais.

O Salmo 8
Glória de Deus e grandeza do homem
1 Ao regente do coro. Com a lira de Gat. Salmo de Davi.
2 Senhor, nosso soberano,
como é grandioso teu nome em toda a terra,
e tua majestade que se celebra acima dos céus!
3 Pela boca das crianças e dos pequeninos
preparaste teu louvor contra os adversários,
reduzindo ao silêncio o inimigo e orebelde.
4 Quando contemplo o céu, obra de teus dedos,
a lua e as estrelas que fixaste,
5 o que é o homem, para que te recordes dele,
o ser humano, para que com ele te ocupes?
6 Tu o fizeste um pouco inferior a um ser
divino, tu o coroaste de glória e esplendor;
7 deste-lhe o domínio sobre as obras de tuas
mãos, tudo lhe submeteste debaixo dos pés:
8 as ovelhas e todos os bois
e até os animais selvagens,
9 as aves do céu e os peixes do mar,
tudo que abre caminho pelo mar.
10 Senhor, nosso soberano,
como é grandioso teu nome em toda a terra!

Na segunda-feira, continuaremos com a análise do Gênero Literário

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E AS ROSAS


Publico um texto de Eduardo Soares, militante da Pastoral da Juventude de Belém/Pa (edulogia@hotmail.com), que ele dedica "em solidariedade a Jon Sobrino".

Descobri que a vida precisa de rosas. Num mundo em que muitos acabam com as pétalas e deixam sobressaírem os espinhos, as rosas precisam de mais carinho. Sem seu cheiro a “razão” toma conta. Não que ela seja imatura, mas pelo fato de ser muito séria, culta.

Com seria o Senado ou o Pentágono se pelos seus arredores tivéssemos rosas e margaridas? Talvez não se resolveria todas as problemáticas nacionais e mundiais, mas suas respostas teriam outro cheiro: a redução da maioridade penal, a criminalização da homofobia, o aquecimento global e o empobrecimento social quem sabe não seriam tratados com o mesmo cuidado que as rosas merecem?

Conheci uma rosa chamada Teologia da Libertação e como as outras rosas não está somente na Igreja, mas também no jardim dos menos favorecidos. Plantada não somente por teólogos/as, mas principalmente pelos pobres, vem sendo regada por homens, mulheres, quilombolas, indígenas, crianças, jovens, idosos dentre outros/as, com o suor de sua luta e o sangue de muitos/as mártires.

Ela tem sua importância ecológica, mas busca sempre sintonizar-se a outras. Feminina de nome e de valor; mística de perfume e de natureza transcendente; política, por dar espaço a cada pétala revolucionária, pequena ou grande, tem seu destaque na beleza desta flor.

Para alguns que só vêem espinhos, ela é uma ameaça, entretanto, para muitos, a certeza de que nesta terra onde encontrar-se plantada, está sendo gerada vida. Exala seu cheiro pela vizinhança e sua fragrância anima para a militância.

Não é colocada na decoração de um casamento, simplesmente para enfeitar, mas para fortalecer o compromisso que ali está sendo firmado. Não está na berlinda simplesmente para embelezar a imagem, mas para mostrar que o caminhar ainda é necessário. Não está no funeral para cobrir outros odores, mas para ratificar que a morte já não mata mais.

“Desce da cruz os pobres” e os teólogos condenados (direito ou indiretamente), para que possam sentir o doce cheiro da libertação. Dá forças para aqueles/as que no caminho do Calvário, a cada estação, plantam rosas de esperança e sonho, para que um dia ressuscitem no jardim das rosas.