segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Se correr o bicho pega?


Quem de nós não conhece este dito popular? Quem de nós já não correu de um cão raivoso e provocador, de um ganso irritado, de um boi mais exaltado? Não tem muito folclore nisto não; mas sim a verdade de que se colocarmos em perigo o afeto temos que sofrer as conseqüências dos sustos. Para cada ação de agressividade e indiferença pode haver uma reação de violência e destruição. Às vezes usamos a provocação de raiva e ódio e nos jogamos uns contra os outros. Não é melhor juntar as forças do bem? Não é melhor unir na harmonia e na entre-ajuda? Não é melhor o afago do que o chicote? Não é melhor o colo do que expulsar do convívio? Vamos ter mais controle dos atos! Por isso gosto demais da ampliação do dito popular citado que um dia ouvi: “Se correr o bicho pega; se ficar o bicho come; mas se juntar o bicho foge!” É a arte da integração!
Texto publicado na Folhinha do Sagrado no dia 28 de setembro de 2008

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

É PRECISO SENTIR O ESPETÁCULO DA CONVIVÊNCIA


A Folhinha do Sagrado Coração da Vozes é precisa: dia 22 de Setembro, às 12h46 é o início da Primavera. Folhinha e Almanaque existem para acordar–nos para os detalhes da vida. Somos alienados porque não percebemos mais estas coisas. Temos que prestar atenção ao nosso modo de conviver com tudo o que existe. Ainda que há uma quebra mundial na economia, é Primavera! Ainda que os carros de campanha política infernizem os nossos ouvidos com a mentira de palanque, é Primavera! Apesar da alta do dólar,apesar do Dunga e do Diogo Mainardi, é Primavera! Que ela nos restitua o sentido da convivência mais refinada com todas as coisas!
A Primavera transforma a vida num jardim florido. Jardim é uma palavra Originária (o Jardim do Éden). É uma afloração de plantas e de gente, é lugar de estar à vontade, de estar num modo espontâneo feito tênis, abrigo, jeans, chinelo, pé no chão. No jardim a vida está ali na festa da sua naturalidade. Nós precisamos do jardim (o Jardim do Paraíso). Por que não vamos mais ao Parque da Luz, ao Trianon, ao Jardim Botânico, ao Ibirapuera? Por que não passeamos na floresta? Por que dizemos natureza selvagem e não cantamos mais “vamos passear no bosque antes que o lobo venha...” Não podemos nos expulsar do Paraíso!
A Primavera nos resgata o jardim e no jardim há o fazer humano; o jardim é uma síntese, o cultivado, o selvagem cultivado. Quem trabalha no jardim é afeiçoado pela natureza. O verdadeiro jardineiro não ameaça o jardim, deixa-o ser! Não cultiva nem mais, nem menos, simplesmente deixa ser o natural. No jardim habita a natureza. A natureza bruta só pode ser entendida a partir dela mesma. No princípio havia o Jardim do Paraíso, não havia a floresta com seus medos. Com a desobediência, o humano se expulsa do jardim e vai viver com medo de cobras, cipós, sombras e animais. Temos que reconquistar a alegria de viver sem medo, isto é, restituir em nós o jardim: o ser originário do humano.
Hoje, nós visitamos mais monumentos de pedra; é melhor visitar a pedreira. Precisamos ver mais a configuração do terreno, isto que é deixar o jardim ser natural. Deixar-se atrair pelo ser do jardim. Mudar o nosso modo de pensar e o nosso modo de andar. Andar mais leve para não ferir as pedras e o jardim. O modo de andar leva a pensar. No jardim deve-se andar de um modo compassado e lento... andar como o jardineiro; não andar como andamos na Avenida Paulista e na Berrini.
Vamos aprender com o jardineiro fiel... para o jardineiro, o mais importante é o Amor que ele tem pelas plantas, sementes e canteiros. O jardim é a obra que brota de seu modo de amar. O modo de amar é a liberdade da natureza. Qual é o nosso Jardim hoje? É quase uma decadência... Até o orquidário nós vemos de um modo abstrato ou comercial, olhamos a partir do funcional. A tecnologia hoje é o nosso jardim. Olhamos mais e-mails e pps do que flores.
A Primavera quer que voltemos ao Jardim, pegar este modo de ser natural e recomeçar a perceber milhões de coisas que antes não se via. A Primavera nos ensina a cultivar, cultivando-se. A Primavera nos pinta um quadro de rara beleza de ipês, azaléias, hortências e jasmins. A natureza dança a dança do vento, chuva, sol e cor. Você gosta da dança porque há um dançarino dentro de você; você está no passo da vida; mas nem sempre está na consciência do passo da vida. A arte nos mostra que estamos na restituição da vida, e isto nos permite ver a beleza. É uma experiência ontológica, isto é, o humano colhido pelo ser natural. Você gosta da Primavera porque há uma semente dentro de você pedindo para desabrochar.
A Primavera nos possibilita a ser melhores!

Feliz Primavera à todos!
Frei Vitório Mazzuco Fº