sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O difícil ofício da vida


Reproduzo neste Blog o texto do meu amigo Paulo Palladini, que vale a pena ser lido e refletido.

O difícil ofício da vida
No poema dedicado ao amigo Sierguei Iessienin, poeta como ele, e que acabara de se suicidar, Vladimir Maiakovski escreveu: “Nesta vida morrer não é difícil. O difícil é a vida e seu ofício”. Quatro anos depois, no dia 14 de abril de 1930, o próprio Maiakovski considerou, talvez, o ofício difícil demais também para si, e repetiu o gesto do amigo. Viver é difícil e, além de difícil, muito perigoso, completaria o vaqueiro Riobaldo metido nas veredas do grande sertão desenhado por João Guimarães Rosa. E, como o samba do saudoso poeta, nada disso se aprende na escola. Apesar de todos os manuais, de todas as igrejas, todos os ensinamentos, filosofias, inscrições em pedras diversas e computadores. Viver se aprende vivendo. Como amar se aprende amando. Nossos pais nos ensinaram muitas coisas, Muitas coisas ensinamos para os nossos filhos. Mas viver, cada um aprende sozinho. Por si. É mais ou menos como respirar. Se a criança, ao nascer, não respira, ela morre. E ninguém pode ensiná-la como fazer isso. Algo que ela nunca fez antes: abrir as narinas e a boca, expandir os pulmões, encher o peito de ar, expirar, não parar nunca mais. Só a criança pode fazê-lo. Desde os tempos mais primórdios é assim. E desde antanho tem gente querendo dizer – e diz – aos outros como é que é viver, Como se deve ser. Ou como é viver bem. Preceitos para uma vida boa. O mundo está cheio de literatura desse tipo. Literatura de auto-ajuda. Um livro de auto-ajuda, além de ajudar só o seu próprio autor, sempre tem a pretensão de ensinar aos outros – nós – a arte de viver. Na verdade não é auto-ajuda. Nem ajuda. Nem literatura. Mostra sempre um ponto de vista exterior, um referencial externo ao indivíduo, um preceito, uma norma, que se pretende universal. É assim que se deve ser! Mas vida não é isso. Se viro norma, não vivo. Se quebro a norma, não sei. Quanto equilíbrio não deve haver entre a força que pulsa dentro de um indivíduo e o grande espetáculo da natureza e da sociedade? Definitivamente instalados nos princípios da incerteza e da dúvida: difícil é. Não é estranho que no reino de todas as nossas liberdades, fazemos tudo igual, imitando uns aos outros? As mesmas imagens marcam nossas retinas, desejamos os mesmos objetos, o mesmo corte de cabelo, usamos os mesmos pijamas. Temos as mesmas opiniões sobre quase tudo... Velha opinião formada. Compartilhamos das mesmas cenas na TV e na rede. Nossa evolução em direção à liberdade, a luta pela liberdade só serviu para desistirmos dela? Ou, nem mesmo ainda a alcançamos? Duvidar é ser livre! Liberdade é poder escolher entre três marcas de liquidificador, cinco modelos de camiseta. Dois carros vermelhos. Liberdade é bobagem! Bobagem? Cadê a minha velha calça azul e desbotada?
Confira o blog de Palladini


Imagem: Calça original da Levi Strauss & Co 501 jeans que tem mais de 115 anos de idade.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Jogo de Cintura

Dizem que nosso povo tem jogo de cintura, tem molejo, leveza, requebro e ritmo leve e solto como uma coreografia de samba. Jogo de cintura é isso e muito mais: é flexibilidade! A vida se adapta mais no ninho daquilo que é flexível. Rigidez demais mata a criatividade. A saúde habita mais e melhor em quem não é tenso, na soltura, na serenidade, no relaxamento e na positividade do sim! Na flexibilidade existe a vida, no rígido habita mecanismos de morte e a ditadura do não. É muito ruim conviver com a tensão, o estado perene de ansiedade e pressa, com o perfeccionismo doentio, com o excesso de contensão, com o intransponível, com o que não cede nunca. Gostoso é partilhar a vida com o maleável, com o que tem a paz dos que ainda não estão prontos e querem sempre aprender.


Este texto foi publicado na Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, no dia 25 de agosto.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

VALORES E PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE UMA VIDA FRANCISCANA


• Cultivar os valores evangélicos da justiça, da misericórdia, da compaixão e da caridade.
• Cultivar os valores típicos franciscanos: fraternidade, qualidade das relações, integração entre o feminino e masculino, cuidado, alteridade, cortesia, paciência, cordialidade, criatividade, simplicidade, minoridade, beleza e bondade, sabedoria, ternura, alegria, serviço, atenção aos sinais dos tempos, utopia e acolhimento.
• O entendimento do Humano como um ser sagrado
• Promoção de uma cultura de paz.
• Pluralidade cultural: abertura e acolhida ao diferente.
• Postura ecumênica e diálogo inter-religioso• Superação da discriminação e do preconceito de qualquer natureza.• Postura ética, exercício do bem comum.
• A política como exercício do bem comum.
• Respeito à dignidade da pessoa, à sua autonomia e ao seu direito a serviços de qualidade.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

PORCIÚNCULA - 2 de agosto


Lugar fontal para a nossa mística. Santa Maria dos Anjos: berço da fraternidade! Aqui começou a vida e o amor mútuo. Um santuário mariano-franciscano, lugar – santo, dos mais freqüentado em todo o mundo. É um espaço para rezar, refletir, purificar, encher-se de graça e iniciar novamente o caminho.
Se Assis é a “capital do espírito”, Porciúncula é um lugar necessário a toda humana criatura de nosso tempo: uma etapa, uma luz sobre o caminho. Ali emana um único fascínio: a mensagem pulsante do Evangelho, alegria, serenidade, simplicidade, fidelidade, pobreza...
Foi edificada no século X, no ano de 1045. Pertencia aos monges beneditinos do monte Subásio que ali alimentavam uma “pequena porção” de santuário. O que é o santuário? É um lugar sagrado onde a presença de Deus se manifesta. O mistério presente da divindade é que determina o lugar do culto.
Santuário é lugar e não museu arqueológico a mostrar e conservar memórias e glórias mumificadas do passado. Ali os acontecimentos passados são vivos e presentes: ali viveu Francisco, ali passou Clara, ali morreu o Poverello. Francisco e Clara continuam a ser mais vivos que nunca e a sua escolha de Amor é que marca definitivamente o lugar. Ali a Fraternidade se faz encontro,cresce,contagia e se comunica. (Cfr 1 Cel 106)
Em 1210 Francisco pede ao bispo de Assis e depois aos Cônegos de São Rufino alguma igrejinha para cuidar. A resposta é negativa. Vai então ao abade do mosteiro de São Bento, Dom Teobaldo. Este, com o consenso da comunidade monacal, concede a Francisco e a seu primeiros companheiros a Porciúncula para o simples uso e moradia. Só pedem uma condição: se a religião constituída por Francisco crescer, a Porciúncula seja a casa-mãe.
Dom recebido Dom dividido. A casa fundada sobre o sólido alicerce da Pobreza ganha um sinal: por graça e gratidão ao bem feito pelos beneditinos, há o gesto da retribuição: cada ano os frades mandavam aos monges um cesto cheio de peixes. Os monges agradeciam com um vaso cheio de óleo. LTC 56; LP 8.

Porciúncula:
• experiência primitiva de Fraternidade
• lugar reconstituído com o trabalho manual
• próximo aos bosques
• próximo aos leprosários
• pequenas celas para a moradia
• primeiro encontro com o Evangelho (Mt 10,5-15)
• ali o encontro do rumo definitivo na vida (1 Cel 21;LM 2,8;Lm 1,9;1 Cel 44)
• os primeiros companheiros Bernardo e Pedro vêm morar ali
• Bernardo, Pedro, Egídio e Francisco partem dali para a primeira missão
• a fraternidade cresce e encontra seu espaço
• é o santuário da missão ( 1 Cel 22;LM 3,1: LTC 25: Lm3,7;Fior13)

• No dia 19 de março de 1211/1112, chega a Porciúncula, a nobre jovem Clara de Faverone.
• Em julho de 1216, Francisco consegue do Papa Honório III a Indulgência ou o Perdão da Porciúncula.
• É um lugar muito elogiado. (1 Cel 106; LP 8-12:LM 2,8)
• Lugar dos Capítulos. Ali se realizou o famoso Capitulo das Esteiras – 1221. (LTC 57-59; AP 18,37-39; LP 114, Fior 18)
• Clara vai à Porciúncula visitar Francisco. Comem juntos num luminoso banquete espiritual. (Fior 15)• A irmã Jacoba de Settesoli, amiga de Francisco, chega pouco antes de sua morte, trazendo doce conforto. ( EP112;LP101;Cel 37-39)
• A irmã morte visita Francisco ( 2 Cel 214-217; LM 14,3-6;LTC 68;LP 64)

Ensinamentos da Porciúncula
• momento culminante da mudança radical de Francisco
• não teve dúvidas que o Senhor tinha suas exigências
• acolher o Evangelho, escutar o outro (a),percorrer o caminho proposto
• lugar de penitência e serviço
• ensina que todos devemos ser criativos (as) para fazer renascer a simplicidade primitiva.
• santuário da missão: enviar, regressar, fortalecer e orar.• capítulo: momento privilegiado de encontro