segunda-feira, 30 de junho de 2008

Solidariedade Contagiosa


Renasce em toda a parte a solidariedade, este valor que nos lança para fora de nós mesmos. Quem sai de si e busca soluções mergulha nas dificuldades dos outros e diminui a própria dificuldade. O solidário percebe a vida do outro e da outra, uma vida precária, insalubre, sem expectativa, sem graça, sem possibilidades, sem inclusão.

O solitário muda sua consciência, sua percepção, aguça a sua sensibilidade e o conceito de dignidade, amplia o senso de pertença comunitária e se mobiliza. Faz das necessidades do outro e da outra a sua causa, encontra o sentido da cooperação, do amor, da coletividade, da comunhão, de partilhar tempo, competência e coração.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

VERGONHA DA FOME


“A fome te destrói moralmente e você tem muita vergonha, principalmente quando temos família e não temos o que colocar na mesa para os nossos filhos. Isso acaba com você como pessoa. Eu, além de ter passado muita fome, meus filhos passaram comigo. Por isso, para mim, criança e combate à fome têm uma relação muito direta. Enquanto passava fome eu agüentava. O que eu não suportava era ver meus filhos passarem fome”. Este é o depoimento da ex-governadora do Rio, Benedita da Silva, para a revista “IstoÉ” em novembro de 2002. Superar a miséria e a fome nos torna capazes de conduzir vidas, compreender o ser humano, dirigir a sociedade.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

NÃO PASSAR FOME


Soam proféticas as palavras cantadas na música de Caetano Veloso: “Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. Como brilhar? Quem faz ilumina caminhos. É preciso engajar-se concretamente numa ação. Quem se ocupa bem por uma causa ilumina suas práticas. Temos que ter presente também a convocação de João Pedro Stedile: “Só a luta social faz as mudanças sociais. Não basta apenas termos um governo com vontade de resolver os problemas do povo. É preciso que o povo se organize, se mobilize e lute pelas mudanças sociais”. Viva o que diz o Evangelho: Brilhe a sua luz vendo as suas obras!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

CONTRA A FOME E A MISÉRIA


O nosso inesquecível sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, falecido em 1993, é um dos nossos heróis na luta pela cidadania, na liderança de um movimento contra a exclusão, contra a fome. Diz Betinho: “A fome é exclusão. Da terra, do emprego, do salário, da educação, da economia, da vida e da cidadania. Quando uma pessoa chega a não ter o que comer é porque tudo o mais já lhe foi negado. É uma espécie de degredo moderno ou de exílio”.
Quando convocou o nosso povo para a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, Betinho não queria um efêmero entusiasmo solidário, mas que, a partir de gestos pessoais ou comunitários, nos comitês e em todas as iniciativas as pessoas ajudassem a alimentar famintos e percebessem os problemas sociais.
Betinho alimentou também a nossa consciência.
Texto publicado na Folhinha do Sagrado de 2004

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Santo Antônio que permanece


Santo Antônio morreu aos 13 de junho de 1231 no eremitério de Campo Sampiero, vizinho a Pádua. Sofria de hidropisia e outros males. A festa do santo comemora-se liturgicamente nesta data, mas sua vida está na vida diária do povo. Antônio é um santo próximo, íntimo, amigo. Um santo que amou profundamente a Deus e a toda criatura com sua cordialidade, piedade e desejo de justiça. É um santo intercessor, isto é, aquele a quem se recorre nas situações mais diversas, sobretudo nas mais sofridas, para encontrar conforto e segurança. Está muito presente e vivo no meio do povo humilde, nos países mais pobres, onde miséria e a opressão deixam espaço para a esperança. Com escreve Frei José Clemente Müller: “A semelhança dos grandes personagens da história, o homem Antônio passou, mas a causa permaneceu. Por isso, a fama que tiver em vida centuplicou-se com sua morte”. Nosso povo não celebra a morte de Santo Antônio, mas faz, há mais de 800 anos, sua presença bem vida, cada dia!
Imagem, Santo Antônio e a Eucaristia, de Cláudio Pastro

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Santo que todo mundo ama


Cada dia, e ainda mais neste ano do Centenário Antoniano, a Basílica de Pádua, na Itália, chama para si multidões de peregrinos num compromisso religioso que congrega devotos de todo o mundo. Santo Antônio, de quem diz: “O Santo que todo mundo ama” é um verdadeiro fenômeno a reunir milhares de pessoas. Só em Pádua, só em Lisboa? Não! Mesmo aqui no Brasil, muitas igrejas a ele dedicadas ou onde se incentiva a sua devoção; sobretudo às terças-feiras, os fiéis acorrem para as bênçãos e peregrinações. Peregrinar é algo mais do que caminhar, ou colocar-se na estrada para uma viagem. Peregrinar é movimentar-se para uma meta religiosa; é ir para um lugar santo ou para um santuário com uma profunda intenção religiosa ou simbólica. Peregrinar é a expressão de um povo em marcha, caminhando com seus sonhos, com suas esperanças e seus propósitos. Peregrinar é sair de um lugar para melhorar a situação, recompor os esquemas mentais. Peregrinar é buscar! Por ajudar nesta busca Antônio é por demais amado.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Santo Antônio: Herói da fé e dos fracos


O mundo medieval valorizou a figura do herói como aquele que fazia brilhar em si a honra e a virtude, uma vida bela e justa. Com o herói andavam juntas a coragem, a piedade, a austeridade, a sobriedade e a fidelidade; fazendo dele um modelo na busca da perfeição. Sua vida era plena de energia animadora. Toda história humana é uma história a partir de uma inspiração; assim o herói acrescenta, com sua vida, belas páginas de ideal, de superação e edificação. Para o povo santo é herói que se bateu pela fé e pelos fracos. Santo Antônio é admirado também a partir deste argumento. O povo lê a sua biografia e se enamora do seu amor, da sua caridade para com os pobres, da sua coragem em defender os frágeis. Para o povo Santo Antònio é aquele que usa as armas da palavra, da ternura, do milagre e da devoção: Não existem coisas mais poderosas no meio da luta para enfrentar as adversidades da vida. Infelizmente muitos heróis desapareceram no tempo... Antônio permanece!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Alguns traços biográficos de Santo Antônio


Celebramos há pouco tempo os 800 anos do nascimento de Santo Antônio e este fato deve ser bastante comemorado, pois ele é o Santo mais popular de toda a Igreja. Os documentos antigos e os historiadores colocam o dia 15 de agosto de 1195 como a data de seu nascimento, em Lisboa, Portugal. Recebeu no batismo o nome de Fernando. Não se tem muita certeza quanto ao seu sobrenome, mas conta-se que ele pertencia a família dos Bulhões, muito rica, nobre e poderosa. Por vontade de seus pais deveria ser um magistrado ou membro da hierarquia da Igreja, por isso foi desde cedo encaminhado para os estudos. Ainda adolescente manifestou tendências em seguir os caminhos do Senhor, sobretudo com uma fervorosa vida de oração. Aos 15 anos procura os Agostinianos em Lisboa. Entre os Agostinianos recebe a sua forte formação intelectual e religiosa. Aos 25 anos, em 1220, é ordenado sacerdote. Ainda neste ano passa a integrar a Ordem dos Frades Menores de São Francisco de Assis, continuando a sua busca de apostolado, missão e fervor evangélico.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Por que Santo Antônio quis ser Franciscano?


Sabemos que Santo Antônio viveu e formou-se entre os Cônegos Regulares de Santo Agostinho, os Agostinianos, na abadia de São Vicente, em Lisboa, e no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, que foi a capital do reino de Portugal. Em 1220 passa a seguir as pegadas de São Francisco de Assis. Por que? Olhando as antigas biografias encontramos um motivo claro: o idealismo missionário. A nova Ordem Religiosa estava na estrada vivendo a pobreza total e a vontade de conquistar o mundo para Cristo. Conta-se que os cinco primeiros mártires franciscanos foram mortos em Marrocos e trazidos para Coimbra no mosteiro onde vivia o jovem Fernando de Bulhões. A presença dos mártires ali o tocou profundamente, e ele quis imitá-los. Pede para ingressar na nova Ordem, e no mesmo ano de 1220 parte para Marrrocos para ser missionário; mas não consegue ficar ali pois a saúde não permite. A doença o faz regressar e ele experimenta o que é ser um missionário da dor. A doença inicial afinou o espírito para a dor dos outros, por isso os que sofrem recorrem a Santo Antônio.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O cônego Fernando se torna Frei Antônio


Na antiga tradição dos religiosos, ao entrar para a vida Religiosa, mudava-se o nome para significar: nova identidade, nova família, nova escolha, nova missão, novo chamado. O jovem Fernando de Bulhões deixa o seu nome e escolhe outro: Antônio! Nome que se tornará conhecido e copiado no mundo todo! Frei Antônio tornar-se-á Santo Antônio! A nova escolha lhe trouxe santidade e fez de seu nome uma emoção e devoção. Por que o nome Antônio? Escolheu este nome em homenagem e imitação do santo padroeiro do convento franciscano de Coimbra que acolheu: o eremita Santo Antão. Antão, Antônio é derivativo de “Altitonante”, isto é, aquele que resssoa bem, que troveja lá no alto, que dá estrondo, que é retumbante, que soa alto, que se pode escutar com clareza, altissonante! Santo Antônio! Aquele que fez ressoar a Palavra de Deus com sabedoria, com profundidade, com clareza! Santo Antônio! A trombeta do Evangelho! Grande orador sacro, autor de grandes sermões que soube ser um bom pregador popular quanto um professor de teologia. Deus falou através dele!