terça-feira, 29 de abril de 2008

O TAU E A BÊNÇÃO


Francisco se apropriou da bênção deuteronômica, a transcreveu com o próprio punho e deu a Frei Leão: “Que o Senhor te abençoe e te guarde. Que o Senhor mostre a tua face e se compadeça de ti. Que o Senhor volva o teu rosto para ti e te dê a paz. Irmão Leão; o Senhor te abençoe!” Sob o texto da bênção, o próprio Frei Leão fez a seguinte anotação: “São Francisco escreveu esta bênção para mim, irmão Leão, com seu próprio punho e letra, e do mesmo modo fez a letra TAU como base”. Assim, Francisco, num profundo momento de comunicação divina, com delicadeza paternal e maternal, abençoa seu filho, irmão, amigo e confidente. Abençoar é marcar com a presença, é transmitir energias que vêm da profundidade da vida. O Senhor te abençoe!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

TAU: SINAL DA CRUZ VITORIOSA

Cruz não é morte nem finitude, mas é força transformante; é radicalidade de um Amor capaz de tudo, at‚ de morrer pelo que se ama. O TAU, conhecido como a Cruz Franciscana, lembra para nós esta deslumbrante plenitude da Beleza divina: amor e paz. O Deus da Cruz é um Deus vivo, que se entrega seguro e serenamente à mais bela oferenda de Amor. Para São Francisco, o TAU lembra a missão do Senhor: reconciliadora e configuradora, sinal de salvação e de imortalidade; o TAU é uma fonte da mística franciscana da cruz: quem mais ama, mais sofre, porque muito ama, mais salva. Um poeta dos primeiros tempos do franciscanismo conta no “Sacrum Comercium”, a entrega do sinal do TAU à Dama Pobreza pelo Senhor Ressuscitado, que o chama de “selo do reino dos céus”. Dama Pobreza clamam o menores: “Eia, pois, Senhora, tem compaixão de nós e marca-nos com o sinal da tua graça!” (SC 21-22).

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O TAU NAS FONTES FRANCISCANAS


Os biógrafos franciscanos nos dão testemunhos da importância que São Francisco dava ao TAU: “O Santo venerava com grande afeto este sinal”, “O sinal do TAU era preferido sobre qualquer outro sinal”, “O recomendava, freqüentemente, em suas palavras e o traçava com as próprias mãos no rodapé das breves cartas que escrevia, como se todo o seu cuidado fosse gravar o sinal do TAU, segundo o dito prof‚tico, sobre as frontes dos homens que gemem e lutam, convertidamente a Jesus”, “O traçava no início de todas as suas ações”, “Com ele selava as cartas e marcava as paredes das pequenas celas” (cf. LM 4,9; 2,9; 3Cel 3). Assim Francisco vestia-se da túnica e do TAU na total investidura de um ideal que abriu muitos caminhos.
Imagem do Tau feita por Frei Dito

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O TAU COMO IDEAL


No mês de novembro de 1215, o Papa Inocêncio III presidia um Concílio na Igreja Constantiniana de Roma. Lá estavam presentes 1200 prelados, 412 bispos, 800 abades e priores. Entre os participantes estavam São Domingos e São Francisco. Na sessão inaugural do Concílio, no dia 11 de novembro, o Papa falou com energia, apresentou um projeto de reforma para uma Igreja ferida pela heresia, pelo clero imerso no luxo e no poder temporal. Então, o Papa Inocêncio III recordou e lançou novamente o signo do TAU de Ezequiel 9,1-7. Queria honrar novamente a cristandade com um projeto eclesial de motivação e superação. Era preciso uma reforma de costumes. Uma vida vivida numa dimensão missionária mais vigorosa sob o dinamismo de uma contínua conversão pessoal. São Francisco saiu do Concílio disposto a aceitar a convocação papal e andou marcando os irmãos com o TAU vibrante de cuidado e ternura, a misericórdia aprendida de seu Senhor.

Imagem: São Francisco e São Domingos, no Convento de S. Sabina

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O TAU DE FRANCISCO


O TAU franciscano atravessa oito séculos sendo usado e apreciado. É a materialização de uma intuição. Francisco de Assis é um humano que se move bem no universo dos símbolos. O que é o TAU franciscano? É Verdade, Palavra, Luz, Poder e Força da Mente direcionada para um grande bem. Significa lutar e discernir o verdadeiro e o falso. É curar e vivificar. É eliminar o erro, a mentira e todo o elemento discordante que nega a paz. É unidade e reconciliação. Francisco de Assis está penetrado e iluminado, apaixonado e informado pela Palavra de Deus, a Palavra da Verdade. É um batalhador incansável da Paz, o Profeta da Harmonia e Simplicidade. É a encarnação do discernimento: pobre no material, vencedor no espiritual. Marcou-se com este sinal de luz, vida e sabedoria.

terça-feira, 22 de abril de 2008


Hoje, damos uma pausa na reflexão sobre o Tau para falar sobre uma data muito especial!


Hoje é o Dia Mundial da Terra e comemorar esta data é entrar em comunhão com a fecundidade natural de nossa Magna Mater; é sentir-se parte do Cosmo, consangüíneo do Ser Criado, trabalhar em nós a sensibilidade cosmovital. Reverenciar a Terra, neste dia e sempre, não é apenas uma consciência ecológica moderna ou preocupação com recursos naturais ou mera preocupação ambiental, é mais do que isto! É perguntar pelo modo de estar no mundo! A Terra é Sagrada! Para rituais primitivos, ela é o lugar da Restituição: devolver para ela a vida que ela nos oferece. Temos que fazer isto com uma Qualidade Mística; isto é, refazer esta unidade entre céu e terra, abraçar céu e terra.
A Terra reúne todos os seres com suas características e qualidades e a todos alimenta, protege, dá casa e cuida. Ensina-nos que na presença comum podemos viver a vida com intensidade. A Magna Mater nos dá o Bem Máximo! Ela é o nosso Éden, o Jardim do Paraíso, do qual nós não podemos nos auto-expulsar. A Terra, nosso Jardim, é a afloração de gente, de frutos, ervas e flores, de minerais e diversidade de fontes. A vida está aí, na festa de sua naturalidade! Por que não passeamos mais por jardins e florestas, por matas e trilhas, por que não pisamos mais o chão da vida? Por que temos medo da natureza selvagem? Entretanto, a Terra está aí como o grande suporte do fazer humamo, lugar do cultivo! Quem trabalha bem a terra é afeiçoado pela natureza. Temos que pisar a terra com a mesma leveza que o jardineiro cuida das plantas. Um jardineiro não ameaça o húmus e nem as sementes. Pisa tudo como um chão sagrado. Deixa a Terra ser, não cultiva nem mais, nem menos. Alimenta-se do ser originário do humano, que pelo toque de Deus, moldou o humano da fôrma da Terra.
Que Terra temos hoje? É quase uma decadência. E a decadência está em não percebê-la. A bomba atômica de hoje é a poluição e a falta de cuidado. No Dia Mundial da Terra vamos fazer o propósito de tocá-la, de sentir a sua vitalidade, verdor, explosão de vida, calor, festa da semente. Que a Terra nos desabroche para o jeito de Francisco e possamos dizer: “Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã e Mãe Terra!” Vamos louvar pelo contínuo surgir da vida, o lugar onde reza o camponês. Vamos nos confraternizar com ela e reler as palavras do poeta Peter Hebel: “Nós somos plantas queiramos ou não; de boa vontade somos sustentados, e por isso devemos subir com raízes, da Terra, para poder florir nos céus e trazer Frutos!”

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O TAU DO PENITENTE


Francisco de Assis viveu em um ambiente no qual o TAU estava carregado de uma grande riqueza simbólica e tradicional. Assumiu para si a marca do TAU como sinal de sua conversão e da dura batalha que travou para vencer-se. Não era tão fácil para o jovem renunciar seus sonhos de cavalaria para chegar ao despojamento do Crucificado que lhe fascinou. Escolhe ser um cavaleiro penitente: eliminar os excessos, os vícios e viver a transparência simples das virtudes. Na sua luta interior chegou a uma vitória interior. Um homem que viveu a solidão e o desafio da comunhão fraterna; que viveu o silêncio e a canção universal das criaturas; que experimentou incompreensão e sucesso, que vestiu o hábito da penitência, que atraiu vidas, encontrou um modo de marcar as paredes de Santa Maria Madalena em Fontecolombo, de assinar cartas com este sinal. De lembrar a todos que o Senhor nos possui e nos salva sob o signo do TAU.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O TAU NA IDADE MÉDIA


Vimos o significado salvífico que a letra hebraica do TAU recebe na Bíblia. Mas o TAU tem também um significado extrabíblico, bastante divulgado na Idade Média: perfeição, meta, finalidade última, santo propósito, vitória, ponto de equilíbrio entre forças contrárias. A sua linha vertical significa o superior, o espiritual, o absoluto, o celeste. A sua linha horizontal lembra a expansão da terra, o material, a carne. O TAU lembra a imagem do sustentáculo da serpente bíblica: clavada numa estaca como sinal da vitória sobre a morte. Uma vitória mística, isto é, nascer para uma vida superior perfeita e acabada. É cruz vitoriosa, perfeição, salvação, exorcismo. Um poder sobre as forças hostis, um talismã de fé, um amuleto de esperança usado por gente devota e sensível.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

TAU, SINAL BÍBLICO


Existe somente um texto bíblico que menciona explicitamente o TAU, última letra do alfabeto hebraico, Ezequiel 9,1-7: “Passa pela cidade, por Jerusalém, e marca com um TAU a fronte dos homens que gemem e choram por todas as práticas abomináveis que se cometem”. O TAU é a mais antiga grafia em forma de cruz. Na Bíblia é usado como ato de assinalar. Marcar com um sinal é muito familiar na Bíblia. Assinalar, significa lacrar, fechar dentro um segredo, uma ação. É confirmar um testemunho e comprometer aquele que possui o segredo. O TAU é selo de Deus; significa estar sob o domínio do Senhor, é a garantia de ser reconhecido por Ele e ter a sua proteção. É segurança e redenção, voltar-se para o Divino, sopro criador animando nossa vida como aspiração e inspiração.

terça-feira, 15 de abril de 2008

SOB O SÍMBOLO DO TAU


Há certos sinais que revelam uma escolha de vida. O TAU, um dos mais famosos símbolos franciscanos, hoje está presente no peito das pessoas num cordão, num broche, enfeitando paredes numa escultura expressiva de madeira, num pôster ou pintura. Que escolha de vida revela o TAU? Ele é um símbolo antigo, misterioso e vital que recorda tempo e eternidade. A grande busca do humano querendo tocar sempre o divino e este vindo expressar-se na condição humana. Horizontalidade e verticalidade. As duas linhas: Céu e terra! Temos o símbolo do TAU riscado nas cavernas do humano primitivo. Nos objetos do Faraó Achenaton no antigo Egito e na arte da civilização Maia. Francisco de Assis o atualizou e imortalizou. Não criou o TAU, mas o herdou como um símbolo seu de busca do Divino e Salvação Universal.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

ONDE HÁ DESESPERO, QUE EU LEVE A ESPERANÇA!


Faz parte do espírito franciscano lutar contra o pessimismo! Hoje tantos que possuem juventude e energia, talento e tantas possibilidades, colocam na cabeça que, não conseguem nada na vida, curtem as tendências do mal, consultam cartomantes, entregam para os profissionais de vidência o seu destino. E, assim, vão vivendo uma certa insegurança, uma certa insatisfação; preferem pagar para ouvirem palavras de estímulos do que lutar com as próprias forças para se motivarem para a vida. Não é por aí!
Desespero e desânimo se vence com o esforço perseverante de dizer: “Eu posso! Eu sou capaz!” Sem a paixão pela vontade de querer acertar, a vida se paralisa. Quem vive a esperança está sempre caminhando e não fica lamentando-se à beira do caminho. A esperança nos dá forças para fazermos grandes e pequenas coisas; traz serenidade de espírito; leva a olhar mais objetivamente às coisas do mundo. Ela é a certeza de conseguir o desejado; a alegria do coração. É dizer sempre: “Espero que Sim!”
Esses comentários foram publicados na Folhinha do Sagrado Coração de Jesus

sexta-feira, 11 de abril de 2008

ONDE HOUVER OFENSA QUE EU LEVE O PERDÃO!


Aprendamos com o belo espírito franciscano a viver em paz com nossos semelhantes! Como isto ajuda-nos a encarar a vida! Nós sabemos que hoje temos de conviver com desgraças e ofensas, com gostos diversos, antipatias, interesses contrários, podre política, calúnia, corrupção, disputas, desatenções, conflitos, amarguras. E no meio disso tudo, quanta ofensa que dói! Francisco de Assis aprendeu que, mais do que uma lei cristã, perdoar é uma necessidade. Ódio, rancor, vingança, desgosto, nos trazem apenas sentimentos negativos. Perdoar é um santo remédio para as nossas crises. Perdoar é desenterrar a bondade que está oculta em si e no outro. O perdão desarma o inimigo. Perdoar enriquece, vence a mesquinhez, supera o amor-próprio e nos lança para o outro. Perdoar é ir além dos limites da nossa generosidade. Perdoar é enfrentar o mal com as armas do bem. Perdoar é treinar a esquecer mais facilmente o mal que nos foi feito. O perdão é o fruto maior do Amor! No meio dos conflitos do seu tempo, Francisco não viveu o ódio, mas a Paz e o Bem.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

ONDE HOUVER ÓDIO QUE EU LEVE O AMOR!


O que é o amor? Diante de algo tão grande sentimos o limite de nossas palavras para defini-lo. Mas sabemos que é um impulso, é um sentimento, é uma sensação divina que transforma maravilhosamente as pessoas, que traz vontade de viver, de olhar-se na ternura, de compartilhar a vida, de assemelhar-se. É uma energia que eleva o humano para além dele mesmo, dá vigor aos fracos, coragem aos indecisos e saúde aos que carregam algum mal. Quando sentiu que seu tempo conhecia o ódio, Francisco saiu gritando: “O Amor não é amado!” Porém, não ficou apenas no grito, mas encarnou o amor. Percebeu como Deus ama e começou a amar a vida e os irmãos do jeito de Deus. Amar é ser generoso, é doação total. Francisco captou tudo isto nos dons da criação, do universo. Aprendeu a falar com a pessoa amada e percebeu a Revelação do Amor. Amar é seguir e imitar o Amado, e Francisco fez deste amor Encarnação. Fez o Bem que redime; e soube sofrer com os que escolheu para amar. Francisco fez do Amor Cruz e Eucaristia!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

FAZEI-ME UM INSTRUMETO DA TUA PAZ!


Não é em meio a tensões, conflitos, intranqüilidade, que dizemos as melhores palavras e tomamos as melhores decisões. Nenhum projeto bom nasce de uma cabeça quente. O tempo de Francisco não era um tempo tão diferente do nosso. Havia também o rumor das Cruzadas, a luta contra os muçulmanos, os mercadores e comerciantes crescendo e criando a agitação do consumo, o dinheiro vai aparecendo como força. Os pobres, os doentes que não podem mais produzir, vão conhecendo o desprezo. Havia luta pelo poder entre Imperador e Papa... No meio da efervescência da Idade Média, Francisco reza no silêncio de São Damião, nos bosques, nas cavernas, nos ermos. É preciso buscar o sossego da prece para conviver com os conflitos. Onde buscaremos o espírito que necessitamos para solucionar problemas? Na paz com Deus e na interioridade de cada um. Quem vai mais à paz de si mesmo realiza mais a paz social. A humanidade, como todo organismo vivo, tem seus momentos de crise. No meio desta crise, aprendamos a rezar na conquista da paz.

terça-feira, 8 de abril de 2008

FRANCISCO DE ASSIS: HOMEM FEITO ORAÇÃO


Diz Tomás de Celano, biógrafo de São Francisco, na sua Vita II: “Quando rezava nos matos e nos lugares desertos, enchia os bosques de gemidos, derramava lágrimas por toda parte, batia no peito e, achando-se mais escondido que num esconderijo, conversava muitas vezes em voz alta com o seu Deus. Respondia ao juiz, fazia pedidos ao pai, conversava com o amigo, brincava com o esposo. Transformado não só em orante mas na própria oração, unia a atenção e o afeto num único desejo que dirigia ao Senhor” (2Cel 95). Este texto de Celano nos lembra que, para rezar, é preciso considerar a bondade de Deus colocada em destaque na sua Paternidade. Rezar é ser filho que pede ao pai. É saber encontrar gosto em pedir, em saborear as palavras das preces. Rezar é considerar Deus em todo lugar, hora e tempo. É abandonar-se nos braços da Providência. Rezar é fazer do próprio coração uma aconchegante morada do Senhor. É colocar todo o ser na prece: corpo e alma, todas as potencialidades do humano para dizer o Senhor.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

A oração é uma necessidade do espírito. É o momento onde deixamos de lado as ocupações e damos mais atenção à nossa interioridade. Pela oração colocamos em plena comunhão a nossa dimensão humana e divina. Podemos buscar no Evangelho inúmeras situações onde o próprio Jesus está dedicando o seu tempo à oração, fazendo dela a força principal do seu Reino. Francisco de Assis, seguidor e imitador de Jesus Cristo, também se faz homem-oração. Rezava muito, com paixão, com disciplina. Sua oração é muito despojada, simples, direta, espontânea, repetitiva, mas era sempre um fazer oração, um rezar como trabalho de espírito. Através da oração, Francisco firmava cada momento sua conversão e se orientava pelos caminhos de Deus. Por ela deixava fluir uma torrente de louvor, gratidão e admiração. Para Francisco, rezar é dialogar, pensar e tocar o Deus da Vida! Francisco foi um homem original porque muito amou. Os apaixonados são muito criadores e criativos! Assim, ele se expõe diante de Deus: tocando as raízes da Vida! Assim chegou melhor às Obras.

Imagem, "Cântico do Sol", dë Frei Geraldo Ruderfeld